Last Updated on 24 de novembro de 2020 by Wine Fun
Antes de mais nada, confesso que os vinhos rosé de Eric Pfifferling e sua Domaine L’Anglore me fascinam. Trazem uma leitura muito diferente da grande maioria dos vinhos rosé, lembrando um vinho tinto leve em alguns aspectos, como textura e leve presença de taninos. Por outro lado, mostram uma acidez, mineralidade e leveza que nos remete a um branco fresco e elegante.
Este corte de Grenache, Cinsault e Aramon foi elaborado a partir de uvas provenientes de vinhedos de vinhas velhas, plantados de acordo com os princípios da agricultura orgânica em solos de calcário. Foi feito usando o método da prensa direta, ou seja, sem maceração, com a fermentação usando exclusivamente leveduras indígenas em tanques de concreto. Passou por estágio de 18 meses em foudre de carvalho.
Degustando
Talvez um dos vinhos que mais degustei nos últimos anos, refletindo a decisão de comprar uma caixa no início de 2014. Foi quando a importadora que trazia este vinho ao Brasil na época, a World Wine, decidiu liquidar todo o seu portfolio de vinhos de baixa intervenção a preços super atrativos. Com isso, pude degustar ao menos uma garrafa por ano, avaliando a sua evolução.
Com uma ou duas garrafas como exceções, sempre se mostrou um vinho incrível, uma proposta de rosé completamente fora do tradicional. De coloração cobre e baixa concentração, mostrou diversas camadas no olfativo. Uma presença marcante de hortelã foi acompanhada por notas de mamão papaia e pitanga, seguidas por uma leve salinidade e um toque de pólvora.
Na boca, um vinho de acidez elevada, muito frescor, taninos leves e uma textura muito bem definida. Esbanjando tensão e equilíbrio, um vinho sápido e com presença de ervas frescas, frutas e mineralidade no gustativo. Não mostrou qualquer sinal de evolução, uma verdadeira ducha de água fria para aqueles que acreditam que vinhos rosé e/ou de baixa intervenção não evoluem bem. Infelizmente foi a última garrafa, agora somente as safras mais recentes.
| Nome do Vinho | Chemin de la Brune |
| Safra | 2006 |
| Produtor | L’Anglore |
| Enólogo | Eric Pfifferling |
| Uvas | Grenache, Cinsault, Aramon |
| Solo | Calcário |
| Graduação Alcoólica | 13% |
| Região | Tavel (Gard) |
| Denominação | Vin de France |
| País | França |
| Agricultura | Orgânica |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
| Importador no Brasil | Não é importado |
Bo noite, tive o prazer de degustar os vinhos do Eric há alguns anos na unica feira de vinhos naturais que teve no Rio de Janeiro e, confesso, chorei com um deles. Parecia que eu estava bebendo a primavera do Botticeli, com toda sua mística, beleza e leveza.
Ola Pedro. Sou suspeito para falar sobre os vinhos dele, realmente existe algo único. Sua analogia é perfeita, são vinhos que nos fazem entender que vinho é muito mais que um simples derivado de uva