Dois dos mais icônicos produtores de vinhos de baixa intervenção da Borgonha trazendo diferentes expressões da safra 2023. Do ponto de vista de quantidade, foi uma safra excepcional, com volumes e rendimentos raras vezes vistos. Em termos de qualidade, os vinhos brancos parecem ter se destacado mais que os tintos, até porque a Pinot Noir tende a reagir pior aos altos rendimentos. Outro ponto que chamou a atenção foi a rápida maturação das uvas, em alguns casos prejudicando a acidez. O que esperar destes vinhos?
Bourgogne Blanc Vendangeur Masqué 2023, De Moor 13%
As uvas têm origem em duas parcelas de vinhas arrendadas de cultivo orgânico, localizadas na região de Auxerre. Após colheita manual, fermentação natural e estágio de 12 meses com suas lias em barris de carvalho usados, com engarrafamento após leve adição de sulfitos, mas sem colagem ou filtração. Olfativo intenso, com aromas de cítricos (sorbet de limão) e frutas brancas, com um palato de boa tipicidade. Mesmo em uma safra mais quente, um Chardonnay de alta acidez, corpo e densidade médios, e boa textura. Um vinho preciso, com fruta branca e cítrico bem abundante.
Bourgogne Aligoté 2023, Renaud Boyer 12%
Uvas provenientes de diversas parcelas de cultivo biodinâmico certificado (incluindo alta proporção de vinhas velhas) espalhadas entre Saint-Romain, Puligny-Montrachet e Beaune. Vinificação usando técnicas muito próximas do anterior (incluindo baixo uso de bâtonnage), porém sem adição de sulfitos. Nariz mais redutivo, com notas de pólvora, frutas brancas (maçã verde e pera) e tangerina, com um palato mais rico e denso que o anterior. Embora sem a mesma tensão, mostrou alta acidez, corpo médio e mais camadas, com bastante fruta branca (pera) e mais concentração e profundidade.