A Domaine Leflaive é um dos nomes mais tradicionais da vinicultura da Borgonha, elaborando vinhos nos quatro níveis da classificação da região (Grand Cru, Premier Cru, Villages e denominações regionais). Foi uma das pioneiras na Côte d’Or a adotar os princípios da agricultura biodinâmica em seus vinhedos (desde 1989) e as joias de sua coroa são os vinhedos nas denominações de origem Montrachet, Chevalier-Montrachet e Bâtard-Montrachet (esta última com parte das parcelas na comuna de Chassagne, parte em Puligny).
O Bâtard-Montrachet Grand Cru é um de seus vinhos de maior prestígio, um dos quatro nesta categoria elaborados pela vinícola. As uvas foram provenientes de quatro parcelas (plantadas entre 1962 e 1989), duas das quais em Puligny e duas em Chassagne. Na vinificação, após colheita manual, as uvas passaram por prensagem suave e decantação por 24 horas, seguida por fermentação em barris de carvalho (dos quais 25% novos, sendo 50% Vosges, 50% Allier). O vinho passou por estágio de 12 meses em barricas, seguido por seis meses em tanques. Foi engarrafado após leve filtração.
Degustando
A expectativa era de um vinho espetacular, cotado como um dos destaques de uma degustação envolvendo alguns dos melhores vinhos brancos do mundo. Embora 2009 tenha sido uma safra relativamente quente, a mineralidade e frescor das uvas das parcelas em Puligny certamente garantiriam o equilíbrio. Mas não contávamos com uma garrafa “premiada” pela oxidação prematura, a tal premox que afetou muitos vinhos brancos da Borgonha a partir da década de 1990.
O vinho mostrou algumas características esperadas, como boa acidez, excelente textura, múltiplas camadas e profundidade, mas a oxidação prejudicou o conjunto. A premox relegou o que seria um vinho possivelmente espetacular a um Chardonnay sem vibração ou equilíbrio. Uma pena, especialmente para uma cuvée difícil de achar, já na sua janela de consumo ideal e que custa na faixa de € 500 na Europa.
A premox foi possivelmente causada por rolhas defeituosas, já que a Leflaive não está entre as vinícolas que não adicionam sulfitos aos vinhos, outra possível causa. Certamente não fomos os únicos “premiados”, já que em 2016 a Domaine Leflaive passou a usar vedantes DIAM em todos os seus vinhos.
| Nome do Vinho | Bâtard-Montrachet Grand Cru |
| Safra | 2009 |
| Produtor | Domaine Leflaive |
| Enólogo | Eric Remy |
| Uva | Chardonnay |
| Solo | Argilo-Calcário |
| Graduação Alcoólica | 13,5% |
| Sede da vinícola | Puligny-Montrachet (Bourgogne-Franche-Comté) |
| Denominação | Bâtard-Montrachet |
| País | França |
| Agricultura | Biodinâmica |
| Vinificação | Tradicional |