Weingut Knoll: tradição e alta qualidade em Wachau

Muita gente conhece os vinhos da Weingut Knoll pelo seu rótulo simbólico, que traz uma imagem barroca de Santo Urbano, patrono dos viticultores e tanoeiros. Porém, apesar da originalidade do rótulo (que reproduz uma imagem pintada por Siegfried Stoitzner na década de 1950 e que está na sede da vinícola), o grande diferencial está na qualidade dos vinhos. Se a parte exterior da garrafa chama a atenção, é dentro dela que está o segredo do sucesso.

Sediada em Unterloiben, um vilarejo que faz parte do município de Dürnstein, esta vinícola familiar é um dos grandes nomes da denominação de origem Wachau. É atualmente gerida por Emmerich Knoll III, mas com participação ativa de outros membros da família e preza pela defesa das tradições de Wachau, onde atua como um dos principais porta-vozes da Vinea Wachau Nobilis Districtus. Esta associação de produtores que seguem estritas regras na elaboração de seus vinhos é uma parte fundamental por trás do sucesso de Wachau como região vitivinícola.

Santo Urbano “de gala”

História

A família Knoll chegou a Unterloiben em 1825, adquirindo uma propriedade às margens do Danúbio que também continha vinhedos. Por muitas décadas foi uma fazenda com diversas atividades além da viticultura (incluindo cultivo de grãs e animais), situação que prevaleceu até o início da década de 1960. A produção de vinho ganhou maior destaque após a Segunda Guerra Mundial, com apenas quatro hectares e produção voltada para o mercado local, sobretudo para um restaurante de posse da família.

A primeira safra comercializada fora deste restrito grupo foi 1961, já usando o rótulo que ganhou tanto destaque. O crescimento foi lento até a metade dos anos 1980, mas acabou se beneficiando do escândalo do vinho austríaco e a criação da Vinea Wachau em 1983. Na época, com 5,5 hectares e comandada por Emmerich II (pai de Emmerich III), as oportunidades começaram a aparecer para pequenos produtores. Foi a partir daí que a Weingut Knoll passou a crescer de forma mais acelerada, incluindo expansão da área de vinhedos e acesso a novos mercados. Emmerich III passou a contribuir com a família em 1996, gradualmente ganhando mais responsabilidades e hoje atuando como enólogo principal.

Vinhedos, variedades e produção

Atualmente a Weingut Knoll conta com cerca de 20 hectares de vinhedos de cultivo sustentável. Cerca de dois terços estão localizados em áreas mais planas próximas ao Danúbio, enquanto o restante está em terraços onde se encontram os vinhedos mais relevantes. Entre eles, os destaques ficam nas parcelas em vinhedos como Loibenberg, Pffafenberg e Schütt. A vinícola conta também acesso a cerca de nove hectares de vinhedos de terceiros, todos em Loibner.

Em termos de variedades, duas dominam os vinhedos: Grüner Veltliner e Riesling, cada uma delas com cerca de 45% da área plantada. O restante fica com uvas como Gelben Muskateller, Chardonnay, Pinot Gris e Traminer (nome local da Savagnin). Em termos de produção, a média anual fica na faixa de 200 mil garrafas, com a Grüner Veltliner tendo a maior participação.  

Vinificação

Sendo uma grande defensora do sistema tradicional da Vinea Wachau (que divide os vinhos em três categorias de classificação: Steinfeder, Federspiel e Smaragd), a elaboração de seus vinhos varia bastante de acordo com o estilo.  Influenciam também as características de cada safra (que varia bastante na região) e terroir dos vinhedos. Portanto, há bastante variação em termos de vinificação dependendo do vinho e safra.

Para os vinhos das categorias Steinfeld e Federspiel, a fermentação geralmente ocorre em grandes foudres adicionando leveduras, com posterior passagem para inox. Geralmente há uso de cachos inteiros, com maceração de duas a quatro horas para os Steinfeld e Federspiel e três a seis para os Smaragd. As fermentações, que duram entre sete e dez dias, são em temperaturas relativamente altas (20-24 graus para Steinfeder e Fedesrpiel e 22-27 para Smaragd). No envelhecimento, são quatro a cinco meses com suas lias para as duas primeiras categorias e nove meses para os Smaragd, geralmente com maior proporção em grandes tonéis de carvalho.

