Conheça Gevrey-Chambertin, uma das joias da Borgonha

Last Updated on 27 de junho de 2022 by Wine Fun

Para quem gosta de qualidade e diversidade, Gevrey-Chambertin é um dos locais para olhar mais de perto na Borgonha. São cerca de 540 hectares de vinhedos plantados exclusivamente com Pinot Noir, o que a faz a maior denominação de origem da Côte D’Or em termos de vinhos tintos.

Boa parte dos vinhedos fica no vilarejo de Gevrey-Chambertin, que dá nome à denominação de origem. Uma parte menor dos vinhedos fica na commune de Brochon, que apesar de ser uma região de cultivo intensivo de uvas, não tem uma denominação de origem própria. Além de fornecer uvas para a denominação Gevrey-Chambertin, também faz o mesmo para as denominações Fixin e Côte-de-Nuits Villages.

História

A história da vinicultura na região é intrinsicamente ligada às ordens religiosas, que plantaram e cultivaram boa parte dos vinhedos e serviram como base para a definição dos diversos climats e lieux-dits. O nome Chambertin, porém, não teria relação com os monges. Segundo a lenda local, ele teria surgido para nomear as parcelas cultivadas por um tal Bertin, daí o nome de “campos de Bertin”, ou Chambertin.

Até 1847, o vilarejo que hoje dá nome à denominação era chamado era Gevrey-en-Montagne. Neste ano, porém, ganhou permissão real para mudar o seu nome, como forma de destacar seu vinhedo de maior prestígio. Como parte da classificação das principais regiões vinícolas francesas, a denominação Gevrey-Chambertin foi aprovada em 1935, com seus nove vinhedos Grand Cru ganhando este status em 1936.

Geografia e geologia

Para quem parte de Dijon em direção ao sul, a denominação Gevrey-Chambertin é uma das primeiras da Côte de Nuits. Seguindo pela D-974, fica logo após Marsannay e Fixin, a uma distância de apenas 14 quilômetros da cidade que é considerada o limite norte da Côte D’Or.  Por outro lado, a geologia de Gevrey-Chambertin é mais complexa, o que a faz uma região de vinhos de perfil heterogêneo.

Por conta da presença da Combe Lavaux, uma falha geológica, o relevo e os perfis de solo variam bastante dentro desta denominação de origem. De forma geral, ela pode ser dividida em três áreas. A área mais ampla é o cone aluvial, formado há cerca de 20.000 anos. É onde fica atualmente o vilarejo e uma parte significativa dos vinhedos classificados como Villages (cinza e verde no mapa acima, respectivamente).

A segunda zona é aquela onde ficam as parcelas a noroeste do vilarejo, já em maior altitude (280 a 350 metros) e orientação leste ou sudeste. É uma região que apresenta solos com maior proporção de calcário e concentra boa parte dos vinhedos Premier Cru (em laranja). Por fim, a terceira área começa na Combe Lavaux e segue na direção sul, em direção a Morey-Saint-Denis, com solos de calcário ricos em ferro, concentrando todos os vinhedos Grand Cru da denominação (em roxo).

Vinhedos

São cerca de 450 hectares de vinhedos, dos quais aproximadamente 360 hectares (310 na commune de Gevrey-Chambertin e os 50 restantes em Brochon) classificados como Gevrey-Chambertin Villages. Mesmo dentro desta classificação, porém, o perfil dos vinhedos varia bastante, com 69 climats diferentes garantindo uma grande diversidade de vinhos.

Dentro da classificação Premier Cru são 26 vinhedos distintos, com destaque para Le Clos Saint Jacques Les Cazetiers.  Já os nove vinhedos Grand Cru (Chambertin, Chambertin-Clos de Bèze, Charmes-Chambertin, Mazoyères-Chambertin, Chapelle-Chambertin, Griotte-Chambertin, Latricières-Chambertin, Mazis-Chambertin e Ruchottes-Chambertin) cobrem cerca de 55 hectares.

Vinhos e produtores

Por conta de tanta diversidade de terroir, é difícil definir um perfil homogêneo para os vinhos da região. Seus Grand Cru são considerados mais estruturados e com taninos mais presentes do que aqueles de Chambolle-Musigny, por exemplo, mas o perfil do produtor pode fazer toda a diferença. O mesmo pode ser dito em relação aos Premier Cru, onde o perfil de solo e orientação variam ainda mais, e aos Villages.

É uma denominação que concentra alguns dos produtores mais conceituados da Borgonha, como Armand Rousseau (que tem sua produção em Gevrey-Chambertin), além de outros nomes de peso como Leroy, Dugat-Py, Ponsot, Dugat, Fourrier, Prieuré-Roche, Trapet, Faiveley ou Louis Jadot, que também elaboram vinhos a partir de vinhedos na região.

Fontes: World Atlas of Wine, Hugh Johnson; Burgundy Report; Vins de Bourgogne; Geology and geography Gevrey-Chambertin, Vins de Bourgogne; The appelation Gevrey-Chambertin, Vins de Bourgogne

Imagem: Arquivo pessoal

Mapa: Vins de Bourgogne

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