Safra 2024 na França: forte queda na produção, com grande variação regional

A safra 2023 foi desafiadora do ponto de vista de produção para alguns dos maiores produtores de vinho do mundo, como Itália e Espanha. A consequência foi a França ter assumido o topo do ranking de maior produtor mundial de vinhos, com cerca de 48 milhões de hectolitros produzidos. Este ano, porém, o cenário é bastante distinto., levando a uma provável “dança das cadeiras” no pódio da produção de vinho.

Se a Itália deve mostrar uma recuperação, sobretudo por conta do crescimento na produção do centro-sul, a França manifestará um cenário diametralmente oposto. No início de agosto, as primeiras estimativas indicavam a produção francesa entre 40 a 43 milhões de hectolitros. Porém, uma nova projeção do Ministério da Agricultura francês coloca a safra na casa de 39,3 milhões de hectolitros, 18% abaixo do valor do ano passado e 11% inferior à média de cinco anos.

Caso estas estimativas se confirmem, os dados colocariam a França atrás da Itália e da Espanha no ranking de maior produtor mundial de vinhos. Vale lembrar que a Espanha deve ter uma colheita muito melhor do que em 2023, possivelmente ultrapassando 40 milhões de hectolitros.

Clima extremo e doenças nos vinhedos

O ajuste para baixo nas estimativas nas França reflete o impacto de fenômenos climáticos extremos (geadas e cuvas de granizo) e de uma primavera chuvosa e um verão menos seco que o previsto.  A maior umidade em boa parte dos vinhedos franceses em 2024 gerou condições para um rápido aumento nas enfermidades que atacam as videiras, sobretudo coulure e míldio.

Muitos vinhedos em toda a França foram afetados pela queda de flores e bagas jovens, ou coulure, bem como uma variação no tamanho da uva, ou millerandage, todos como consequência do clima úmido e frio durante a floração. O míldio afetou a maioria das zonas produtoras, causando por vezes perdas significativas, enquanto a geada e o granizo também reduziram os volumes.

Estimativas regionais

O Jura deve ser a área mais afetada, sobretudo por conta da geada e do míldio, com uma queda de produção na faixa dos 71%, para 35 mil hectolitros. Já na região de Charentes, origem das uvas usadas na elaboração do Cognac, as perdas devem ser em torno de 35%. Estima-se que a produção do Vale do Loire caia 30%, para 2,1 milhões de hectolitros, depois que as videiras floresceram em condições frias e úmidas, com o míldio e o coulure sendo novamente os principais culpados.

Já a Borgonha e o Beaujolais produzirão juntos 2,12 milhões de hectolitros de vinho, uma queda de 25% em relação a uma colheita relativamente grande do ano passado. O míldio teve um impacto significativo, particularmente na região da Côte d’Or, enquanto doenças e granizo causaram perdas expressivas no Beaujolais. Em Champagne, as perdas devem ser na faixa de 19%, para 2,3 milhões de hectolitros.

Embora de “apenas” 10%, o recuo da produção de Bordeaux para 3,89 milhões de hectolitros é simbólico: será a menor colheita desde 2017, 19% abaixo da média de cinco anos. No sudeste, incluindo a Provença, a produção deve cair 12%, para 4,42 milhões de hectolitros, enquanto o volume de vinho da Alsácia deve ceder 13%, para 914 mil hectolitros. Em meio a tantas perdas, no Languedoc-Roussillon, a maior área de cultivo da França e que vende grande parte de sua produção a granel, a produção deve cair 4%, para 10,6 milhões de hectolitros.

Fontes: Une production viticole 2024 estimée à 39,3 millions d’hectolitres, Ministère de l’Agriculture et de la Souveraineté alimentaire; Decanter; Meininger´s International

Tabela: Ministère de l’Agriculture et de la Souveraineté alimentaire

Imagem: Gerd Altmann via Pixabay

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *