Hawke’s Bay: pioneirismo e diversidade na Nova Zelândia

Diversidade. Esta palavra é a mais adequada para definir os vinhos de Hawke’s Bay, segunda maior região vinícola da Nova Zelândia. Muitas vezes associada a tintos, sobretudo cortes bordaleses e vinhos tendo a Syrah como uva principal, esta região oferece muito mais que isso. São 10 sub-regiões diferentes, mais uma indicação geográfica, em um mosaico de vinhedos onde as uvas brancas respondem por quase 60% das videiras.

Hawke’s Bay é também o berço da viticultura da Nova Zelândia, com mais de 170 anos de história. As primeiras videiras foram plantadas por missionários franceses em 1851, dando origem à Mission Estate. Ao contrário de outras regiões neozelandesas, porém, o vinho manteve protagonismo. Foram diversas novas vinícolas nas décadas seguintes, como Te Mata Estate (1896), Vidal Estate (1905), McDonalds Winery (1897, hoje Church Road) e Glenvale Winery (1933, atualmente Esk Valley Winery).

Localização e terroir

Com quase 5.000 hectares de vinhedos, Hawke’s Bay se localiza na costa leste da Ilha Norte. Cadeias de montanhas na parte central da ilha, ventos quentes e secos de noroeste, além de baixas precipitações, fazem dela uma das áreas mais quentes e ensolaradas da Nova Zelândia. Mostra uma marcada influência marítima, que ameniza as temperaturas nos dias quentes de verão e permite uma longa estação de maturação das uvas.

Situando Hawke’s Bay

A região tem de 2.150 a 2.250 horas de sol por ano, com temperaturas máximas no verão geralmente entre 19–24°C. No inverno, a máxima diária habitual é de 10 a 15°C. Porém, existe uma significativa variação entre suas sub-regiões. As montanhas do interior e algumas cordilheiras costeiras recebem mais chuva (1.600-2.400 milímetros por ano), seguidas pelas colinas do interior e sul da Baía de Hawke (1.200-2.400 milímetros). As planícies centrais recebem de 800 a 1.200 milímetros, enquanto os vinhedos de Heretaunga costumam receber ainda menos.

São ao menos 25 tipos diferentes de solos, por conta de diversos fenômenos geológicos. Com quatro rios importantes, mostra muitas parcelas com cascalhos arredondados, areia, silte e argila. Os solos de Hawke’s Bay são fortemente influenciados por estes componentes aluviais, mas também por material eólio (soprado pelo vento) que assume a forma de cinzas vulcânicas, loess ou lodo, além da areia fina dos leitos dos rios.

Sub-regiões

Por conta da grande variedade de terroirs distintos, Hawke’s Bay conta com dez sub-regiões, mais uma indicação geográfica (IG). São elas: Esk River, Te Awanga, Heretaunga, Bridge Pa Triangle, Gimblett Gravels, Ohiti, Dartmoor Valley, Mangatahi & Crownthorpe Terraces, Havelock Hills, Tukituki Valley, além da IG Central Hawke’s Bay. Em áreas costeiras são duas sub-regiões. Esk Valley fica mais ao norte, com relevo acidentado e foco na Chardonnay. Já Te Awanga se situa mais ao sul, com vinhos brancos mais salinos e minerais. Em áreas mais montanhosas os vinhedos se dividem entre as uvas tintas (sobretudo Pinot Noir) e as brancas.

As sub-regiões e a geografia de Hawke’s Bay

No entanto, o principal cartão de visitas de Hawke’s Bay é o conjunto de sub-regiões de solos aluviais, onde se destacam Gimblett Gravels e Bridge Pa Triangle. Os cortes bordaleses e tintos com uso da Syrah predominam, gozando de grande reconhecimento internacional. Por fim, com vinhedos em altitudes de até 300 metros, os vinhedos de Central Hawke’s Bay ficam em áreas mais frias, mostrando potencial maior para Sauvignon Blanc, Pinot Gris e Pinot Noir.

Vinhedos e produção

Com uma área total de vinhedos de 4.800 hectares (a segunda maior da Nova Zelândia), é uma região com vinhedos divididos entre diversas variedades. A Chardonnay, com 1.060 hectares (22% do total) lidera, seguida de perto por Sauvignon Blanc (1.011 ha, 21%) e Merlot (975 ha, 20%). Pinot Gris (676 ha, 14%), Syrah (343 ha, 7%) e Cabernet Sauvignon (183 ha, 4%) também tem uma participação importante.

Embora na comparação com as uvas brancas, as tintas não se destaquem em termos de área plantada, ao analisar dentro do contexto dos vinhedos neozelandeses, o quadro é completamente distinto. Os vinhedos de Hawke’s Bay correspondem a 92% da área plantada com Merlot na Nova Zelândia, proporção ligeiramente menor para Cabernet Sauvignon (90%) e Syrah (77%). Em poucas palavras, é uma região onde as uvas tintas se destacam em termos relativos.

Os vinhedos de Hawke’s Bay

Em 2023 a produção total de Hawke´s Bay ficou em torno de 38,4 mil hectolitros, o que correspondia a cerca de 5,1 milhão de garrafas. Isso garantia a esta região o segundo lugar no ranking das maiores regiões da Nova Zelândia, distante da líder Marlborough, porém com um volume mais do que três vezes maior que outras áreas, como Central Otago, Gisborne, Nelson e North Canterbury.

Vinhos e produtores

Com tanta diversidade de terroir, é difícil falar em um estilo único para os vinhos de Hawke’s Bay. Seus cortes bordaleses e vinhos a partir da Syrah, sobretudo aqueles de Gimblett Gravels e Bridge Pa Triangle, são encorpados e expressivos, com excelente potencial de evolução. Além dos tintos, também os vinhos elaborados a partir da Chardonnay ganham destaque, ficando entre os melhores da Nova Zelândia.

É uma região com diversos produtores de renome, alguns deles produzindo alguns dos mais icônicos vinhos de algumas uvas na Nova Zelândia, como Te Mata, Craggy Range, Esk Valley, Trinity Hill e Church Road. Destaque também para nomes como Askerne, Sileni, Vidal, Pask, Leftfield e Elephant Hill.

Fontes: NZ Wines; NZ Wine Directory; Hawke’s Bay Wines

Mapas: New Zealand Wine

Imagens: New Zealand Winegrowers Inc,.Supernatural.Wine.jpg

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