Champagne Roger Coulon: perfil artesanal e ótima diversidade

Last Updated on 16 de setembro de 2024 by Wine Fun

Champagne é uma região com histórico complicado no que diz respeito ao cultivo dos vinhedos. Isso melhorou nos últimos anos, com diversos produtores adotando práticas da agricultura sustentável, sobretudo com o fim do uso de pesticidas sintéticos. Porém, poucas vinícolas foram além, partindo para a certificação orgânica e uso de práticas de baixa intervenção na cantina. Entre elas, a Champagne Roger Coulon é um dos destaques.

Com longa tradição (a família conta com vinhedos próprios desde 1806), é um produtor artesanal que merece maior atenção. Roger Coulon começou a produzir espumantes com rótulo próprio a partir da década de 1960 e seus descendentes deram sequência ao seu trabalho. Agora na nona geração, partiu para um passo importante em 2019, com o início do processo de certificação dos vinhedos. O resultado acaba sendo na forma de Champagnes vibrantes e equilibrados, onde tanto a qualidade das uvas como a vinificação trazem importantes diferenciais.

Vinhedos de qualidade

No total, são cerca de 11 hectares de vinhedos, divididos em 115 parcelas diferentes. A maioria se situa em torno da sede da vinícola, em Vrigny, na Montaigne de Reims, mas cobrem também outros seis vilarejos próximos. Há também uma pequena parcela (0,3 hectare) em Chouilly, um vilarejo Grand Cru na Côte des Blancs.

Por conta desta diversidade, a Champagne Roger Coulon conta com acesso a perfis de solos distintos (além dos tradicionais solos argilo-calcários da região, possuem também parcelas em solos arenosos). Isso é fundamental para um relativo equilíbrio entre as três principais variedades plantadas em Champagne. São 40% de Pinot Meunier, 30% de Chardonnay e 30% de Pinot Noir, resultando em um portfólio bastante completo de espumantes.

Vinificação de baixa intervenção

Com uma produção média na faixa de 90 mil garrafas ao ano, a Champagne Roger Coulon se define como um produtor de baixa intervenção. Seus vinhos-base tem elaboração tanto em tanques de inox como barris de carvalho (dependendo da cuvée), porém todos com uso de leveduras indígenas na fermentação. As fermentações, sempre por parcela, são lentas, aportando uma ampla gama de sabores e aromas nos vinhos.

Estes vinhos-base ficam cerca de 10 a 11 meses em barris ou tanques de inox, na proporção média de 70% – 30%, porém variando de acordo com cada cuvée. Os vinhos não passam por filtração ou colagem. A proporção de uso de vinhos de reserva muda, e o período sur lattes (em garrafas com suas lias) de cada Champagne varia entre dois e onze anos.

No caso dos vinhos de maior guarda, são usadas rolhas de cortiça, ao invés das tampinhas usadas nos espumantes para consumo mais rápido. Uma peculiaridade é que a Champagne Roger Coulon prefere lançar seus espumantes com menos pressão, na faixa de 4,5 bars, contra os 6 bars usados pela grande maioria dos outros produtores. Isso torna seus Champagnes mais leves e elegantes.

Os três primeiros Champagnes

A Cuvée Heri-Hodie é a Champagne de maior produção, contando com cerca de 90% de Pinot Meunier proveniente de vilarejos Premier Cru na Montagne de Reims. Boa parte do vinho de reserva tem origem em uma solera pérpetua, o que acentua a sua complexidade. Este Champagne ficou cerca de três anos sur lattes, com dosage de apenas 3 gramas por litro, o que o torna um Brut Nature. Com notas intensas de frutas amarelas (pêssego, damasco), é um espumante mais adequado para aperitivos.

O L’Hommée é um blend de parcelas históricas de diferentes vilarejos, com 60% de Chardonnay e 40% de Pinor Noir. Com vinificação em barris antigos e quatro a seis anos de adega antes do lançamento, é bastante gastronômico. Já o Esprit de Vrigny utiliza uvas provenientes somente do vilarejo de Vrigny, a partir de três parcelas distintas. São partes iguais de Pinot Meunier (solos arenosos), Pinot Noir (argila) e Chardonnay (calcário). Com seis anos sur lattes e zero dosage, é seco e direto.

Blanc des Blancs, Blanc de Noirs e Rosé

O Millésime Blanc de Noirs, um corte de Pinot Noir e Pinot Meunier, usa uvas de duas parcelas. De um lado, Pinot Noir plantada nos solos calcários de Vrigny e, de outro, vinhas velhas em pé-franco de Pinot Meunier provenientes do vilarejo de Gueux. Com vinificação em tanques de inox, se mostra rico e exuberante, um dos destaques da vinícola.

O espumante de menor produção é o Les Hauts Partas Blanc de Blancs, elaborado desde 2014 a partir de uma pequena parcela em Chouilly, na Côte de Blancs. Com 100% Chardonnay e vinificação em barris de carvalho, passa cinco anos sur lattes antes do lançamento. Por fim, o Rosélie é um rosé de sangria, usando somente vinhas velhas de Pinot Meunier. Com maceração de 12 horas em inox e dois gramas de açúcar, poderia ser rotulado como um Champagne safrado. Porém, não é por conta da opção do produtor de mantê-lo apenas dois anos sur lattes, com o objetivo de preservar o frescor e trazer um caráter mais despojado e frutado.

Nome da VinícolaChampagne Roger Coulon
Estabelecida1806
Website https://www.champagnevilmart.fr/en/
EnólogoÈric Coulon
UvasChardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier
Área de Vinhedos 11 hectares
Sede da VinícolaVrigny (Marne)
Denominação de origemChampagne
PaísFrança
AgriculturaOrgânica certificada
VinificaçãoBaixa Intervenção
Importador Tanyno

Fontes: Website da vinícola; entrevista com produtor

Imagem: Champagne Vilmart

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