A Nova Zelândia conta com diversas regiões produtoras de vinho, embora uma delas concentre cerca de 80% da produção e 70% da área de vinhedos: Marlborough. Se nesta região a Sauvignon Blanc domina quase soberana, isso não ocorre em outras áreas do país, onde variedades alternativas desenvolvem um papel relevante. Um exemplo é Gisborne, região que até 2022 ocupava o terceiro lugar no ranking de produção entre as regiões neozelandesas.
Localizada na Ilha Norte, esta parte da Nova Zelândia teve anos difíceis recentemente. Atingida pelo ciclone Gabrielle em 2023, viu sua produção despencar nas últimas safras. Se em 2022 produziu 4% do vinho neozelandês, esta proporção caiu para 2,1% em 2024. A expectativa, porém, é que esta região, origem de alguns dos mais interessantes Chardonnay da Nova Zelândia, recupere seu espaço, já que a área plantada se manteve basicamente inalterada, mesmo após o desastre natural.
Localização e terroir
Gisborne se localiza no nordeste da Ilha Norte, com a cidade que dá nome a região distante cerca de 500 quilômetros da capital Auckland. Historicamente uma das áreas dedicadas à agricultura na Nova Zelândia, o clima da região possibilita o cultivo de outros produtos além da uva, como frutas cítricas, pêssegos, kiwis, abacates e uma grande variedade de vegetais, incluindo tomates e folhas verdes de todos os tipos.

É uma área que chama a atenção pelo seu clima. A Nova Zelândia é uma das regiões mais meridionais do mundo produzindo vinhos de alta gama, mas com condições climáticas praticamente limítrofes para a vinicultura. Gisborne é uma exceção. Desfruta de alguns dos verões mais quentes do país, com invernos amenos, por conta da influência das brisas provenientes do Oceano Pacífico. Deste modo, em contraste com boa parte da Nova Zelândia, apresenta condições ideais para variedades que não prosperam apenas em climas frios.
Um dos diferenciais como região vinícola é a ocorrência de chuvas de primavera (carga anual na faixa de 980mm) e um verão longo e seco. Em combinação com solos de boa drenagem, permite o cultivo sem necessidade de irrigação. Por conta disso, ao contrário de muitas áreas no país, a grande maioria dos vinhedos de Gisborne não é irrigada. Por conta do clima mais ameno, os vinhedos também não necessitam de aspersores suspensos para controle de geadas.
Sub-regiões
Com vinhedos se estendendo ao interior a partir da Poverty Bay, Gisborne possui diversos distritos vinícolas, que podem ser agrupados em quatro sub-regiões. Destas, três se distinguem: Ormond, Patutahi e Manutuke. Situada ao norte da cidade, onde o vale do rio se estreita nas cordilheiras de Raukumara, Ormond conta com os primeiros vinhedos cultivados na região, produzindo diversos vinhos de vinhedos único. Esta área também abriga The Golden Slope, uma escarpa de 10 km com solo superficial de calcário e que produz alguns dos melhores Chardonnay de Gisborne.

Cerca de um terço das videiras da região se localiza em Patutahi, local mais quente e distante da costa, a oeste da cidade. Com baixa pluviosidade e solos argilosos bem drenados e inclinados, esta área produz Gewürztraminer ricos, juntamente com outras variedades brancas. Já Manutuke, área costeira ao sul da cidade, tem vinhedos desde o final da década de 1890. Chardonnay é a principal variedade, cultivada em solos bem drenados e arenosos. Mais perto do rio Waipaoa, existem condições para produzir vinhos botritizados.
Vinhedos e produção
Gisborne é uma área com dedicação histórica às uvas brancas. Por muito tempo foi conhecida pela presença da variedade Gewürztraminer, porém outra uva branca francesa assumiu um papel de maior protagonismo: Chardonnay. Em uma área de cerca de 1.250 hectares quase que inteiramente dominada por uvas brancas, ela reponde por quase 45% dos vinhedos. Destaque também para Pinot Gris (288 ha, 22%) e Sauvignon Blanc (250 ha, 19%), com a Gewürztraminer atualmente respondendo por apenas 1,5% das videiras.

Em 2023 a produção total de Gisborne ficou em torno de 11 mil toneladas de uvas, cerca de 40% abaixo da média das três safras anteriores. Caso a média fosse mantida, isso colocaria Gisborne como a terceira maior produtoras de vinhos da Nova Zelândia, somente atrás de Marlborough e Hawkes’ Bay.
Vinhos e produtores
Esta região, que entrou na história da Nova Zelândia como o ponto do primeiro contato entre locais e europeus, em 1769, tem uma ampla variedade de estilos e produtores. De um lado, abriga diversas vinícolas de grande porte, inclusive com produção de vinhos a granel. Por conta disso, são relativamente poucas vinícolas na região, atualmente menos que 40. De outro, conta com alguns produtores artesanais e viticultores que buscam testar a viabilidade de novas variedades na Nova Zelândia.
Por conta deste perfil, é uma região na qual é necessário pesquisar bem sobre vinhos e produtores antes de comprar. Alguns dos nomes que contam com melhores avaliações são Spade Oak, Millton Vineyards & Winery, Matawhero Wines e Villa Maria. Esta última, vale lembrar, é uma vinícola fundada na região de Auckland, porém atualmente com vinhedos em diversas regiões da Nova Zelândia.
Fontes: NZ Wines; NZ Wine Directory; Gisborne Wines
Mapas: New Zealand Wine
Imagens: NZW.Inc.Villa.Maria