La Caillère é um dos mais disputados cuvées da Clos du Tue-Boeuf, devendo seu nome a uma pequena parcela de 1,35 hectare de vinhedos de onde provêm as uvas de sua elaboração. Este vinhedo, com longo histórico na elaboração de vinhos de alta qualidade, faz parte da propriedade original da família Puzelat, dentro da denominação Cheverny AOC.
O vinhedo é cultivado de acordo com os princípios da agricultura orgânica desde 1996, e é favorecido pelo seu solo calcário e proximidade de bosques e florestas. As videiras de Pinot Noir (sua variedade predominante, há também uma pequena parcela de Gamay no corte) têm cerca de 40 anos de idade.
Na vinificação, um exemplo de baixa intervenção. Após colheita manual, passa por maceração e fermentação semi-carbônica com cachos inteiros em tanques abertos. Uso exclusivo de leveduras indígenas e envelhecimento por oito meses em demi-muids usados, de 400 litros, provenientes da Borgonha. O vinho não passou por filtragem, ou colagem, apenas leve adição de sulfitos antes do engarrafamento.
Degustando
Os vinhos de Thierry Puzelat são, muitas vezes, controvertidos. Eu, pessoalmente, já tive experiências sublimes e, em outras ocasiões, muito frustrantes. Por exemplo, degustei um exemplar da safra 2014 deste mesmo cuvée, que estava claramente comprometido por excesso de acidez volátil. Felizmente, não foi o caso desta vez.
No visual, mostrou um granada com baixa concentração, uma coloração que lembraria mais um Poulsard do Jura do que um Pinot Noir. No olfativo, mostrou uma explosão de aromas, com notas intensas de pitanga, especiarias doces, morangos e cerejas azedos, canela, um leve toque herbáceo e uma pitada de acidez volátil, porém dentro do que considerado uma qualidade, não um defeito.
Na boca, um vinho leve e elegante, com acidez elevada, corpo médio e taninos comportados. Muito picante e fresco no gustativo, porém tendendo mais para um vinho austero do que frutado. Uma experiência muito positiva, que evidenciou o imenso potencial dos vinhos da Clos du Tue-Boeuf. Apenas a lamentar que este padrão não se mantenha em todas as safras. Este cuvée era importado para o Brasil pela WorldWine, mas não há mais menção dos vinhos de Puzelat serem trazidos ao Brasil. Na Europa, custava em torno de € 26 em dezembro de 2020
| Nome do Vinho | La Caillère |
| Safra | 2011 |
| Produtor | Clos du Tue-Boeuf |
| Enólogo | Thierry Puzelat |
| Uva | Pinot Noir, Gamay |
| Solo | Calcário |
| Graduação Alcoólica | 11,5% |
| Região | Les Montils (Loir-et-Cher) |
| Denominação | Cheverny |
| País | França |
| Agricultura | Orgânica |
| Vinificação | Natural |
| Importador no Brasil | Não é mais importado |