Os vinhos rosé não param de ganhar participação nas taças ao redor do mundo. É a categoria de vinhos que cresce mais rapidamente, refletindo o fato de serem mais leves e frescos, algo que parece combinar com as preferências do público mais jovem. Isso sem contar o fato de que, por conta de sua coloração, são bastante atrativos para quem usa as mídias sociais para postar o que bebe.
E por falar em cor, os vinhos rosé estão longe de se mostrarem homogêneos neste critério. Podemos encontrar desde aqueles rosé bem clarinhos, com uma coloração que se convencionou chamar de casca de cebola, até aqueles mais intensos, de uma aparência tendendo a cor de rosa. A pergunta é: isso pode fazer a diferença?
Métodos, variedades e estilo
De um lado, a coloração pode trazer algumas informações, mas está longe de ser suficiente para definir a qualidade do vinho. A coloração depende de uma série de fatores, que devem ser levados em conta na hora de escolher o vinho. O primeiro deles é o tempo de maceração com as cascas. Como a imensa maioria dos rosés é feita a partir de uvas tintas, o tempo no qual o vinho fica em contato com as cascas pode definir sua coloração. A princípio, quanto menor o tempo, mais clarinho o rosé será.
Um outro fator importante é a variedade da qual o rosé é elaborado. O principal composto responsável pela coloração são as antocianinas, que variam bastante de acordo com a variedade. Por exemplo, mantido o tempo de maceração constante, um rosé feito a partir da Pinot Noir tende a ser mais claro que aquele elaborado a partir de Cabernet Franc, por exemplo.
Por fim, um ponto fundamental é entender qual método será utilizado para elaborar o rosé. Aqueles feitos a partir de prensa direta, por exemplo, tendem a ser mais claros que os vinhos feitos com o método saignée. O problema é que esta informação normalmente não está disponível nos rótulos, sendo de acesso mais difícil.
Tradição e origem
A origem do vinho também pode ser um indicador da coloração e estilo de rosé. Por exemplo, na Provence, que é a região mais badalada no mundo para estes vinhos, eles tendem a ser bem clarinhos, com a coloração geralmente casca de cebola ou salmão claro. De forma geral, são vinhos mais secos e de alta acidez, mas isso varia ligeiramente de acordo com o perfil do produtor
Por outro lado, outra região francesa, a de Anjou, no vale do Loire, tende a ser caracterizada por rosés de coloração mais intensa e maior teor de açúcar. Os Rosé d’Anjou , em sua maioria, representam, desta forma, um estilo bastante distinto da Provence, com vinhos menos secos e mais frutados.
Outras regiões que tendem a produzir rosés de coloração mais intensa são, por exemplo, Portugal e a região de Navarra, na Espanha. Porém, nos últimos anos a questão de coloração tem mudado muito. Boa parte dos rosés argentinos apresenta uma coloração mais intensa. Recentemente, porém, alguns produtores optaram por elaborar vinhos com uma coloração que remete aos vinhos da Provence.
Moda?
Aliás, a tendência de buscar vinhos com a coloração mais próxima daquela dos vinhos da Provence não é nova, até porque a reputação desta região francesa não para de crescer. Muitos consumidores parecem associar rosés mais claros com qualidade, o que necessariamente não é verdade.
Por exemplo, em regiões mais quentes (inclusive na Provence), as uvas são colhidas mais cedo para levar a rosés mais frescos e de melhor acidez. Porém, isso pode também significar, em alguns casos, vinhos com pouca presença de frutas e muitos componentes herbáceos que chegam a ser desagradáveis para beber.
Cor não é tudo
Deste modo, escolher o rosé somente por conta da cor pode não ser uma boa ideia. Mesmo vinhos de cor mais intensa, como os Rosé D’Anjou, podem apresentar uma acidez muito alta, que equilibra muito bem o seu dulçor a mais. Para entender isso, é só pensar em um Riesling de boa qualidade, por exemplo.
Assim, é mais importante entender os métodos de produção, a reputação do produtor, a qualidade dos vinhedos e outros fatores, do que a cor. Obviamente, isso vale desde que o mais importante para o você seja o vinho em si, não a intensidade da cor que irá para as mídias sociais.