Ca’ del Baio: vinhos artesanais em Barbaresco

Last Updated on 7 de agosto de 2024 by Wine Fun

Barbaresco é uma das joias do vinho Italiano. Embora não tão conhecido como o vizinho Barolo, dá origem a alguns dos mais elegantes e refinados vinhos do BelPaese, trazendo uma expressão única da Nebbiolo. Dentro desta fascinante denominação de origem, vale a pena conhecer a Ca’ del Baio. É uma vinícola tradicional com longa história e linha diversificada de vinhos, permitindo conhecer diversas facetas de Barbaresco.

Criada em 1870 pela família Grasso, chega agora à sua quinta geração como viticultores e quarta com produção de vinhos. Até os anos 1980 era conhecida como Ernesto Grasso, porém, por conta da popularidade deste sobrenome no Piemonte (há várias vinícolas com o nome Grasso), Giulio Grasso decidiu mudar o nome. Nascia a Ca’ del Baio, que pode ser traduzida como “Casa do Cavalo”, uma homenagem à paixão por cavalos do pai de Giulio.

Vinhedos e variedades

A Ca’ del Baio, sediada em Freiso, possui cerca de 28 hectares de vinhedos, não utilizando uvas de terceiros.  A Nebbiolo responde por cerca de 70% desta área, com 10 hectares dedicados para a elaboração de Langhe Nebbiolo e 10 hectares para os Barbarescos. Destes últimos, chamam a atenção uma parcela de 2,5 hectares em Asili, um dos mais icônicos vinhedos de Barbaresco e a quase totalidade de Vallegrande, situado próximo a vinícola. A Ca’ del Baio conta também com parcelas nos Crus de Pora, Marcarini, Montersino, Ferrere e Trestelle.

Três outras uvas tradicionais do Piemonte têm presença: um hectare e meio de Barbera, um hectare de Dolcetto e dois hectares de Moscatel Branco. Completam a área de vinhedos duas variedades brancas: Chardonnay e Riesling. Os Grasso ficam entre os pioneiros no cultivo da tradicional variedade da Borgonha, hoje com 3 hectares. A partir de 2008 decidiram também plantar a alemã Riesling, com 1,5 hectare.

Os vinhedos têm cultivo sustentável, com certificação Green Experience. Não há uso de produtos químicos sintéticos (incluindo herbicidas), com ênfase no uso de enxofre e cobre, em linha com os conceitos da agricultura orgânica.

Vinificação e produção

Com uma linha ampla de vinhos, de forma geral a Ca’ del Baio trabalha com baixa intervenção, evitando técnicas intrusivas, tendo uso restrito de SO2 e usando leveduras indígenas sempre que possível, com exceção de safras mais difíceis. Após maceração a frio, as fermentações, com exceção dos Barbaresco Riserva, ocorrem em tanques de aço inoxidável, com controle de temperatura.

Dependendo do vinho, o envelhecimento é em tanques de inox, botti ou barricas. Em termos estilísticos, a Ca’ del Baio se define como uma vinícola que busca elaborar vinhos com “mineralidade, tensão, energia, notas umami, senso de identidade e fácil digestibilidade”.

No total, são cerca de 150 mil garrafas produzidas ao ano, o que a coloca como um produtor de pequeno a médio porte no Piemonte. Os Langhe Nebbiolo, com um média de 50 mil garrafas ao ano, respondem por cerca de um terço da produção. A seguir, vêm os Barbarescos, com aproximadamente 45 mil garrafas/ano. Chama a atenção a produção anual de Chardonnay, com cerca de 15 mil garrafas, divididas em três cuvées distintas.

Vinhos brancos

O Luna d’Agosto abre a linha de Chardonnay, um vinho mais leve e vertical, elaborado 100% em tanques de inox, de colheita mais precoce e vinhas jovens. Já o Sermine, que tem origem em vinhas mais velhas, 85% a 90% faz estágio de sete meses em barricas de carvalho, com o restante em inox. Por fim, há o Valentìne, resultando da experiência em 2013 de Valentina Grasso na Domaine de Montille, em Meursault. A fermentação natural começa em tonneaux de 500 litros, onde, após breve passagem por inox, o vinho retorna e fica um ano, com uso mais frequente de bâtonnage. O objetivo é trazer um vinho mais complexo e de maior untuosidade, nas linhas dos Chardonnays da Borgonha.