Ampla linha de vinhos

Apesar de ter produção de um vinícola de médio porte, a Weingut Knoll elabora uma grande quantidade de cuvées diferentes, boa parte delas concentradas na Grüner Veltliner e na Riesling. No entanto, nem todas são produzidas anualmente, pois dependem das condições da safra, sobretudo nos vinhos com residual de açúcar mais elevado.

Um exemplo é o de seus vinhos elaborados a partir da Traminer. Em safras específicas há o lançamento de uma versão Beerenauslese, embora regularmente o vinho tenha elaboração como Smaragd. O mesmo acontece com a Gelber Muskateller, elaborada, dependendo da safra, como Federspiel, Smaragd ou Beerenauslese. Outros vinhos elaborados com variedades que não são Grüner Veltliner ou Riesling são o Chardonnay Loibner Smaragd e o Blauburgunder Rosé Federspiel.

Vinhos com a Grüner Veltliner

A linha de vinhos desta tradicional uva autóctone austríaca começa com o Loibner Grüner Veltliner Steinfeder, elaborado a partir de diversos vinhedos próximos ao Danúbio e com colheita mais precoce, resultando em um vinho leve e delicado. Também com uvas de vários vinhedos e somente em safras excepcionais há o Grüner Veltliner Beerenauslese e o Trockenbeerenauslese, além do Grüner Veltliner Vinothekfüllung Smaragd. Este último usa uvas muito maduras, com algumas já mostrando sinais de botritis, um vinho que lembra um botritizado no olfativo, mas com palato seco, longo e salino.

São quatro vinhedos específicos dando origem a vinhos de mais alta gama. As uvas de Kreutles têm uso para a elaboração de um Federspiel e de um Smaragd, com boa intensidade e notas de especiarias, sem renunciar à tensão e verticalidade. Já o Loibenberg Smaragd usa uvas deste vinhedo de maior exposição solar, gerando um vinho mais intenso e redondo, com fruta mais madura e intensas notas de especiarias. O Schütt Smaragd provém do vinhedo que é considerado por muitos como a pérola da Weingut Knoll, certamente um dos flasgships da vinícola. Aristocrático, é intenso e complexo, com muita textura e profundidade. Por fim, há o Trum Federspiel, mais direto e vertical.

Vinhos usando a Riesling

Assim como no caso dos Grüner Veltliner, a linha de vinhos pode ser dividida entre aqueles de múltiplos vinhedos ou de parcelas específicas. Loibner Riesling Federspiel é um Orstwein, assim como o Loibner Riesling Smaragd, ambos produzidos praticamente em todas as safras. Sem a mesma frequência há também as versões Beerenauslese, Trockenbeerenauslese e Vinothekfüllung.

Já a partir de vinhedos específicos, há uma variedade de cuvées, como Kellerberg Smaragd, Loibenberg Federspiel, Loibenberg Smaragd, Schütt Smaragd, Pfaffenberg Kabinett e Pfaffenberg Selection. Estes dois últimos usam uvas deste vinhedo que fica dentro da área da denominação de origem vizinha Kremstal, portanto, não podendo ser engarrafados como Federspiel ou Smaragd.

Nome da VinícolaWeingut Knoll
EstabelecidaDécada de 1960
Website Não tem
EnólogoEmmerich Knoll III
UvasGrüner Veltliner, Riesling, Gelber Muskateller, Chardonnay, Pinot Gris, Traminer
Área de Vinhedos20 hectares
Sede da VinícolaDürnstein (Niederösterreich)
Denominação de origemWachau
PaísÁustria
AgriculturaSustentável
VinificaçãoBaixa Intervenção

Fontes: Website da vinícola; entrevista com o produtor

Imagens: arquivo pessoal

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