A região de Wachau, na Áustria ganhou grande destaque nos últimos anos, tanto pela tradição na viticultura como pela qualidade de seus vinhos. Dois fatores, porém, impulsionaram esta tendência. O aquecimento global acabou gerando um perfil mais homogêneo de maturação das uvas e, em paralelo, os consumidores passaram a dar mais valor a um estilo de vinhos verticais e diretos. Neste último critério, dentre tantos produtores de alto nível, um chama a atenção: Weingut Alzinger.
Com uma longa tradição na viticultura e rótulos próprios desde a década de 1980, é uma vinícola com foco principal em duas variedades: Grüner Veltliner e Riesling. A primeira tem cultivo em vinhedos mais baixos, geralmente com solos de loess, enquanto a uva símbolo da Alemanha via de regra ocupa os espaços mais altos nas colinas, quase sempre em solos metamórficos. Assim como a maioria dos produtores de Wachau, divide seus vinhos usando as três categorias de classificação: Steinfeder, Federspiel e Smaragd.
História
Leo Alzinger Jr. administra a vinícola desde 2002, mas o histórico da propriedade familiar é bem mais longo. Os avôs de Leo já cultivavam uvas e vendiam a produção para cooperativas, mas foram seus pais que iniciaram a produção com rótulos próprios. Inicialmente comercializados no seu Heuriger (misto de restaurante e degustação de vinhos), seus Riesling e Grüner Veltliner fizeram sucesso. Nesta época, logo depois do escândalo do vinho austríaco de 1985, eram apenas 3 a 4 hectares de vinhedos.
Leo Alzinger Sr. já admirava um estilo mais mineral e direto para seus vinhos, de forma inversa à percepção de qualidade da época, que prezava por vinhos mais encorpados. Também em termos de área de vinhedos, houve um avanço considerável, chegando a nove hectares em 2001. A expansão seguiu com Leo Jr., já que atualmente são 12 hectares de vinhedos próprios.
Vinhedos, variedades e produção
Além dos vinhedos próprios, a Weingut Alzinger conta também com um hectare de videiras arrendadas, totalizando 13 hectares para a produção de seus vinhos. O cultivo, realizado de forma sustentável, tem na Grüner Veltliner a variedade mais cultivada, com pouco mais de 55% da área plantada. A Riesling responde por quase 40%, deixando 5% para a Chardonnay. Dois vinhedos chamam a atenção: Loibenberg e Steinertal.
A produção anual média fica na faixa de 90 mil garrafas, com a Grüner Veltliner tendo a maior participação (cerca de 65%). Isso ocorre por conta de seus maiores rendimentos, sobretudo em relação à Riesling.
Vinificação
O estilo direto e vertical dos vinhos tem muito a ver com as técnicas de vinificação. Curiosamente, as colheitas na Alzinger ocorrem mais tarde do que alguns dos seus vizinhos em Unterloiben. Leo atribui isso à alta concentração de vinhas velhas e à exposição específica de suas parcelas. O tempo extra na videira, porém, não aumenta os níveis de açúcar, mas garante uma melhor maturação fisiológica.
Na vinificação, há uso de cachos inteiros e curtas macerações (geralmente de uma a duas horas) e, em seguida, o mosto assenta por 24 horas. No caso dos vinhos da categoria Federspiel, há uso de leveduras cultivadas, mas neutras. Já para os Smaragd, a fermentação começa naturalmente, com inoculação em torno de dois terços do processo, para garantir o sucesso. Na maioria das vezes, a fermentação ocorre em tanques de inox, com alguns casos em madeira. Depois da fermentação, vinhos ficam com suas lias, sem uso de SO2: seis meses no caso dos Federspiel e nove nos Smaragd. Os vinhos passam por filtração antes do engarrafamento.
Vinhos com a Grüner Veltliner
Dependendo da safra, há o lançamento de 12 a 16 cuvées diferentes, divididas de forma equilibrada entre vinhos usando Grüner Veltliner e Riesling. Dentre os Grüner Veltliner, o vinho de entrada é o Federspiel Dürnstein, com uvas de diversas parcelas com solo aluvial, próximos ao Danúbio, resultando em mais leveza e leve salinidade. Já o Ried Hochstrasser Federspiel conta com uvas de parcelas aos pés da colina de Loibenberg, com mais solos metamórficos, gerando em vinho mais profundo e especiado.
Seus dois vinhos de maior destaque com a Grüner Veltliner são o Ried Loibenberg Smaragd e o Ried Steinertal Smaragd, o primeiro mais denso, texturado e frutado, o segundo com características mais diretas e maior verticalidade. Outros vinhos a partir da Grüner são o Ried Mühlpoint (tanto como Federspiel como Smaragad), Ried Liebenberg Smaragd e Grüner Veltliner Reserve, que varia de parcelas dependendo da safra.
Vinhos com a Riesling
Assim como no caso da Grüner Veltliner, a linha de Riesling começa com Federspiel Dürnstein, porém elaborado em dois estilos (Federspiel e Smaragad). Três vinhos com esta variedade chamam mais a atenção. O Ried Loibenberg Smaragd conta com uvas do mesmo vinhedo usado no Grüner de mesmo nome, porém de uma parte totalmente diferente, mais elevada e fria. Estilisticamente, é um misto dos Loibenberg “tradicionais” e de Steinertal.
O Ried Hörereck Smaragd traz mais fruta e mais matiére, porém em um estilo muito seco, enquanto o Ried Steinertal Smaragd é considerado por muitos como o flagship da vinícola. Também das parcelas mais altas do vinhedo, um vinho que chama atenção pela profundidade entre acidez e notas umami. Completam a linha de Riesling três outros vinhos: Ried Liebenberg Smaragd, Ried Hollerin Smaragd e Riesling Reserve.
| Nome da Vinícola | Weingut Alzinger |
| Estabelecida | Década de 1980 |
| Website | https://alzinger.at/en/ |
| Enólogo | Leo Alzinger Jr. |
| Uvas | Grüner Veltliner, Riesling, Chardonnay |
| Área de Vinhedos | 13 hectares |
| Sede da Vinícola | Dürnstein (Niederösterreich) |
| Denominação de origem | Wachau |
| País | Áustria |
| Agricultura | Sustentável |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
Fontes: Website da vinícola; entrevista com o produtor
Imagens: Weingut Alzinger