O Riesling Fré, com uma produção de cerca de 7 mil garrafas ao ano, tem origem em vinhedos de face norte no alto da colina, com solo risco em calcário. O objetivo é um vinho bem seco e com muita verticalidade. Por fim, o Moscato d’Asti, com cerca de 13.000 garrafas ao ano, é um vinho doce e frizante, bem na linha desta tradição do Piemonte.

Dolcetto, Barbera e Langhe Nebbiolo

O Dolcetto d’Alba Lodoli tem vinificação em inox e busca trazer a expressão fresca e frutada desta variedade típica da região. Já o Barbera d’Alba Paolina tem origem em diversos vinhedos, porém com alta proporção de vinhas velhas, com mais complexidade e capacidade de guarda. Na linha de maior frescor, vem o Langhe Nebbiolo Red Label, elaborado somente em inox.

Já o Langhe Nebbiolo Bricdelbaio, com origem em dois vinhedos de características distintas, tem uma proposta diferente. Com maceração de 10 a 12 dias e passagem de 10 meses em botti, seria uma espécie de Little Barbaresco, com potencial de guarda de até 10 anos.

Barbaresco Classico

A linha de Barbarescos começa com o Autinbej, elaborado desde 2014 e com origem em três vinhedos diferentes. Enquanto as uvas de Marcarini trazem mais corpo e estrutura, aquelas de Ferrere e Montercino, contribuem com elegância e frescor. Na vinificação, uvas 100% desengaçadas e maceração/fermentação de 20-25 dias em tanques de inox com temperaturas controladas.

Todas as parcelas são co-fermentadas e o vinho, com produção de cerca de 24.000 garrafas ao ano, passa 24 meses em botti de carvalho da Eslavônia, França e Áustria. Este Barbaresco Classico é um excelente cartão de entrada para esta importante parte do portfolio da Ca’ del Baio.

Barbarescos de Crus

Considerado pela vinícola como seu vinho mais representativo, o Barbaresco Vallegrande tem elaboração a partir de vinhas velhas no vinhedo de mesmo nome, que é um monopole da família Grasso. Na vinificação, 10% de cachos inteiros, 30 a 35 dias de maceração e estágio de dois anos em botti. Por conta das características de terroir, é um Barbaresco mais austero, com taninos presentes e menos sedosos, demorando mais para chegar em sua janela de consumo ideal. Produção na faixa de 12.000 garrafas ao ano.

Mais sedoso, elegante e refinado, o Barbaresco Asili tem origem neste prestigiado Cru, por muitos considerados um dos melhores de Barbaresco. Ao contrário do anterior, envelhecimento em barricas de carvalho francês. Por fim, o Barbaresco Pora é o de menor produção (apenas um barril), por conta da pequena parcela de 0,3 hectare.

Nas melhores safras, a Ca’ del Baio elabora também dois Barbaresco Riserva: Vallegrande e Asili. Ao contrário dos demais, vinificação inteiramente em carvalho. Também utilizam cerca de 10% de cachos inteiros, com passagem de pelo menos 30 meses em barris de carvalho francês e/ou botti, dependendo da safra. São vinhos mais aristocráticos, com produção média na faixa de 1.000 garrafas e que necessitam de mais tempo de adega.

Nome da VinícolaCa’ del Baio
Estabelecida1870
Website https://cadelbaio.com/
EnólogosGiulio Grasso, Paola Grasso, Valentina Grasso, Federica Grasso
UvasNebbiolo, Barbera, Dolcetto, Chardonnay, Riesling, Moscatel Branco
Área de Vinhedos28 ha
Sede da VinícolaTreiso (Piemonte)
Denominações de OrigemBarbaresco, Barbera d’Alba, Dolcetto d’Alba, Langhe Nebbiolo, Langhe Chardonnay, Langhe Riesling, Moscato d’Asti
PaísItália
AgriculturaSustentável
VinificaçãoBaixa intervenção

Fontes: Website da vinícola; entrevista com produtor

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