Cinco Chablis Premier Cru da safra 2021

A safra 2021 foi bastante complicada na Borgonha, com quebra da produção causada por uma forte geada que afetou os vinhedos em abril. Se do aspecto quantitativo foi catastrófica, por outro lado 2021 representou uma espécie de retorno de vinhos mais clássicos, sobretudo no caso dos brancos. E este fator se refletiu melhor em regiões como Chablis, cuja tipicidade claramente vem mudando em função do aquecimento global. Nada melhor do que comparar cinco Premiers Crus desta safra, dois deles da margem direita do rio Serein (onde ficam os Grands Crus) e três da margem esquerda, mais conhecida por vinhos mais verticais.   

Chablis 1er Cru Montmains 2021, Denis Race, 12,5%

Vinícola já na sua quarta geração, com cerca de 18 hectares de vinhedos certificados sustentáveis pela HVE. No climat Montmains, na margem esquerda, são cerca de quatro hectares, com videiras entre quatro e 45 anos de idade. Fermentação em inox, com estágio de nove a dez meses nos mesmos recipientes e engarrafamento após  filtração e colagem. Um vinho agradável, mas com menor complexidade que os demais. No visual, mostrou coloração amarelo palha, com leve halo verdeal, com um olfativo marcado por aromas cítricos e de pêssego branco. Na boca, trouxe alta acidez – um pouco mais angulosa, corpo médio, com boa presença de fruta branca e discreto dulçor residual. Chega ao Brasil pela Nova Fazendinha a R$ 250, o que faz um excelente custo-benefício.

Chablis 1er Cru Côte de Lechet 2021, Bernard Defaix, 13%

A Domaine Bernard Defaix é um dos maiores proprietários em Côte de Lechet, aplicando viticultura orgânica certificada desde 2019. Na vinificação, após colheita mecânica, vinificação com leveduras indígenas e estágio em uma combinação de 80% inox e 20% barris de carvalho. Um Chablis mais potente e com fruta mais intensa, que chamou a atenção pela textura. Coloração amarelo palha e reflexo verdeal, com um nariz trazendo notas cítricas e de frutas brancas e amarelas, com discreta madeira. No palato, alta acidez e corpo médio, um branco equilibrado e que merece mais tempo de garrafa. Tanyno, R$ 480.

Chablis 1er Cru Vaillon 2021, Domaine Christian Moreau, 13%

Elaborado a partir de cinco parcelas de cultivo orgânico certificado, somando 3,7 hectares, com colheita 100% manual. Fermentação em inox, com uso exclusivo de leveduras indígenas. Envelhecimento de 55% do vinho em tanques de inox e 45% em barricas (menos de 5% novas) por oito meses, com blend antes do engarrafamento. Um Premier Cru preciso e de muita tensão, aquele em estilo mais redutivo do painel. Coloração amarelo palha brilhante, com olfativo complexo. Destaque para os aromas cítricos (sorbet de limão), maresia e pólvora, com um toque de madeira mais evidente. No palato, um Chardonnay de acidez alta e mais corpo, com equilíbrio e elegância. Trouxe muita tensão e frescor, sem abrir mão de profundidade, com camadas e fechando com retrogosto salino. Sonoma, R$ 449.

Chablis 1er Cru Montée de Tonnerre 2021, Jean Marc Brocard, 12,5%

Jean-Marc Brocard controla mais de 200 hectares de vinhedos (próprios e arrendados) e vem passando o dia a dia da vinícola para seu filho Julien (que fez fama pelos seus vinhos próprios). Foi Julien o responsável pela introdução de princípios biodinâmicos no cultivo. Fermentação em inox com uso exclusivo de leveduras indígenas e estágio de 14 meses em barris usados, com suas lias. Um vinho que bem representa os vinhedos da margem direita do Serein, com mais estrutura e untuosidade. Mostrou coloração amarelo brilhante, com nariz esbanjando frutas brancas (maçã verde) e amarelas, com notas de pedras molhadas e discreta madeira. No gustativo, um branco de alta acidez, e corpo médio, com maior intensidade, untuosidade e densidade. Certamente precisa de tempo para mostrar seu melhor. Zahil R$ 1.065.

Chablis 1er Cru Vaulorent 2021, Domaine Nathalie & Gilles Fèvre, 13%

Nathalie Fèvre deixou seu cargo de enóloga da La Chablisienne em 2004 e criou sua vinícola própria, ao lado de seu marido Gilles. Seu vinho flagship é o Premier Cru Vaulorent, elaborado a partir de vinhas velhas (plantadas entre 1965 e 1972). Na vinificação, fermentação em tanques de inox, com estágio de 12 meses (15% em carvalho novo e 85% em inox). Mais um Premier Cru de alta gama, entre os principais destaques do painel. Coloração amarelo brilhante, com olfativo vibrante e incisivo, destacando sorbet de limão, maresia e cal. No palato, trouxe alta acidez, corpo médio e muita elegância, um vinho de boa textura (refletindo o tempo com suas lias) e complexidade, com fruta presente, salinidade e longa persistência. Cellar R$ 595.

2 Replies to “Cinco Chablis Premier Cru da safra 2021”

    1. Bom dia! Sugiro procurar no Google ou contatar diretamente a importadora. É natural que a safra anterior esgote, mas eles podem indicar quem potencialmente ainda tem algumas garrafas do 2021

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