Vai comprar um vinho brasileiro? Conheça cinco dicas para facilitar a sua escolha

Last Updated on 13 de junho de 2021 by Wine Fun

Com o dólar nas alturas já por um bom tempo, comprar vinhos importados ficou muito mais caro do que anteriormente. E isso acabou criando maior interesse por vinhos brasileiros, que, em 2020, viram uma explosão de consumo. Se até o ano passado ainda era possível achar muitas barganhas com vinhos nacionais, isso é bem mais raro este ano.

Mas esta mudança nos hábitos de consumo exige alguns cuidados. De um lado, há quem afirme que vinhos brasileiros não valem a pena, de outro existem aqueles que acreditam que o Brasil já compete em condições de igualdade com outros países de maior tradição. A realidade, porém, fica no meio do caminho: existem muitos vinhos de ótima qualidade por aqui, mas também muita coisa abaixo do padrão mínimo aceitável. A seguir, cinco dicas para escolher um bom vinho nacional.

Vinho de mesa versus vinho fino

O primeiro cuidado diz respeito à distinção entre vinho de mesa e vinho fino. Ao contrário da esmagadora maioria do mundo, no Brasil é muito comum a venda e consumo de vinhos de mesa. Eles são elaborados a partir de uvas híbridas ou americanas, ao invés das variedades da Vitis vinifera. E isso pode fazer uma enorme diferença em termos de qualidade.

Gosto não se discute, mas são vinhos difíceis de comparar. Naqueles elaborados a partir das diversas variedades de Vitis vinifera (como Cabernet Sauvignon, Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Malbec e tantas outras) a qualidade varia muito, mas o padrão médio é bom. De outro lado, infelizmente nunca tive a oportunidade de provar um vinho de mesa que agradasse. São vinhos rústicos, simples e desequilibrados, o que piora ainda mais no caso dos exemplares semi-secos ou doces.

Custo-benefício

Por conta da disparada do câmbio, os vinhos brasileiros ganharam vantagem comparativa em relação aos importados. Mas isso não significa que sejam vinhos baratos. Por conta de diversos fatores (sobretudo tributação), o vinho, mesmo nacional, ainda é muito caro no Brasil. Mesmo sem levar em conta o poder de compra, uma garrafa de vinho nacional é muito mais cara no Brasil que na Europa, por exemplo.

Não é tão fácil encontrar um bom vinho nacional abaixo de R$ 60 a garrafa (mais ou menos dez euros). Em outros países produtores, porém, isso é muito mais comum. Na Europa não faltam vinhos de qualidade muito boa abaixo de € 10, o mesmo ocorrendo na Argentina e Chile, onde, por valores equivalentes, existe grande oferta de vinhos de boa qualidade. Portanto, na hora de escolher um vinho nacional, fique de olho também no preço, é preciso garimpar para fazer seus reais renderem mais.

Tradição e novidades

Outro ponto importante é buscar conhecer um pouco melhor o produtor e a região de origem dos vinhos. É consenso afirmar que, nos últimos 30 anos, o vinho nacional viveu uma verdadeira revolução, com um vertiginoso aumento na qualidade média dos vinhos. E isso se deveu, em boa parte aos investimentos de muitos produtores em métodos de produção. Isso ajudou a colocar o vinho brasileiro em um patamar comparável ao internacional.

Nos últimos anos, por outro lado, muitos novos produtores e regiões surgiram, beneficiados por novas técnicas, como poda invertida, por exemplo. Embora existam exemplares de excelente qualidade, muitas destas regiões ou produtores ainda estão em estágios iniciais ou intermediários da curva de aprendizado. Isso acaba criando muita variação, alguns vinhos bons, mas dentro de uma média mais baixa. Embora valha a pena provar novidades, para correr menos riscos uma certa dose de cautela é recomendada, selecionado produtores já estabelecidos e de mais alto padrão de qualidade.

Variação de safras

Ao contrário de alguns de nossos vizinhos na América do Sul, nas principais regiões produtoras de vinhos do Brasil existe uma variação significativa de safras. Por conta de nossas condições climáticas, vinhos de regiões como a Serra Gaúcha, por exemplo, acabam variando muito ano a ano, como acontece em muitas regiões europeias.

Já no Chile e Argentina, por outro lado, boa parte da produção fica em locais de clima desértico, onde as condições mudam muito menos ao longo dos anos. Desde modo, vinhos destes países costumam ter um padrão muito mais homogêneo na comparação de safras que os vinhos brasileiros. Deste modo, ao comprar vinhos brasileiros, vale a pena sempre checar a safra, pois a variação pode ser significativa.

Nada de preconceito

Por fim, enterre de vez qualquer preconceito que existe em relação ao vinho brasileiro. Se na média o Brasil ainda perde de muitos países (sobretudo por conta do grande peso dos vinhos de mesa), não faltam excelentes vinhos finos brasileiros. Não foram poucas as degustações às cegas que participei onde vinhos brasileiros deixaram para trás vinhos de países com maior tradição na vinicultura.

Assim, vale a pena explorar o cada dia mais amplo universo dos vinhos brasileiros. Como em qualquer país ou região, existem altos e baixos, mas isso faz parte. Considerando algumas das recomendações acima, você somente tem a ganhar ao descobrir que pode tomar um ótimo vinho brasileiro. Não faltam variedades ou estilos diferentes, há vinhos para todos os gostos, portanto as opções são quase ilimitadas. Saúde e um brinde ao vinho brasileiro!

Imagem: Alex Ribeiro via Pixabay

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