O mundo do vinho viveu um ano complicado em 2020, com o consumo mundial fechando no nível mais baixo desde 2002. Do lado da produção, porém, houve uma certa estabilidade. A safra 2020, porém, ainda ficou um pouco abaixo da média histórica. É o que mostra o relatório com dados sobre a evolução da produção, consumo e comércio publicado pela Organização Internacional da Vinha e Vinho (OIV).
Apesar de fortes variações regionais, a produção de vinho fechou 2020 em 260 milhões de hectolitros. Isso representa uma discreta variação de 0,8% frente aos 250 milhões de hectolitros da safra anterior. Não houve mudança de posição entre os três maiores produtores (Itália, França e Espanha), que correspondem a cerca de 53% da produção mundial. Todos viram suas produções registrar crescimento.
Destaque positivos
A Espanha foi o principal destaque positivo, com um aumento de 21% de sua produção, recuperando parte das perdas do ano anterior, quando a safra havia sido 25% inferior à de 2018. Destaque também para a França, com uma safra 11% maior em 2020. Este aumento na produção dos dois países refletiu as maiores temperaturas médias na primavera e verão, levando a uma safra 2020 precoce e de grande volume.
Fora da Europa, os principais avanços ficaram na Nova Zelândia. Por conta de um aumento de 11% na sua produção de vinho, 2020 foi a maior safra de sua história. Já a África do Sul registrou aumento de 7%, com sua produção convergindo para seus níveis médios registrados antes do início da seca que fortemente impactou o país por três anos seguidos (2016, 2017 e 2018).
Destaque negativos
As maiores quedas de produção foram registradas em cinco países do Novo Mundo. Condições climáticas desfavoráveis (excesso de chuvas causadas pelo El Niño) derrubaram as produções da Argentina (10,8 mhl, -17%) e Chile (10,3 mhl, -13%). A safra 2020 foi significativamente menor do que suas médias de cinco anos (-13% e -10%, respectivamente).
Nos Estados Unidos a produção caiu 11%, sobretudo por conta dos incêndios florestais na California, enquanto a Austrália registrou queda da mesma magnitude, levando sua colheita ao menor nível da década. Já na China, a produção caiu 16%, a quarta queda anual consecutiva, colocando a produção chinesa em um patamar quase 50% inferior ao registrado em 2016.
O Brasil também registrou retração na produção, embora de menor magnitude. A queda foi de 5%, para um patamar de 1,9 milhão de hectolitros. Com a exceção da safra 2016, quando El Niño devastou a colheita, este é o menor nível de produção de vinhos registrado no Brasil desde o início do século.
Os 20 maiores produtores
Confira na ilustração abaixo os 20 maiores produtores de vinho em 2020. Se você está usando seu celular ou tablet e quiser ampliar a visualização, toque e solte rapidamente cada um dos círculos. Caso queira ver os dados completos de cada país, basta tocar no círculo correspondente e manter até que o pop-up com dados apareça. Se estiver usando PC, basta passar o cursor do mouse.