Beber Champagne é sempre uma experiência especial. Geralmente associada a comemorações e festividades, esta bebida talvez fique dentre aquelas que atraem um público mais amplo. É difícil encontrar quem não seja seduzido pelas sensações que este espumante traz, independente de idade, sexo, nacionalidade ou mesmo conhecimento sobre vinhos.
Por muitos, é uma bebida de características “femininas”, pela elegância, qualidade e capacidade de adaptação. E, curiosamente, talvez seja a bebida na qual o papel das mulheres tenha sido mais decisivo para o seu desenvolvimento e popularização. Vale a pena conhecer a história de algumas delas, as três viúvas de Champagne.
Viúva Clicquot
Se ainda existe muita disputa sobre as origens do método de elaboração do Champagne e mesmo sobre o papel desempenhado por Dom Pérignon neste processo, uma unanimidade existe: a viúva Clicquot. Filha de um barão e prefeito de Reims, Barbe-Nicole Ponsardin (1777-1866) perdeu o marido, François Clicquot, quando tinha apenas 27 anos. E tomou uma decisão ousada logo após isso: embora tenha herdado uma série de negócios em áreas distintas, resolveu focar somente na elaboração de espumantes.
Visionária, expandiu os negócios da família e adquiriu grandes áreas de vinhedos, apostando em um conceito que não era conhecido na época: o marketing. Foi a primeira a colocar a safra em seus rótulos, em 1810, lançando este conceito na região. A ela também é creditada a invenção do pupitre, a peça que permite a remuage, parte fundamental do método Champenoise de produção.
Madame Ponsardin-Clicquot foi também responsável pela conquista de novos mercados para os vinhos da Champagne. Em 1814, informada da vitória dos aliados contra Napoleão, ela enviou 10.550 garrafas para São Petersburgo. O sucesso foi tal que a vinícola não pôde cumprir com os pedidos subsequentes. O escritor Pushkin, um fã confesso, incluiu um “vinho abençoado pelos deuses” em seu romance Eugène Onegin. Até a Revolução Russa de 1917, o mercado russo seguiu sendo um grande consumidor dos vinhos da casa Clicquot.
Viúva Pommery
Após sua morte em 1858, Alexandre Pommery deixou sua esposa, Jeanne-Alexandrine (1819-1890), viúva, com duas crianças, atividades com lã e uma pequena casa de champanhe. Para aqueles que temiam o pior, porém, a viúva Pommery construiu um império. Focando somente na elaboração de Champagnes, em 20 anos a expansão dos negócios chegou a tal ponto que foi necessário construir uma nova vinícola para dar conta da demanda.
Mais do que isso, construiu uma fascinante estrutura para envelhecer seus Champagnes. Ela comprou 120 poços construídos no calcário local, os chamados crayères, cavados por soldados romanos durante sua ocupação da Gália. Unificou muitos destes poços e criou um sistema único de túneis subterrâneos, existente até hoje.

Estas adegas permitiram que ela armazenasse e envelhecesse milhares de garrafas em um ambiente de temperatura controlada (em torno de 10 °C). E, como a decisão se provou extremamente eficaz, muitas outras casas de Champanhe mais tarde seguiram seu exemplo. Foi ela também quem criou o Pommery Nature, em 1874, o primeiro Champagne Brut a ter sucesso comercial, em uma época quando os espumantes eram muito mais doces do que atualmente.
Viúva Bollinger
Lily Bollinger (1899-1977) nasceu Elisabeth Law de Lauriston-Boubers. Quando Jacques, seu marido, morreu em 1941, ela teve que tomar as rédeas da casa criada pelo avô dele. Durante o período da ocupação alemã, ela que teve que garantir a produção, apesar da falta de mão de obra e outras inúmeras dificuldades.
Ficou conhecida por supervisionar seus vinhedos conduzindo uma bicicleta e atuou como uma incansável embaixadora da marca, até 1971, quando se aposentou. Sem ela, dificilmente a Bollinger estaria dentre as mais respeitadas casa da Champagne. É autora de uma das frases que melhor representa a versatilidade e popularidade destes espumantes: “Eu bebo Champagne quando estou feliz e quando estou triste. Às vezes bebo quando estou sozinha. Quando tenho companhia, considero obrigatório beber”.
Um brinde a estas e todas as mulheres que, com seu talento e dedicação, viúvas ou não, ajudaram a construir a história do vinho.
Fontes: L’Express; Veuve Clicquot; Champagne Pommery
Imagens: Pommery, Veuve Clicquot
Amo esta champagne viúva Clicquot sempre tenho uma das melhores para mim !!!