Riecine: Chianti Classico em três expressões

Gosta de vinhos da Toscana? Não deixe de conhecer os vinhos da Riecine, um dos nomes que mais me impressionaram na última Anteprima do Chianti Classico. Esta vinícola é relativamente jovem em sua fase moderna, embora seus vinhedos estejam ligados a uma tradição muito mais antiga. A propriedade aparece nos mapas da Abadia de San Lorenzo a Coltibuono desde o século XII.

Sua história recente começou em 1971, quando o inglês John Dunkley e sua esposa, Palmina, compraram 1,5 hectare junto à Badia a Coltibuono, restauraram a antiga casa de pedra e recuperaram os vinhedos. A primeira safra de Chianti Classico foi a de 1973, lançada em 1975. Em 1991, Dunkley deu um passo decisivo ao contratar Sean O’Callaghan, conhecido como Il Guercio, figura que se tornaria central no estilo dos vinhos. Após a morte de John e Palmina em 1998, a vinícola passou para a família Baumann, de Nova York, período em que O’Callaghan continuou a ampliar a reputação da Riecine.

Lana Frank assumiu a propriedade em 2011, renovou a adega, instalou tanques de cimento Nomblot e trouxe de volta o consultor Carlo Ferrini. Em 2015, Alessandro Campatelli chegou como enólogo residente e rapidamente assumiu a direção técnica. Em julho de 2024, ele comprou as ações de Lana Frank, tornando-se proprietário da Riecine, além de continuar como diretor, enólogo e responsável pela produção.

Localização e filosofia

A vinícola localiza-se em Gaiole in Chianti, uma das áreas de maior altitude do Chianti Classico, e trabalha com vinhedos conduzidos em cultivo orgânico certificado desde 2006. Na adega, a filosofia segue conceitos de baixa intervenção: fermentação natural, sem adição de leveduras selecionadas, bactérias, clarificantes ou estabilizantes químicos. As uvas, desengaçadas ou eventualmente com cachos inteiros, seguem para os tanques de concreto, onde passam por maceração pré-fermentativa a frio e podem passar por maceração carbônica parcial antes do início da fermentação alcoólica. A seguir, meus comentários sobre os últimos Chianti Classico lançados pela Riecine.

Chianti Classico Annata 2024, 13%

O Annata é um 100% Sangiovese, proveniente de vinhedos com 25 a 35 anos, situados entre 450 e 500 metros de altitude, com densidade de 5.500 a 6.000 plantas por hectare. A colheita foi manual, entre setembro e outubro de 2024, com dupla seleção. Na vinificação, fermentação em tanques de concreto Nomblot não vitrificados e maceração de 15 a 20 dias. O vinho passou 11 meses em tonneaux antigos de carvalho francês, seguidos de três meses em garrafa.  

Um vinho que evidencia o lado mais direto, fresco e vibrante da Riecine. No nariz, combina aromas intensos de cereja, notas florais e um leve toque defumado.  No palato, um Sangiovese de alta acidez, corpo médio e grande energia, com fruta envolvente e nítida, em harmonia com taninos finos e bem integrados. É um vinho fácil de beber, mas sem perder intensidade, com equilíbrio entre leveza, frescor e profundidade.  Uma safra anterior está disponível no site de seu importador no Brasil, a Italy Import, por R$ 370.

Chianti Classico Riserva 2023, 15,5%

Este Riserva tem origem nos mesmos vinhedos do anterior e vinificação semelhante, porém com envelhecimento distinto. São 24 meses em grandes barris de carvalho Grenier, seguidos por três meses em garrafa, para uma produção pouco mais de 10% do anterior, com 6.500 garrafas.  Acompanha a proposta de pureza de fruta do Annata, mas com maior tensão e complexidade aromática. O vinho traz, no olfativo, frutas vermelhas frescas, hortelã e menta, em um conjunto expressivo. No paladar, é tenso, equilibrado e cheio de energia, com alta acidez, corpo médio e taninos finos. Apesar da estrutura de Riserva, mantém um perfil elegante, fluido e delicioso, mais fácil de beber do que se poderia esperar de um vinho com mais de 15% de teor alcoólico, com precisão e persistência. R$ 755 para a safra 2021.

Chianti Classico Gran Selezione Vigna Gittori 2022, 15%

O Vigna Gittori 2022 tem origem em um vinhedo específico, Vigna Gittori, com videiras velhas de 50 anos, situado entre 450 e 500 metros de altitude. Elaborado com 100% de Sangiovese, tem rendimento mais baixo, de 40 q/ha, densidade de 4.000 plantas por hectare e primeira safra em 2019.  Fermentação em tanques de concreto Nomblot não vitrificados e maceração de 25 dias, seguidos de estágio de 24 meses em tonneaux antigos de carvalho francês, com mais seis meses em garrafa. Apenas 5.900 garrafas nesta safra.

Um vinho com expressão mais profunda e concentrada. Os aromas refletem a safra 2022 e combinam frutas vermelhas e negras, notas defumadas e um caráter mais salgado, indicando maior densidade e maturidade. Na boca, tem alta acidez, corpo médio-alto e fruta mais madura, com textura redonda e concentração evidente. Um vinho pensado para o futuro, mais ambicioso em estrutura, profundidade e persistência. R$ 1.350 para a safra de 2019 no Brasil.

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