Christian Binner é um dos nomes mais emblemáticos do vinho natural da Alsácia. Desde que assumiu a domaine familiar em 2000, segue adotando princípios que vão desde a agricultura orgânica certificada até o uso de leveduras indígenas e vinhos sem colagem, filtração ou adição de sulfitos. Devido ao aquecimento global e ao forte impacto na região, optou também por lançar alguns blends de várias safras, buscando maior equilíbrio. Foi um prazer participar de um evento com sua presença em São Paulo, organizado pelo seu importador no Brasil, a Delacroix. Abaixo, minhas impressões sobre os vinhos degustados.
Riesling Salon de Bains 20/21, 14,5%
Uvas provenientes do lieu-dit Badstub, literalmente traduzido como “Casa de Banhos”. Devido às altas temperaturas da safra 2020, a Riesling não completou a fermentação e Binner optou por fazer o blend com uvas da safra seguinte. Apesar de algumas notas típicas desta variedade (cítricos, maçã verde e pera), um Riesling de grande personalidade. Palato de alta acidez e notas fenólicas, com mais matiére que boa parte dos vinhos desta variedade. R$ 290
Riesling Grand Cru Schlossberg 2019, 14%
As uvas provêm do vinhedo Schlossberg, de orientação sul, que, porém, conta com ventos noturnos frescos, o que garante um perfil de maior frescor e acidez. Com vinhas velhas de 40 a 60 anos, maceração de uma semana e fermentação natural em foudres, onde o vinho permaneceu por dois anos com com suas lias. Vibrante e muito complexo, conseguiu trazer alta acidez, muita estrutura e textura sedosa, com notas de frutas tropicais e brancas maduras, e um final salino que o torna ainda mais sedutor. R$ 495.
Kaefferkopf Grand Cru 2015, 15%
A safra 2015 permitiu o desenvolvimento de botrytis em alguns casos, como aqui (Binner estima que cerca de 30% das uvas desta cuvée apresentavam sinais). Este corte de 60% Gewürztraminer, 30% Riesling e 10% Moscatel Branco tem origem neste vinhedo com solos mais ricos, de granito decomposto, com vinificação em foudres e cerca de 24 meses com suas lias. Denso e concentrado, mostrou um olfativo complexo, com notas de frutas tropicais, florais e o inconfundível toque de botrytis. Um vinho autoral e de muita personalidade, com boa acidez, corpo médio a alto, com muita matiére e longa persistência. Já esgotou na importadora.
Si Rose 2018/19/20, 14%
Devido à variabilidade das safras na Alsácia e ao desejo de Binner em experimentar técnicas de maceração, que discutiu com produtores do Friuli, ele optou por lançar um vinho com maceração e com uso de uma solera iniciada em 2018. Neste caso, 75% das uvas (Gewürztraminer e Pinot Gris) da solera contendo 2018 e 2019, com 25% da safra 2020. Apesar do nome (que traz uma clara referência à palavra cirrose), é um vinho laranja, não rosé. Aromas de frutas tropicais, papaia, toranja, com toque especiado e discreta acidez volátil, com um palato que trouxe notas frutadas, oxidativas e salinidade. Não disponível.
Si Rose 2018/19/20/21, 14%
Após o sucesso das primeiras safras, Binner lançou novamente esta cuvée, desta vez com 20% de uvas da safra 2021, 60% de 2020 e o restante da solera. E, refletindo o maior frescor e acidez da safra 2021, o vinho ganhou vivacidade em relação ao anterior. Um corte de 65% Gewürztraminer e 35% Pinot Gris com cerca de seis meses em foudres com suas lias que chamou a atenção. Olfativo mais intenso e aromático, com mais tensão e menos fruta madura no palato, mantendo a textura crocante e final salino. R$ 345.