Cinco vinhos de Michel Lafarge

A Domaine Michel Lafarge, já na sua nona geração, é um dos mais tradicionais produtores de Volnay, senão de toda a Borgonha. A partir de 2014 assumiram um novo desafio. Decidiram expandir suas atividades e criaram a Lafarge Vial, vinícola sediada em Fleurie, no Beaujolais. Foi um prazer provar alguns dos vinhos das duas vinícolas, em evento recente organizado pela sua importadora no Brasil, a Clarets.

Todos os vinhos têm origem em vinhedos próprios de cultivo biodinâmico certificado. Na vinificação, somente técnicas de baixa intervenção, com uso exclusivo de leveduras indígenas, sem aditivos (exceção de ligeiras doses de SO2) e utilização de barricas novas restrita a 15%.

Lafarge Vial Chiroubles 2020, 13,5%

100% Gamay de duas parcelas de vinhas velhas (50-60 anos) no lieu-dit Bel-Air. 20% de cachos inteiros, com maceração tradicional (ou seja, não é carbônico) e fermentação em tanques de cimento, com 15 meses de estágio em barricas usadas. Dentre os três Crus de Beaujolais, o mais fresco e fácil de beber. Coloração rubi média, com olfativo rico, marcado por frutas vermelhas (cranberry, ameixa e cereja), com notas de especiarias e erva verdes. Na boca, alta acidez, corpo médio, taninos presentes, um vinho delicioso, picante, com muita tensão e frescor. R$ 379,80

Lafarge Vial Fleurie 2020, 13,5%

Uvas dos lieux-dits Bel Air e Sarcillon, com videiras plantadas em 1950, 1969 e anos 1970. Mesma vinificação do anterior, porém com uso também de foudres para envelhecimento. Rubi de média intensidade, com nariz mais floral, sem abrir mão das frutas vermelhas. Na comparação com anterior, um perfil similar de acidez, porém com mais complexidade e persistência. R$ 469,80.

Lafarge Vial Côte de Brouilly 2020, 13%

Uvas de vinhas velhas (plantadas em 1968) nas encostas do Mount Brouilly. 30% de cachos inteiros, com 15 meses de estágio em barricas e foudres. O mais “sério” dos três Crus de Beaujolais, aquele onde fica mais evidente o estilo borgonhês dos Lafarge. Um vinho com maior concentração de cor e fruta mais intensa, com notas também de frutas negras. No palato, fruta mais intensa, taninos elegantes e maior estrutura, com mais profundidade. R$ 469,80

Michel Lafarge Volnay Vendanges Selectionées 2018, 13%

A partir de seus vinhedos em Volnay, os Lafarge produzem dois villages, um básico e este, que inclui somente uvas (100% desengaçadas) de quatro lieux-dits logo abaixo dos vinhedos Premier Cru. Fermentação de 15 a 18 dias em concreto, com 18 meses de estágio em barricas, grande parte usadas. Coloração rubi média, com frutas vermelhas e negras (cereja e ameixa em destaque), notas florais e um toque de sottobosco. Na boca, alta acidez, taninos finos e presentes, com fruta pura, corpo médio e boa textura. Um vinho classudo, que deve ganhar com mais algum tempo em garrafa. R$ 899,40. 

Michel Lafarge Volnay 1er Cru Clos de Chênes 2018, 13%

Para muitos, o flagship de Michel Lafarge, um Pinot Noir que combina complexidade, elegância e muita precisão. Vinificação em linha com o anterior (ligeiro aumento na proporção de barricas de carvalho novo, para 15%), mas evidenciando um dos melhores terroirs de Volnay. Olfativo rico e sedutor, com frutas vermelhas mais intensas, além de notas florais (violeta), chocolate amargo e sottobosco. Na boca, além de uma incrível qualidade de fruta, trouxe uma leve nota ferrosa, com alta acidez, corpo médio e taninos finos. Um vinho que mostrou intensidade, complexidade e profundidade, mas ainda longe da sua janela de consumo ideal. R$ 2.199,60.

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