Weißburgunder e Grauburgunder: Dönnhoff além da Riesling

Por que não provar algo fora do comum? Em uma região cuja reputação internacional está diretamente associada à Riesling, o Weingut Dönnhoff destaca-se como um dos produtores mais respeitados, não apenas do Nahe, mas também da Alemanha. Embora a Riesling represente cerca de 80% da área de seus vinhedos, a vinícola familiar também cultiva variedades de origem francesa, em especial Weißburgunder (Pinot Blanc) e Grauburgunder (Pinot Gris). Em uma recente prova, degustei dois exemplares dessas castas, elaborados com propostas distintas.

O Weißburgunder 2024 provém de vinhedos localizados na parte central da Nahe, plantados em solos vulcânicos com presença de loess. As vinhas têm entre 20 e 30 anos de idade, com rendimentos próximos de 50 hl/ha. Na vinificação, fermentação com leveduras indígenas em grandes barris tradicionais alemães (Stückfass), seguida de cerca de quatro meses de estágio nesses mesmos recipientes. Já o Grauburgunder “S” 2024 nasce de vinhedos situados na mesma região, com perfil de solo semelhante e vinhas com aproximadamente 30 anos de idade. Neste caso, os rendimentos são mais baixos, em torno de 40 hl/ha. A fermentação e o amadurecimento ocorrem em Stückfass novos. O vinho permaneceu entre seis e nove meses com suas lias.

Degustando

Além de concluir que o alto padrão de qualidade dos vinhos da Dönnhoff não se restringe apenas à Riesling, uma comparação interessante entre as duas mutações da Pinot Noir e o impacto das técnicas de vinificação. De forma geral, o Weißburgunder apresentou uma expressão mais primária, mostrando-se leve, frutado e fácil de beber, com textura macia. No olfativo, trouxe aromas intensos de pera madura, com notas de maçã, menta e toque cítrico (lima da Pérsia). O palato mostrou boa acidez, corpo médio, cremoso e de textura fina, majoritariamente primário, mas com boa estrutura, concentração, final longo e frutado.

Já o Grauburgunder trouxe maior complexidade e mais camadas, com foco dividido entre notas primárias e secundárias. Nariz intenso com aromas de maçã seca, pêssego branco, ervas verdes e brioche, com notas defumadas e de cedro. Gustativo de acidez média a alta, corpo médio, notas defumadas e textura granulosa. Sente-se um pouco o carvalho, um vinho concentrado e denso, com notas umami e um final longo. Foco maior na estrutura e na textura do que na tensão.

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