Pinot Meunier ou somente Meunier? A resposta para esta pergunta depende de qual parte do mundo vem a resposta. Oficialmente e nos mercados internacionais, o nome Pinot Meunier tem uso mais difundido, até para ressaltar o seu vínculo com a Pinot Noir. Porém, na área que concentra a maior parte de seus vinhedos, os locais a chamam somente de Meunier. E isso ocorre exatamente para diferenciá-la da Pinot Noir, pois estamos falando de Champagne.
Esta variedade ganhou prestígio mundial por conta de sua presença nos Champagnes produzidos na homônima região francesa. Respondendo por cerca de 31% dos vinhedos de Champagne, por muito tempo foi vista como uma espécie de uva secundária, sem a elegância da Chardonnay ou estrutura da Pinot Noir. Esta percepção, porém, está rapidamente mudando, com as qualidades desta variedade ganhando destaque, inclusive em vinhos monovarietais.
Origem e nome
A Pinot Meunier é uma mutação da Pinot Noir, da mesma forma que a Pinot Gris ou a Pinot Blanc. Vale lembrar que por ser uma uva ancestral, a Pinot Noir tem uma grande quantidade de mutações e fenótipos. Pesquisas mostraram que a Pinot Meunier é uma mutação quimérica (nas células epidérmicas) que torna as pontas e folhas dos brotos proeminentemente brancas e peludas, com cachos menores, brotação mais tardia e amadurecimento precoce.
É exatamente a coloração mais esbranquiçada das folhas que levou à escolha do nome desta variedade. Em francês, Meunier é o responsável pela produção de farinha a partir do trigo, daí a associação envolvendo a cor branca. Alguns dos nomes alternativos desta variedade, como Farineux, Farineux Noir e Morone Farinaccio também têm clara associação com a coloração da farinha.
Características
Se a coloração das folhas foi responsável pelo nome, duas outras características desta variedade explicam sua ampla presença em Champagne. Em primeiro lugar, é uma variedade de boa produtividade, adaptação aos solos locais e resistência a doenças nos vinhedos. Todavia, o que faz mesmo a diferença é seu ciclo vegetativo. É uma variedade de brotação mais tardia que a Pinot Noir e a Chardonnay, algo que faz enorme diferença em uma região fria e sujeita às geadas de primavera como Champagne.
A Pinot Meunier tem cachos pequenos e compactos, com grãos também de pequeno porte e de coloração negro-azulada. É uma variedade com excelente adaptação a solos com alto teor de calcário (como na Champagne), por conta de sua baixa sensitividade à clorose. É pouco sensível ao míldio e oídio, porém mais suscetível à traça da videira e à podridão cinzenta.
Pinot Meunier e seus vinhos
É muito mais provável você conhecer a Pinot Meunier através de um Champagne, por isso vale a pena entender com tentar diferenciá-la das demais variedades populares nesta região francesa. De forma geral, podemos dizer que esta variedade traz notas mais frutadas (geralmente associadas a frutas de caroço) no palato, com acidez mais moderada, menos estrutura e textura sedosa. Há quem afirme que não mostra um perfil tão bom de evolução como Pinot Noir ou Chardonnay, mas este é um assunto que traz muita controvérsia. Porém, poucos discordam que dá origem a vinhos que bebem muito bem quando jovens.
Seu uso em vinhos tranquilos é mais raro, concentrado sobretudo fora da França. Na Alemanha, dá origem a vinhos com notas de cerejas menos maduras, groselhas e ameixas, com alta acidez, corpo leve e sabores que remetem à Pinot Noir. Muitas vezes tem uso em cortes, como no caso dos Schillerwein produzidos na região de Württemberg.
Área plantada
Segundo dados da OIV, a área plantada de Pinot Meunier ao redor do mundo, em 2015, era de 12.939 hectares. Até pela origem desta variedade, a França segue sendo o país com maior área de vinhedos, superando 10.700 hectares, mais de 82% do total mundial. A região de Champagne responde por quase todos os vinhedos, com pequenas parcelas no Vale do Loire (sobretudo em Orléans) e Alsácia. De forma geral, a área de vinhedos está relativamente estagnada nas últimas décadas: em 1979 era de 10.570 hectares na França.
A Alemanha aparece em um distante segundo lugar, com 2.058 hectares, quase 16% do total mundial. Destes, mais de 1.600 hectares se situam na área de Württemberg, onde dá origem a vinhos tranquilos de baixa extração, voltados para rápido consumo. Há também vinhedos reportados no Reino Unido, Estados Unidos, Áustria, Suíça, República Checa, Austrália e Nova Zelândia.
Nomes alternativos
Embora boa parte de seu plantio esteja concentrado na França, onde prevalece o uso do nome Meunier, sua presença em países da Europa Central trouxe outros nomes para esta variedade. Na Alemanha, por exemplo, é frequentemente chamada de Muellerrebe ou Mullerrebe, ou de Schwarzriesling (Riesling negro). Já na Áustria há quem a chame de Blaue Postitschtraube ou Postitschtraube.
Os demais nomes, segundo o catálogo da Universidade da California – Davis, são: Auvergnat Gris, Auvernat Gris, Auvernat-Meunier, Black Cluster, Blanc Meunier, Blanche Feuille, Bourgogne Miller’s, Carpinet, Cerna Mancujk, Credinet, Farineux, Farineux Noir, Fernaise, Fresillon, Fromente, Fruher Blaue Mullerrebe, Goujeau, Gris Meunier, Miller Grape, Miller’s Burgundy, Miller’s Grape, Molinaria, Molnarszoeloe, Molnar Toke, Molnar Toke Kek, Morillon Tacone, Morone Farinaccio, Moucnik, Munier Grape, Noiren Enfarine, Noirien de Vuillapans, Noirin Entarine, Pineau Meunier, Pino Mene, Pinot Femelle, Pinot Negro, Plant de Brie, Plant Meunier, Plant Munier, Rana Modra, Rana Modra Mlinarica, Resseau, Riesling Noir, Sarpinet, Trezillon de Hongrie e Wrotham Pinot.
Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Distribution of the World´s Grapevine Varieties, OIV; PlantGrape; The Wine Press; Wines of Germany; Champagne.fr; Beyond Flavour, Nick Jackson MW; The Drinks Business