Alegrias para uns, tristeza para outros: as primeiras estimativas da safra 2024

O mundo do vinho vive uma crise. De um lado, projeções de menor consumo, sobretudo nos países europeus. De outro, queda também na produção, sobretudo por conta de eventos climáticos extremos relacionados ao aquecimento global.  Se 2023 foi uma safra a ser esquecida, a menor em 60 anos, 2024 não parece muito promissora. Mais do que isso, repete o padrão do ano passado, com enorme variação a nível regional.

A França, muito como resultado de uma forte queda da produção italiana, havia assumido a primeira posição no ranking de produtores de vinho em 2023, uma posição acima do seu tradicional segundo lugar. Porém, em 2024, o quadro reverteu completamente. Os franceses sofreram uma queda significativa de produção, devendo baixar para terceiro lugar, algo incomum nas últimas décadas.  

Grandes variações regionais na Europa

A safra 2024 tem sido bastante peculiar. De acordo com dados do Comité Européen des Entreprises Vins (Ceev), três dos cinco maiores produtores de vinho das Europa registrarão queda de produção em 2024. A França é o principal destaque negativo, com redução prevista de 18%, para 39,2 milhões de hectolitros, seguida por Portugal (-8,% para 6,9 mhl) e Alemanha (-2% para 8,4 mhl).

Por outro lado, a Itália deve mostrar recuperação em relação aos números desastrosos de 2023, porém fixando abaixo da média histórica. Com um aumento previsto de 7% em relação ao ano passado, a safra italiana deve fechar em torno de 41 milhões de hectolitros, recolocando a Itália no topo do ranking de produtores. Este número, porém, ainda fica quase 13% abaixo da média de cinco anos.

Outro país que mostra recuperação é a Espanha. A produção deve atingir 39,75 milhões de hectolitros, um aumento de 20% em relação aos volumes de 2023. Vale lembrar que no ano passado a queda havia sido de 14%. Apesar das difíceis condições climáticas e do aumento da incidência de doenças em algumas áreas, houve espaço para recuperação, sobretudo em regiões como Castilla la Mancha, com crescimento de cerca de 33% na produção.

Resto do mundo

De forma geral, para diversos países do Novo Mundo, 2024 marca um cenário de recuperação. Após ter colhido sua menor safra da história recente em 2023, a Argentina deve mostrar produção cerca de 27% acima este ano, para 11,2 milhões de hectolitros. Houve ganhos também na Austrália (+21% para 11,7 mhl) e África do Sul (+1% para 9,4 mhl)

Por outro lado, o Chile deve mostrar uma queda de cerca de 10%, para 9,9 milhões de hectolitros. Já a produção da Nova Zelândia fechou em 2,8 milhões de hectolitros, quase 21% inferior a 2023. Os dados para o Brasil, ainda não consolidados, preocupam. Por conta das fortes chuvas e enchentes, a elaboração de vinhos em 2024 no Rio Grande do Sul teve uma redução de 42% na comparação com 2023. Os vinhos de mesa (elaborados com uvas americanas ou híbridas) registraram redução de 40%, enquanto a produção de vinhos finos caiu 51%.

Fontes: Comité Européen des Entreprises Vins; WineNews; AgroFy News

Imagem: Gino Crescoli via Pixabay

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