Domaine Anne Gros: precisão e alta qualidade em Vosne-Romanée

Com seis denominações de origem Grand Cru e mais 15 vinhedos Premier Cru, Vosne-Romanée e sua vizinha Flagey-Echézeaux dão origem a diversos dos mais disputados vinhos tintos do mundo. E, dentre os cerca de 40 produtores que atuam e que tem suas instalações nesta área, a Domaine Anne Gros é um dos principais destaques.

Dando continuidade a uma tradição familiar de quase 200 anos na região e atualmente elaborando 10 cuvées, Anne Gros faz parte da sexta geração da família Gros. Seus vinhos ganharam espaço por sua consistência, qualidade e estilo tradicional, usando uvas provenientes de vinhedos que ficam ao máximo de 1,5 quilômetro da vinícola, garantindo agilidade e precisão.

Longa história

A história da família Gros em Vosne-Romanée começou em 1830, com a chegada de Alphonse Gros. Já seu filho Louis-Gustave foi um dos primeiros produtores na Borgonha a vender vinhos em garrafa para clientes particulares, ainda na década de 1895. Seu herdeiro Louis seguiu no comando da vinícola até sua morte em 1951, quando a propriedade foi dividida entre seus quatro filhos. A partir de três irmãos (Gustave, Colette e Jean) e seus descendentes, três vinícolas surgiram: Domaine Gros Frère et Soeur, AF Gros e Domaine Michel Gros.

Já o quarto irmão, François Gros, criou a vinícola que levava seu nome até que sua filha Anne passou ao controle (1988) e renomeou a domaine (1995). Anne assumiu a vinícola com cerca de três hectares de vinhedos e foi responsável por uma importante expansão. Além de plantar em áreas de denominações regionais e adquirir uma parcela Village em Vosne-Romanée Les Barreaux, contou com uma herança para aumentar o total para cerca de 8,5 hectares. A transição para a sétima geração já está definida, com dois dos três filhos de Anne (Julie e Paul) tendo envolvimento direto na vinícola.

Vinhedos e agricultura

De forma geral, os vinhedos, cultivados de forma sustentável, podem ser divididos em três blocos distintos. São quase cinco hectares em denominações regionais (Hautes-Côtes de Nuits e Bourgogne, recentemente desclassificadas para Côteaux Bourguignons), 1,5 hectares de vinhedos Village e pouco mais de 2 hectares de vinhedos Grand Cru. Os vinhedos das Hautes-Côtes de Nuits ficam em Concoeur, logo acima de Vosne-Romanée, enquanto as uvas dos Côteaux Bourguignons provêm de parcelas Les Champs d’Argent, Les Glapigny e Les Pasquiers, do lado leste da RN 74, entre Nuits St. Georges e Flagey-Echezeaux.

Em Chambolle-Musigny, há uma parcela de 1,10 hectare no lieut-dit La Combe d’Orveau, com boa proporção de videiras de idade superior a 40 anos. A segunda parcela classificada como Village fica em Vosne-Romanée, no lieu-dit Les Barreaux, plantada em 1903, com orientação norte.

Echézeaux abre os vinhedos Grand Cru, com uma parcela de 0,76 hectare no lieu dit Les Loachausses. Recentemente, por meio de herança, a domaine ganhou presença também em Grands Echézeaux. Por fim, há também uma parcela contínua de 0,93 hectare em Clos de Vougeout, no lieu dit Le Grand Maupertui (bem próximo a Grands Echézeaux), além da joia da coroa, uma parcela de 0,70 hectare no lieu dit Les Verroilles, em Richebourg.

Vinificação

Para os vinhos tintos, as técnicas de vinificação seguem, em linhas básicas, o modelo tradicional na Borgonha. As uvas, 100% desengaçadas, passam por fermentação usando pied de cuve em tanques de inox, com envelhecimento em barricas de carvalho. O tempo de maceração e intensidade nas técnicas de pigéage e remontage variam de acordo com a safra e cuvée. Em geral, os vinhos passam cerca de 15 meses em barricas, com a proporção de madeira nova variando de 30% a 100%.

No caso dos vinhos brancos, a fermentação começa em inox em termina em barricas de carvalho. Nestes recipientes, boa parte de barricas de segundo uso, os vinhos passam por conversão maloláctica e ficam cerca de 15 meses com suas lias. Tanto para os brancos como para os tintos, Anne Gros adota o que ela chama de sensitive winemaking, ou seja, adaptando as técnicas dependendo das condições da safra e das uvas.

Vinhos

Com uma produção de cerca de 50 mil garrafas anuais, no total são 10 vinhos produzidos anualmente, dos quais dois brancos e oito tintos. Ambos os brancos são de denominação regional (Hautes-Côtes de Nuits Cuvée Marine e Côteaux Bourguignon Blanc), assim como dois tintos (Hautes-Côtes de Nuits e Côteaux Bourguignon). São vinhos já aptos para consumo imediato, embora com boa capacidade de evolução.

Em termos de estilo, existe uma diferença interessante entre os dois Villages. O Chambolle-Musigny La Combe d’Orveau é mais frutado e floral, e pode ser consumido mais jovem, com muita elegância e delicadeza. Já o Vosne-Romanée Les Barreaux necessita de mais tempo para atingir seu ponto de consumo ideal. Vale lembrar, porém, que esta última cuvée terá sua produção interrompida por alguns anos, pois as vinhas velhas serão substituídas.

Dentre os quatro Grands Crus, Grands Echézeaux e Echézeaux são aqueles mais prontos para consumo, com taninos macios e boa presença de frutas. Clos de Vougeot é mais intenso e com maior densidade, requerendo mais tempo, enquanto Richebourg é o mais aveludado, complexo e longo, com enorme potencial de guarda.

Nome da VinícolaDomaine Anne Gros
Estabelecida1988
Website https://www.anne-gros.com/
VinhateiraAnne Gros
UvasPinot Noir, Chardonnay
Área de Vinhedos8,5 ha
Sede da VinícolaVosne-Romanée (Bourgogne Franche-Comté)
DenominaçõesRichebourg, Echézeaux, Grands Echézeaux, Clos de Vougeot,
Chambolle-Musigny, Vosne-Romanée, Hautes-Côtes de Nuits,
Côteaux Bourguignon
PaísFrança
AgriculturaSustentável
VinificaçãoConvencional

Fontes: Website da vinícola; entrevista com a produtora

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