Bruna Grimaldi: tradição familiar e qualidade em Grinzane Cavour

Last Updated on 26 de fevereiro de 2025 by Wine Fun

Um dos grandes diferenciais da região de Barolo, além de seu terroir especial, é a manutenção de vinícolas familiares. Esta peculiaridade permite manter um caráter artesanal aos vinhos da região, com o foco na qualidade ficando à frente da busca por produção em grande volume. Este é o caso da Azienda Agricola Bruna Grimaldi. Com mais de 100 anos de tradição, vem ganhando cada dia mais destaque pela pureza e precisão de seus vinhos.

Sediada em Grinzane Cavour, onde a Cascina (casa de fazenda usada inclusive para produção de vinhos) foi construída em 1903, passou por diversas etapas até seu estágio atual. Até a década de 1960 era uma propriedade com diversas culturas, até que que Giovanni Grimaldi começou a focar somente no vinho. Neste estágio, porém, optou por vender grande parte de sua produção a granel.

Contando também com vinhedos aportados por sua esposa, Giovanni foi sucedido em 1989 por sua filha Bruna e o marido dela, Franco Fiorino, ambos enólogos de formação. A partir de 1999 os vinhos passaram a ser engarrafados com o rótulo Bruna Grimaldi. A família ganhou uma nova geração e os dois filhos do casal (Simone – desde 2015 e Martina – desde 2019) agora estão 100% envolvidos com a vinícola.

Vinhedos

A família atualmente cultiva cerca de 14 hectares de vinhedos, todos próprios e com cultivo orgânico desde 2013. As videiras não recebem produtos químicos sintéticos, com ênfase no uso de gramíneas, fertilizantes orgânicos e o combate natural contra parasitas. Há uso também de fungos antagônicos e métodos de confusão sexual para evitar insetos. Dentre as variedades cultivadas, o principal destaque é a Nebbiolo. Ela responde por cerca de 55% da área plantada, dividindo espaço com outras uvas típicas da região, como Arneis, Barbera e Dolcetto.

Em Grinzane Cavour são duas parcelas: Borzone (1 hectare plantado em 2012 e 2007) e Raviole (0,84 hectare plantado em 2000). Já em Serralunga d’Alba são dois hectares no vinhedo Badarina, que chegaram à família por via de Clara (nascida Scarzello), mãe de Bruna. Esta parcela, situada a 440 metros de altitude e ao lado de Boscareto e Francia, é a joia da coroa. Há um pequeno monopole dentro desta área, chamado Vigna Regnola, que dá origem ao Badarina Riserva.

Na comuna de Roddi são duas parcelas na parte central do vinhedo Bricco Ambrogio (0,7 ha e 0,2 ha com idade entre 10 e 25 anos), que Bruna e seu marido compraram em 2006. Outros 2,5 hectares se localizam no vinhedo Roere di Santa Maria, em La Morra (vinhas de 10 e 40 anos) e na MGA San Lorenzo di Verduno. Por fim, há também vinhedos em Diano d’Alba e Sinio, usados sobretudo para a produção do Nebbiolo d’Alba.

Produção e vinificação

Com uma produção anual em torno de 90 mil garrafas, Bruna Grimaldi tem na Nebbiolo seu carro chefe. Os Barolos respondem por cerca de 35 mil garrafas anuais, seguidos pelo Nebbiolo d’Alba (20 a 25 mil), Barbera (20 mil), Arneis (9 mil) e Dolcetto (8 mil). No trabalho de adega, foco em técnicas de baixa intervenção, com uso do calendário biodinâmico. As fermentações são naturais e com controle de temperatura, com extrações suaves (adotam o conceito de infusão, sem bâtonnage), macerações longas para os tintos, sem aditivos a não ser uso restrito de sulfitos.  

Para os Barolos adota basicamente a mesma vinificação. Uvas desengaçadas, fermentação espontânea sem pied de cuve sobretudo em inox, 25 a 35 dias de maceração, uso de cappello sommerso e conversão maloláctica geralmente em cimento. Os vinhos passam de 24 a 30 meses em uma combinação de botti de carvalho da Eslavônia e tonneaux de carvalho francês. Uma mudança recente, aplicada para os Barolos Badarina e Bricco Ambrogio foi a vinificação em tonéis de carvalho.

Vinhos de entrada

Bruna Grimaldi elabora apenas um vinho branco, um monovarietal de Arneis. Uvas provenientes de Diano d’Alba, com vinificação inteiramente em inox, sem conversão maloláctica e dois meses de contato com as lias. Já o Dolcetto San Martino também preza pelo frescor, contando com uvas de um vinhedo em Grinzane Cavour. Sua vinificação é em inox e concreto, onde o vinho fica por 12 meses antes do engarrafamento.

O Barbera d’Alba Superiore Scassa, em termos estilísticos, fica entre os Barberas mais leves (Classico) e os mais concentrados (Barbera Superiore). São uvas de diversas vinhedos, vinificação em inox e cimento e estágio de 12 meses em botti. Com uvas das mesmas áreas do anterior (Roddi, Diano e Rodino), o Nebbiolo d’Alba Bonurei tem origem em vinhas velhas, com maceração de 15 a 20 dias, seguida por seis a sete meses em botti.

Barolos

A linha de Barolo começa com o Barolo Camilla. Sua elaboração inclui uvas provenientes de cinco comuni: Grinzane Cavour, La Morra, Verduno, Roddi e Serralunga d’Alba. É um típico Barolo Classico, mais leve e elegante. Por sua vez, o Barolo Bricco Ambrogio conta com uvas provenientes de parcelas da MGA de mesmo nome em Roddi e, na comparação com o anterior, é um vinho mais complexo e austero.

O Barolo Badarina já reflete o terroir distinto do extremo sul de Serralunga d’Alba, onde complexidade e potência (pela região) e elegância e frescor (pela altitude) se combinam. Por fim, o Barolo Vigna Regnola Badarina usa uvas provenientes de uma parcela dentro de Badarina. Disponível somente em safras selecionadas, apesar de ser engarrafado como Riserva, tem vinificação em linha com os anteriores.

Nome da Vinícola Azienda Agricola Bruna Grimaldi
EstabelecidaDécada de 1960
Website https://www.grimaldibruna.it/en/
EnólogosFranco Fiorino, Simone Fiorino
UvasNebbiolo, Dolcetto, Barbera, Arneis
Área de Vinhedos14 ha
Sede da VinícolaGrinzane Cavour (Piemonte)
Denominações de origemBarolo, Barbera D’Alba, Dolcetto D’Alba, Langhe Nebbiolo, Langhe Arneis
PaísItália
AgriculturaOrgânica
VinificaçãoBaixa Intervenção

Fontes: Website da vinícola; entrevista com o produtor

Imagem: Website da vinícola

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