Last Updated on 3 de fevereiro de 2025 by Wine Fun
Quem conhece vinhos italianos certamente já ouviu falar de denominações de origem como Barolo, Barbaresco, Roero ou Gavi, todas localizadas na região italiana do Piemonte. Porém, são muitas as denominações de origem desta região italiana, que se situa no noroeste do país, que não têm a mesma visibilidade ou notoriedade. Vale lembrar que o Piemonte conta com 60 denominações protegidas para vinhos, das quais 19 DOCG e 41 DOC.
Para tentar sanar este problema, os diversos Consorzi da região (que representam os produtores de cada denominação de origem) resolveram introduzir um novo conceito. Na ocasião do evento Grandi Langhe e il Piemonte del Vino, houve o lançamento do conceito de Menzione Geografica Allargata, que pode ser traduzido como Menção Geográfica Ampliada.
O que isso significa
A ideia é simples. A Menzione Geografica Allargata permitirá a inclusão opcional da menção “Piemonte” no rótulo dos vinhos de todas as denominações de origem da região. Os promotores iniciais do projeto são Piemonte Land (associação que reúne todos os consórcios de vinho do Piemonte – liderada por Francesco Monchiero), Consorzio de Barolo, Barbaresco, Alba Langhe e Dogliani (representado por Sergio Germano), e Consorzio do Roero (representado por Massimo Damonte. Também apoia a iniciativa Vitaliano Maccario, presidente do Conzorcio da Barbera d’Asti e Vini del Monferrato, que protege 14 denominações entre DOC e DOCG, incluindo a Piemonte DOC.
Por exemplo, um vinho engarrafado como Gattinara DOCG, Alta Langa DOCG ou Dogliani DOCG podem incluir em seu rótulo a expressão “Piemonte”, evidenciando a sua origem geográfica. O mesmo vale para todas as demais denominações locais, inclusive aquelas mais conhecidas, como Barolo e Barbaresco, entre outras.
Objetivos
Francesco Monchiero detalha a operacionalização do projeto. “Se é verdade que a região já possui denominações conhecidas mundialmente, outras ainda não são, e o nome Piemonte no rótulo fortalece todas”. “O caminho para alcançar esse objetivo exige um acordo de base entre todos os consórcios, o que já existe na prática. Depois, será necessário passar pelas assembleias para modificar os regulamentos.”
“Existem denominações já famosas no Piemonte vinícola, mas isso não vale para todas. A menção Piemonte é um identificador de uma região reconhecida há muitos anos por seus grandes vinhos”. “Precisamos unir forças para valorizar todas as nossas produções, e a menção Piemonte no rótulo não tira nada de ninguém, pelo contrário, acrescenta a todos, oferecendo novas oportunidades de comunicação”, acrescentou Ettore Germano.
“O Piemonte vinícola precisa se unir, e a Menzione Geografica Allargata Piemonte no rótulo é um diferencial disponível para todos, capaz de ampliar as possibilidades de comunicação e fortalecer a coesão entre as denominações. Será opcional para os produtores, mas acreditamos que muitos aderirão desde o início”, completou Massimo Damonte. “Centenas de milhares de garrafas de vinho das nossas denominações são exportadas para todo o mundo, tornando-se um veículo extraordinário de promoção do nosso território”.
Alguns números
A Menzione Geografica Allargata pode agregar ainda mais valor ao vasto patrimônio vinícola do Piemonte, que já conta com 44.471 hectares de vinhedos – quase 7% do total da Itália. A produção estimada em 2024 ultrapassou 2,25 milhões de hectolitros (quase 300 milhões de garrafas), dos quais 2,1 milhões (93%) pertencem às categorias DOC ou DOCG. O valor de produção em 2023 de € 1,2 bilhão também impressiona, dentro de um total de € 9 bilhões da Itália.
As exportações, por sua vez, alcançaram € 1,18 bilhão em 2023, representando 15% do total nacional, e os números dos primeiros dez meses de 2024 seguem a mesma tendência. De acordo com o ISTAT, o nome Piemonte no rótulo ajudará a valorizar ainda mais esse patrimônio e a impulsionar seu crescimento contínuo.
Piemonte DOC
A nova iniciativa, porém, não se ser confundida com a denominação de origem Piemonte DOC, que já existe desde 1994. Sua produção atual fica na faixa de 40 milhões de garrafas, cerca de 13% da produção total da região Piemonte. Neste caso, é uma denominação regional, porém com regras definidas para a elaboração de vinhos de diversas uvas ou estilos. Por exemplo, para vinhos brancos, eles podem tem engarrafamento, dependendo da uva utilizada, como: Piemonte Cortese, Piemonte Chardonnay, Piemonte Moscato ou Piemonte Sauvignon, além de Piemonte Bianco (quando usar duas variedades entre Cortese, Chardonnay e Sauvignon Blanc).
No caso de espumantes ou frizantes, existem as tipologias Piemonte, Piemonte Pinot Bianco, Piemonte Pinot Grigio, Piemonte Pinot Nero, Piemonte Pinot, Piemonte Pinot-Chardonnay, Piemonte Chardonnay Pinot, Piemonte Cortese, Piemonte Chardonnay, Piemonte Brachetto (todas para espumantes), além de Piemonte Rosso, Piemonte Bianco, Piemonte Rosato, Piemonte Dolcetto, Piemonte Cortese, Piemonte Chardonnay, Piemonte Barbera e Piemonte Bonarda, para frizantes.
Para os tintos, também há grande flexibilidade de escolha, como Piemonte Albarossa, Piemonte Barbera, Piemonte Dolcetto, Piemonte Freisa, Piemonte Grignolino, Piemonte Brachetto, Piemonte Bonarda, Piemonte Cabernet Sauvignon, Piemonte Merlot, Piemonte Pinot Nero, Piemonte Syrah, além de Piemonte Rosso (duas tintas entre Barbera, Dolcetto, Freisa, Bonarda, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Pinot Noir). Há também a possibilidade de engarrafar os vinhos como Piemonte Rosato, Piemonte Moscato Passito ou Piemonte Brachetto Passito (as duas últimas para vinhos apassitados).
Fontes: Consorzio di Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani; WineNews; Regione Piemonte