Vin Méthode Nature: classificação de vinhos naturais na França

Last Updated on 2 de outubro de 2020 by Wine Fun

Os vinhos naturais vêm ganhando espaço crescente nas taças ao redor do mundo, até mesmo como parte de um movimento mais amplo. Não há dúvida que uma parcela crescente das pessoas mostre uma postura que inclui maior importância à ecologia, repúdio à excessiva intervenção humana e busca de uma proposta de vida mais sustentável.

Porém, uma pergunta fica quase sempre sem resposta: o que são vinhos naturais? Qual a definição exata do que é vinho natural e o que não é?

Aprovação da nova classificação

Em março de 2020 foi dado o primeiro passo para dar uma resposta formal a esta pergunta. A partir do trabalho de alguns produtores de vinhos naturais do Syndicat de Défense des Vins Nature, liderado por dois expoentes desta proposta no Loire, Jacques Carroget, da vinícola La Paonnerie, na região de Pays Nantais, e Sébastien David, que vinifica em St-Nicolas-de-Bourgueil, as autoridades francesas decidiram agir.

A INAO, que administra e regula as denominações francesas, criou uma nova classificação, desta vez não orientada por região ou terroir. Os critérios são os métodos adotados na agricultura e vinificação, valendo, portanto, para qualquer vinho francês que atenda os pré-requisitos necessários, independente da região ou classificação geográfica. Foi criada, assim, a designação Vin Méthode Nature.

Pré-requisitos

Para receber esta classificação, existem 12 pré-requisitos que devem ser cumpridos. Eles englobam métodos adotados na agricultura, técnicas e procedimentos de vinificação e a estratégia de divulgação de informações pelos produtores.  Estes requisitos fazem parte da proposta do Syndicat de Défense des Vins Nature e são os seguintes:

  1. 100% das uvas usadas devem ser de agricultura orgânica certificada ou de vinhedos que estão ao menos no segundo ano de conversão para cultivo orgânico;
  2. Toda a colheita deve ser manual, sem mecanização;
  3. Os vinhos devem vinificados apenas com leveduras indígenas;
  4. Nenhum aditivo pode ser adicionado;
  5. Nenhuma ação de modificação voluntária da constituição da uva é autorizada, incluindo adição ou retirada de açúcares, taninos, água e matéria corante;
  6. Não é permitido o uso de técnicas físicas, brutais e traumáticas na vinificação, como, por exemplo osmose reversa, filtrações, filtração tangencial, pasteurização flash, termovinificação ou afins;        
  7. Sulfito não pode ser adicionado antes e durante a fermentação, apenas um pequeno ajuste antes do engarrafamento que resulte em sulfitos totais menores de 30 mgs/l de SO2;
  8. Os produtores comprometem-se a apresentar estes pré-requisitos ao lado das garrafas em feiras e eventos, há o encorajamento para as lojas que comercializam estes vinhos fazerem o mesmo.
  9. Uso do logotipo de identificação nas garrafas (qual dos logos depende da quantidade de sulfito total)
  10. O compromisso de respeitar estes pré-requisitos será feito pelo produtor durante a comercialização, seguindo o parecer da associação
  11. Os cuvées que não sejam Vin Méthode Nature devem ser claramente identificáveis, inclusive com uso de rótulos diferentes
  12. Os produtores se comprometem em seu próprio nome, criando um compromisso legal,  e todas as informações sobre os vinhos serão disponibilizadas online

Duas versões

Existem duas versões do logo, uma para vinhos sem adição de sulfitos e outro para os vinhos cujo nível de sulfitos inferior a 30 mg/l. Logo no momento da divulgação da regulamentação, já havia cerca de 100 produtores com vinhos da safra 2019 prontos para receber a certificação, com expectativa de rápido crescimento, já a partir da safra 2020.

A divulgação destas regras, porém, criou uma série de controvérsias e dúvidas quanto à capacidade de regulamentação.

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