Vinhos orgânicos: um guia simples para entender melhor o que são e como são elaborados

Muita gente ainda confunde as definições do que são vinhos naturais, orgânicos, biodinâmicos ou de baixa intervenção e quais suas diferenças para os chamados vinhos convencionais. E como o assunto é bem amplo, vamos nos concentrar aqui nos vinhos orgânicos. É uma categoria que tem crescido rapidamente e ganhado espaço nas adegas de quem gosta de vinhos mais puros.

Antes de mais nada, é preciso entender a diferença entre vinhos feitos a partir de uvas orgânicas e vinhos orgânicos. A diferença pode parecer sutil, mas não é. Além dos cuidados com a agricultura, a definição de vinhos orgânicos inclui também um maior controle sobre os processos usados na vinificação. E isso pode fazer toda a diferença.

Uvas orgânicas

A definição mais simples é a de vinhos elaborados a partir de uvas cultivadas de acordo com os princípios da agricultura orgânica. De forma geral, esta forma de cultivo pode ser definida como aquela onde é proibido o uso de produtos químicos nos vinhedos. O destaque fica para o veto ao uso de fertilizantes artificiais, de herbicidas ou pesticidas químicos sintéticos e de produtos geneticamente modificados.

Assim, vinhos elaborados a partir de uvas orgânicas são aqueles onde há restrição para o uso de diversos produtos nos vinhedos, mas não há regras definidas (com raras exceções que veremos à frente) sobre o que é feito na vinificação. Um exemplo é o vinho lançado em 2020 pela atriz Cameron Diaz, que foi chamado pela produtora como “vinho limpo”, por ter sido feito a partir de uvas orgânicas.

Não faltam exemplos de vinhos elaborados a partir de uvas orgânicas, inclusive no Brasil. Muitos destes vinhos não recebem certificação, ou seja, não há a contratação de uma entidade que chancela as práticas adotadas e emite um “selo de agricultura orgânica”. Porém, em países onde os processos de certificação não envolvem as práticas de vinificação, podem ser encontrados vinhos com certificação de uva orgânicas.

Certificação

Antes de passar para o conceito de vinhos orgânicos, vale a pena entender melhor o papel da certificação. Se, de um lado, existe certificação somente para a parte referente à agricultura, em alguns países a certificação vai além. É o caso da certificação adotada pelos países da União Europeia a partir de 2012. Se anteriormente ela se referia somente a vinhos elaborados a partir de uvas orgânicas, a legislação mudou e passou a considerar alguns pré-requisitos também na vinificação.

Assim, todos os países deste bloco econômico adotam uma única certificação para vinhos orgânicos. Porém, como quem não faz o controle é o governo, existem diversas certificadoras, que são empresas privadas que fazem o trabalho de auditar as práticas dos produtores e chancelar se elas atendem as regras definidas pela União Europeia.

No caso dos Estados Unidos, existem duas certificações, uma para vinhos elaborados a partir de uvas orgânicas e outra de vinhos orgânicos. Apesar do nome, ambas consideram também práticas na vinificação, embora a segunda seja muito mais rigorosa e, até por isso, muito pouco usada.

Vinhos orgânicos

O conceito de vinhos orgânicos não se restringe, deste modo, somente ao que ocorre nos vinhedos. Tanto a certificação europeia como as norte-americanas exigem que alguns procedimentos sejam evitados também na vinificação, sobretudo no que diz respeito à adição de quantidades maiores de sulfitos.

Existe muita discussão se estes pré-requisitos são rigorosos ou não, já que, com raras exceções trazem critérios muitas vezes bem próximos daqueles adotados na elaboração dos vinhos chamados convencionais. De qualquer modo, porém, devem ser encarados com um avanço, já que, além, de práticas agrícolas mais naturais, traz algum tipo de controle também aos métodos usados na vinificação.

Conceitos mais claros

Assim, agora fica mais fácil entender melhor como funciona o mundo dos vinhos orgânicos. Um ponto importante a frisar é que a certificação não é necessária, sendo uma opção que existe para os produtores. Porém, como a demanda por vinhos orgânicos segue crescendo e suas avaliações sendo cada vez melhores, existe um movimento mais consistente de busca destas certificações.

Fique sempre de olho também na definição de orgânico, se faz referência somente à agricultura ou ao processo como um todo. Para este último caso, o certificado mais conhecido é aquele da União Europeia, uma folha branca estilizada sobre um fundo verde abacate. Ele é usado não somente por produtores europeus, mas também por alguns de outros países, que vendem seus vinhos como orgânicos na Europa.

Existem diversos outros selos, mas, com exceção do norte-americano e poucos outros (como da BioGro da Nova Zelândia), a maioria se refere somente à agricultura. Exemplos são o selo brasileiro, o argentino ou o chileno, que, por conta de uma parceria entre as autoridades brasileiras e chilenas, acaba sendo substituído pelo brasileiro quando os vinhos são vendidos por aqui.  

Imagem: Matthias Böckel via Pixabay

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