Duas diferentes expressões dos vinhos da Eslovênia

A Eslovênia tem uma longa tradição na vinicultura e, ao contrário do que muita gente pensa, também bastante diversidade. Embora tenha obtido projeção internacional pelos seus vinhos brancos de maceração, também produz vinhos brancos não macerados e tintos, refletindo seu rico legado cultural e sua relação próxima com a Itália e a Áustria.

Em visita recente a Maribor, tive o prazer de visitar o restaurante Fudo, que além da deliciosa comida de bistrô, também é uma referência para quem gosta de vinhos de baixa intervenção. Com a ajuda da talentosa equipe, optei por provar duas expressões bastante distintas da vinicultura da Eslovênia. De um lado, um vinho laranja da região do Karst, próxima da Itália e, de outro, um tinto da Styria do sul, já próximo à Áustria. Dois belos vinhos!

Malvasija 2021, Kukanja 12%

Dejan Kukanja trabalha, sem uso de produtos químicos, pouco mais dois hectares das variedades mais típicas da região de Karst (Vitovska, Malvasia Istriana, Terran e um pouco de Moscato). Este vinho teve fermentação com uso exclusivo de leveduras indígenas e maceração de cerca de 14 dias em barris de carvalho, onde o vinho ficou cerca de 12 meses. Antes do engarrafamento, recebeu leve adição de sulfitos, sem colagem ou filtração.

Um vinho branco de maceração com muita energia e vibração, porém com mais verticalidade e sem os exageros que muitos vinhos laranjas. No visual, mostrou coloração amarelo brilhante e turbidez média, com um olfativo intenso e complexo. Destaque para os aromas de casca de laranja, melão cantaloupe, orégano seco e um toque de brisa de mar. No palato, alta acidez, corpo médio e boa densidade. Um vinho de grande intensidade aromática na boca, com muita textura, leve tanino e salinidade, inclusive no final.  

Roka Blaufränkisch 2021, Roka 13,5%

Roka é um projeto do casal irlandês Liam e Sinead Cabot, situado próximo a Kog, na região de Stajerska, no leste na Eslovênia e próximo da Áustria. Embora seja uma região dominada por uvas brancas, o casal decidiu plantar em 2013 cerca de 0,5 hectare de Blaufränkisch, chamada na região de Modra Frankinja. O cultivo é basicamente orgânico (porém evitando uso excessivo de cobre), com mínima intervenção na adega. Os cachos são 100% desengaçados e passam por fermentação natural em tinas de carvalho abertas. O vinho seguiu para barris antigos de 500 litros de carvalho da Eslavônia, onde ficou 12 meses. Antes do engarrafamento, pode receber leve adição de sulfitos, porém sem colagem ou filtração.

Uma excelente expressão da Blaufränkish, com muita fruta fresca e pureza.  Coloração rubi de média concentração, com olfativo marcado por aromas de frutas vermelhas, sobretudo cerejas vermelhas, ginja e ameixas, com discretas notas florais e de framboesa. No palato, mostrou boa acidez, corpo médio e taninos finos, com presença abundante de frutas vermelhas. Um tinto delicioso e fácil de beber, com bom balanço de boca e média persistência. Apenas 1.200 garrafas produzidas.

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