Conheça a Biodyvin, seus princípios biodinâmicos e principais produtores

Muita gente ainda confunde vinhos orgânicos e biodinâmicos. Porém, isso é justificável, até porque existem vários pontos em comum entre eles. Mas para entender melhor estas diferenças, é preciso dar um passo atrás e conhecer melhor como é feito o processo de certificação destes vinhos, pois efetivamente um vinho somente pode ser chamado de orgânico ou biodinâmico se tiver obtido uma certificação.

Sendo a Europa o centro dos movimentos orgânicos e biodinâmicos, vale a pena entender como funcionam as certificações por lá, pois elas servem de referência para todo o mundo.  Mas há uma diferença importante. Se na certificação orgânica quem determina as regras é a própria União Europeia, no caso das biodinâmicas são as certificadoras. E aqui vamos focar em uma delas: a francesa Biodyvin.

Produtores unidos

Tudo começou com um grupo de 15 produtores biodinâmicos franceses em 1995. Eles se uniram e fundaram, de forma não oficial, o Syndicat International Des Vignerons En Culture Bio-Dynamique (SIVCBD). O objetivo era determinar um conjunto de regras que fosse menos restritivo, ao menos na parte da vinificação, que aqueles estabelecidos na época pela Demeter France, a organização pioneira na certificação da agricultura biodinâmica.

Além disso, ao contrário da Demeter, que atua em diversos ramos da agricultura, a intenção era uma associação com foco exclusivo na vinicultura. O passo seguinte foi em 1998, quando os membros julgaram essencial definir os princípios fundamentais aos quais os produtores devem aderir, para poder se descrever como um operador biodinâmico.

Certificação

A partir de 2002 a certificação passou a ser obrigatória para vinícolas membros do SIVCBD, contando com a colaboração de empresas como Ecocert (líder na certificação orgânica na França) e, também, outras certificadoras. Na época, a certificação contemplava apenas as práticas nos vinhedos, mas a partir de 2008 passou também a incluir os processos de vinificação.

A Ecocert tem um papel fundamental. Ela envia um relatório de inspeção ao sindicato, que emite, então, um certificado de agricultura biodinâmica aos membros aprovados para o ano em que a inspeção foi realizada. Todas as propriedades membros do SIVCBD são, portanto, certificadas como de agricultura orgânica por um órgão de inspeção, e recebem aprovação Biodyvin do SIVCBD após a inspeção realizada pela Ecocert.

Passos para obter a certificação

A obtenção desta certificação não é um processo simples ou rápido. A primeira etapa é uma visita prévia, seguida pela degustação, por parte de membros do SIVCBD, dos vinhos do produtor interessado em obter a certificação, para que se avalie se os vinhos têm o perfil desejado. Somente a partir destas duas etapas a vinícola pode ser aceita, como sendo em seu primeiro ano de conversão para a agricultura biodinâmica.

O período de conversão para os princípios biodinâmicos é de três anos, de forma que a certificação Biodyvin pode ser obtida no quarto ano a partir do início do processo. Porém, existem exceções, já que não existe um período de conversão exigido para vinícolas que já tenham outras certificações biodinâmicas e ele é mais curto para aquelas que já possuem certificação orgânica.

Regras para agricultura e vinificação

Na prática, as práticas agrícolas são próximas ao padrão orgânico, incluindo a proibição de fertilizantes sintéticos, pesticidas, herbicidas e fungicidas. O uso máximo permitido de outros tratamentos de vinhedos (cobre, enxofre) também fica em linha com o autorizado sob padrões orgânicos. O maior diferencial, assim, fica na utilização dos preparos biodinâmicos e no uso dos ciclos lunares e solares para a tomada de decisões nos vinhedos.

Um ponto controvertido diz respeito às práticas de vinificação. Embora o lema da Biodyvin seja “nada adicionado, nada retirado, nada alterado”, ela é considerada mais flexível que outras entidades no que diz respeito às regras de vinificação. Dependendo das condições das safras, algumas práticas como chapitalização ou acidificação podem ser aceitas, em caráter excepcional.

Também no que diz respeito aos limites de sulfitos, há controvérsias. O máximo permitido para vinhos tintos secos é de 80 mg/l, que pode subir para 110 mg/l caso ele passe por envelhecimento superior a nove meses. Para brancos e rosés, o limite é de 105 mg/l, ou de 135 mg/l para aqueles que passam pelo mesmo período de envelhecimento acima. Estas regras, em particular, são vistas como pouco rígidas para muitos produtores, inclusive aqueles que buscam enquadrar seus vinhos na classificação Vin Méthode Nature, cujo limite máximo é 30 mg/l.

Crescimento e produtores

A associação segue crescendo e, no início de 2021 contava com cerca de 175 vinícolas em toda a França, mas também com membros na Alemanha, Itália, Portugal, Espanha e Suíça. Juntos, estes produtores representavam uma área total de vinhedos perto de 4.500 hectares. No início, suas atividades estavam concentradas no Bordeaux, Borgonha e Alsácia. Produtores como Château Falfas, Domaine Dirler-Cadé, François Chidaine, Domaine Leflaive, Josmeyer, Marc Kreydenweiss e Pierre Morey figuram entre entre seus pioneiros.

Porém, ela expandiu seu número de produtores e cobertura geográfica, com destaque para produtores como Aphros Wine, Avignonesi, Champagne Fleury, Domaine Arlaud, Domaine Barmés-Buecher, Château Pontet-Canet, Domaine Bott-Geyl, Domaine des Roches Neuves, Domaine du Comte Liger-Belair, Emmanuel Giboulot, Huet, Vacheron, Zind-Humbrecht, Dr. Bürklin-Wolf, Gramona, Tissot e M. Chapoutier.

Fontes: Biodyvin, Chateau Monty

Imagem: Biodyvin

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