Crise: consumo mundial de vinho cai ao menor nível desde 1961

Mais um ano de recordes negativos no que diz respeito ao consumo de vinhos. De acordo com números preliminares divulgados pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo mundial de vinhos registrou uma queda de 3,3% em 2024, para 214,2 milhões de hectolitros. Dando sequência a uma tendência ininterrupta desde 2018, este é o menor patamar visto desde 1961, com uma queda acumulada superior a 13% desde 2017.

Vários fatores contribuíram para estes números. Porém, um dado chama a atenção: a abrupta queda do consumo de vinho na China. Em 2017, o consumo chinês atingiu 17,9 milhões de hectolitros, na época colocando o país asiático como quinto maior mercado mundial. Já em 2024 a China consumiu apenas 5,5 milhões de hectolitros, após uma queda de 19,3% frente a 2023, a maior entre os principais 20 mercados mundiais. Assim, a queda de 1,3 milhão de hectolitros no consumo chinês entre 2023 e 2024 representou cerca de 16% da retração no consumo mundialno mesmo período. Se o intervalo entre 2017 e 2024 for levado em consideração, o impacto chinês responde por quase 40% do menor consumo mundial.

Outras causas

Porém, outros fatores ajudam a explicar a forte queda do consumo mundial nos últimos anos. Segundo a OIV, a pandemia de COVID-19 em 2020 exacerbou essa tendência, com as medidas de bloqueio impactando negativamente os principais mercados de vinho em todo o mundo. Em 2021, o fim das restrições relacionadas à pandemia e a reabertura do setor de hospitalidade (HoReCa) ajudou a conter a queda.

Porém, a partir de 2022, as tensões geopolíticas, particularmente o conflito na Ucrânia, e as subsequentes crises energéticas, juntamente com interrupções na cadeia de abastecimento global, resultaram em um aumento nos custos de produção e distribuição de vinho. Isso, por sua vez, levou a aumentos significativos nos preços do vinho, diminuindo a demanda. Além disso, um cenário econômico complexo caracterizado por pressões inflacionárias globais, redução do poder de compra do consumidor e novos hábitos de consumo também contribuíram.

Maiores mercados em queda

Os Estados Unidos mantiveram a posição de maior consumidor mundial de vinho, apesar de uma queda de 5,8% no consumo em 2024. Os norte-americanos fecharam o ano com 33,3 milhões de hectolitros consumidos, o equivalente a cerca de 4,4 bilhões de garrafas. Também a França, segundo maior consumidor, registrou retração (-3,6%, para 23 mhl).

Dentre os 10 maiores mercados, também registraram perdas Alemanha (quarto maior, com queda de 3,6%), Reino Unido (quinto, -1%), Argentina (nono, -1,2%) e China. Dentre do grupo de dez maiores países consumidores, somente Itália (terceiro, +0,1%), Espanha (sexto, +1,2%), Rússia (+2,4%) e Portugal (+0,5%) consumiram mais vinho em 2024.

Brasil entre os destaques negativos

Além da China, somente dois entre os vinte principais mercados consumidores de vinho do mundo mostraram quedas de dois dígitos: Brasil e Romênia. No caso brasileiro, o consumo fechou em torno de 3,1 milhões de hectolitros, uma redução de 10,1% frente a 2023. Além da precária situação da economia, pesou também a forte desvalorização do real no ano passado, encarecendo os vinhos importados. O real perdeu cerca de 22% de seus valor em 2024 frente ao dólar, o pior desempenho entre todas as moedas do G-20 e o sexto pior entre 118 moedas.

Dados para os 20 maiores consumidores

Confira na ilustração abaixo os vinte maiores consumidores de vinho em 2024. Se você está usando seu celular ou tablet e quiser ampliar a visualização, toque e solte rapidamente cada um dos círculos. Caso queira ver os dados completos de cada país, basta tocar no círculo correspondente e manter até que o pop-up com dados apareça. Se estiver usando PC, basta passar o cursor do mouse.

Imagem: Gerada via IA com Magic Media

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