Jean Foillard: Beaujolais na sua melhor expressão

Last Updated on 20 de novembro de 2020 by Wine Fun

Talvez em poucas regiões vinícolas tradicionais do mundo um pequeno grupo de produtores conseguiu imprimir uma transformação tão profunda. Após décadas com a maioria de seus produtores focando em vinhos mais comerciais, sem grandes atrativos, o Beaujolais mudou a partir de meados da década de 1980. E um dos quatro produtores por trás desta transformação foi Jean Foillard.

Juntamente com Marcel Lapierre, Guy Breton e Jean-Paul Thévenet, Foillard formou a Gangue dos Quatro, como este grupo foi chamado pelo seu importador nos Estados Unidos, Kermit Lynch. A escolha por agricultura e vinificação de baixa intervenção, com um perfil de vinhos onde a qualidade da fruta ganha uma dimensão única, marcou a trajetória de toda a região.

História e conquistas

Foillard vem de uma família com longa tradição na vinicultura e, juntamente com sua esposa Agnès, assumiu a propriedade de seu pai em 1980. A vinícola começou suas atividades em 1981 e seguiu trabalhando de forma convencional até 1985. Foi quando, levando em consideração os ensinamentos de Jules Chauvet e de seu amigo Marcel Lapierre, passou a cultivar seus vinhedos sem uso de herbicidas e pesticidas, além de trabalhar com mínima intervenção na vinificação.

O sucesso veio rapidamente. Com boa parte de seus vinhedos situados na Côte du Py, uma das regiões mais nobres do Beaujolais, o retorno aos métodos ancestrais de agricultura e vinificação resultaram em vinhos de alta qualidade e muita expressão. Rapidamente conquistaram o mundo e serviram de base para toda uma geração de produtores na região.

Agricultura e vinhedos    

Atualmente cultiva cerca de 15 hectares de vinhedos, todos tratados de acordo com os princípios de agricultura orgânica, em três denominações distintas. A joia da coroa são os cerca de nove hectares em Côte du Py, no Morgon, com vinhas chegando a até 100 anos de idade, plantadas em solos de xisto e granito.

Foillard elabora também vinhos a partir de uma parcela de aproximadamente um hectare na denominação Fleurie, também a partir de vinhas velhas, porém plantadas em solo de calcário rosa. Os demais vinhedos ficam na denominação Beaujolais-Villages, com parcelas em Villié-Morgon, Lancié, Saint-Amour e St-Etienne-La-Varenne, geralmente em solos de granito. A única variedade cultivada é a Gamay.

Vinificação

Após colheita manual, seus vinhos passam por fermentação e maceração semi-carbônica com cachos inteiros, que dura cerca de 15 dias para o Beaujolais-Villages e aproximadamente três a quatro semanas para os Morgon e o Fleurie. Usa exclusivamente leveduras indígenas, sem aditivos durante a vinificação.

O Beaujolais Village passa por estágio em tanques de concreto por sete meses, enquanto os demais são envelhecidos em barris de carvalho usado, entre seis e nove meses. Os vinhos não passam por filtragem ou colagem e, se necessário, recebem leve adição de sulfitos antes do engarrafamento.

Vinhos

Foillard produz uma linha restrita de vinhos, com uma produção anual de cerca de 30.000 garrafas. Dentro da denominação Morgon, elabora cinco cuvées distintos: Morgon Classique, Morgon Côte du Py, Morgon Cuvée Corcelette (de videiras de 80 anos de idade em um lieu-dit de mesmo nome), Morgon 3.14 (de uma parcela de vinhas de mais de 100 anos em Côte du Py) e Morgon Les Charmes (de um lieu-dit de mesmo nome).

Completa sua linha de vinhos, todos elaborados a partir da variedade Gamay, com um cuvée na denominação Fleurie e um Beaujolais-Villages.

Nome da VinícolaJean Foillard
Estabelecida1981
Website Não tem
EnólogoJean Foillard
UvaGamay
Área de Vinhedos15 ha
RegiãoVillié Morgon (Rhone-Alpes)
DenominaçõesMorgon, Fleurie, Beaujolais-Village
PaísFrança
AgriculturaOrgânica
VinificaçãoNatural

Fontes: Kermit Lynch (seu importador nos EUA); Black Dog Wines (seu importador no Reino Unido)

Imagem: 64 Wine

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