Bordeaux: grandes nomes rumando para agricultura sustentável, orgânica e biodinâmica

Last Updated on 7 de outubro de 2021 by Wine Fun

A sustentabilidade e o uso de práticas com menor uso de produtos químicos nos vinhedos parece ser uma tendência que ganha mais força a cada dia. Se ao redor do mundo a área plantada de vinhedos cultivados de acordo com os princípios da agricultura orgânica segue em crescimento, mesmo regiões inicialmente mais resistentes começam a atuar de forma mais incisiva. E um exemplo é Bordeaux.

Esta região, ao contrário da Borgonha, por exemplo, é dominada por grandes propriedades. E, com raras exceções, estes produtores, muitos de renome, pareciam dedicar mais atenção às técnicas na adega do que com formas mais sustentáveis de cultivar seus vinhedos. Mas isso está mudando, com a sustentabilidade ganhando maior importância.

Progresso gradual  

Isso não significa, porém, que veremos nos próximos anos a maioria dos vinhedos da região plantados de acordo com os princípios da agricultura orgânica ou biodinâmica. Porém, a crescente conversão para práticas de agricultura sustentável (passo necessário para quem quiser partir para os dois modelos mencionados acima) é uma realidade no Bordeaux.  

De acordo com a CIVB (entidade que representa os interesses dos produtores de Bordeaux), mais de 1.500 propriedades (de um total de aproximadamente 6.000) já obtiveram a certificação de sustentabilidade HVE (Haute Valeur Environnementale). O HVE é um sistema de três níveis, introduzido pelo Ministério da Agricultura francês em 2001.

Este sistema incentiva os produtores a se concentrarem no aumento da biodiversidade e na diminuição do impacto ambiental negativo de suas operações. Ao contrário das viticulturas orgânica e biodinâmica, porém, os programas de sustentabilidade permitem o uso de produtos químicos sintéticos, embora com várias ressalvas.

Exemplo vindo de cima

Porém, da mesma forma que tem sido visto na Borgonha, os produtores de maior reconhecimento, como aqueles que receberam classificação Cru Classé, querem mais. E isso significa partir para as agriculturas orgânica e/ou biodinâmica, de preferência com certificação. No Bordeaux, 796 propriedades são certificadas como orgânicas ou em conversão, segundo dados da CIVB.

Mesmo o selo biodinâmico, como a da certificadora Demeter, também está mais presente. Por exemplo, o Château Durfort-Vivens alcançou esta certificação em 2017. De acordo com a CIVB, 61 propriedades já são certificadas pela Demeter. E os números estão crescendo: Château L’Evangile, em Pomerol, será certificado como orgânico em 2021. E outras propriedades, incluindo o Château Lafite Rothschild, que pertence aos mesmos proprietários, estão trabalhando neste sentido.

Segundo informações da Domaines Barons de Rothschild, que tem as duas propriedades acima em seu portfolio, desde 2017 têm sido realizados ensaios em 13 hectares de vinhedos em Pauillac, usando os conceitos biodinâmicos. O objetivo é avaliar o impacto de certas preparações em critérios como maturação e acidez.

Exemplos de sucesso

Alguns dos nomes mais ilustres de Bordeaux já adotam práticas neste sentido. Château Climens, Fonroque, Latour, Palmer e d’Yquem são certificados ou em processo de conversão para viticultura orgânica ou biodinâmica. Já o Château Angelus começou o caminho da conversão orgânica em 2018. Porém, um produtor merece uma menção à parte, por seu pioneirismo na região.

O Château Pontet-Canet foi um dos primeiros Cru Classé a rejeitar o uso de insumos sintéticos. Após testes com biodinâmica em 2004, o proprietário Alfred Tesseron decidiu eliminar o uso do herbicida glifosato em seus vinhedos. O resultado final foi a obtenção da certificação biodinâmica pela Demeter em 2014.

Motivação

Mas qual seria a real motivação por trás desta crescente conversão de vinhedos? Há quem aposte que isso faz parte de um movimento consciente rumo a formas de agricultura com menor impacto sobre o solo e, também, sobre os trabalhadores que cultivam os vinhedos. Por outro lado, há quem aponte que isso seria o resultado de uma estratégia comercial.

Esta segunda hipótese ganhou corpo após um estudo recentemente publicado mostrar que os vinhos produzidos a partir de uvas cultivadas a partir dos princípios orgânicos ou biodinâmicos receberem melhor avaliação dos críticos. Assim, a adoção destas práticas poderia resultar também em benefícios comerciais importantes.

De qualquer forma, independentemente da motivação, o mais importante é que este movimento implica em vinhedos mais puros, em menor uso de insumos químicos e/ou industriais. Uma região tão importante e de tanta reputação como Bordeaux partir para este caminho é um exemplo para muitas outras. Não somente os apreciadores de bons vinhos, mas também o planeta Terra agradece.   

Fonte: The Drink Business

Imagem: Denis de Villers via Pixabay

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *