Last Updated on 10 de junho de 2022 by Wine Fun
Inovação e crescimento acelerado. A Niepoort, sobretudo por conta de Dirk Niepoort, que assumiu controle da empresa em 2005, pode ser considerada como um dos principais pilares por trás das transformações na vinicultura da região do Douro nas últimas décadas. E estas transformações foram em diversos sentidos.
Dirk faz parte do grupo chamado Douro Boys, que, a partir de meados da década de 2000, revolucionou a vinicultura no Douro. Se antes a região era conhecida quase que exclusivamente pelos Vinhos do Porto, foram estes produtores que deram partida a uma radical mudança de perfil. Vinhos tintos e brancos de mesa de alta qualidade ganharam um espaço de destaque.
A Niepoort também inovou em outros sentidos. Cresceu seus negócios no Douro, mas também se expandiu para o Dão, a Bairrada e a região do Vinho Verde, buscando novos terroirs e propostas. Nos últimos anos, tem mudado também internamente, reduzindo a intervenção em seus vinhos e convertendo seus vinhedos para agricultura orgânica, com princípios biodinâmicos.
O começo da transformação
A história da Niepoort começa em 1842, quando Franciscus Marius Niepoort, tataravô de Dirk, fundou a empresa. Por muitas décadas, o negócio da família se focou na comercialização de Vinhos do Porto, adquirindo uvas de produtores locais, fazendo o blend e distribuindo para diversos mercados.
Este cenário começou a mudar em 1987, quando Rolf, o pai de Dirk, decidiu investir na aquisição de vinhas próprias, começando com uma propriedade de 30 hectares, chamada Quinta de Nápoles. Um ano depois, veio a Quinta do Carrill, ambas ainda com foco na elaboração de Vinhos do Porto.
A primeira experiência com vinhos de mesa foi o Robustus 1990, o primeiro vinho de Dirk. Foi elaborado com as variedades Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela, plantadas em um vinhedo na Quinta do Carril (hoje utilizado para o Batuta). Com uma boa recepção, abriu o caminho para outras incursões, como Redoma, que foi a primeira linha de vinhos de mesa comercializada pela Niepoort.
A partir deste ponto, a Niepoort começou a trabalhar com diversas linhas distintas, como Charme (vinhos mais finos e elegantes), Batuta (mais encorpados), Vertente, Tiara e outros, todos eles a partir de suas videiras no Douro.
Expansão
A etapa seguinte foi a de expansão para outras regiões, fechando inicialmente o que Dirk chamou de triângulo de solos distintos: xisto no Douro, calcário na Bairrada e granito no Dão. A entrada na Bairrada se deu pela aquisição da Quinta do Baixo em 2012, enquanto no Dão foi nos anos seguintes, com a consolidação da Quinta da Lomba.
Chegaram também à região dos Vinhos Verdes, com a primeira safra sendo vinificada em 2015, com foco na elaboração de vinhos brancos. A Niepoort se envolve também em diversos projetos paralelos, alguns dos quais até fora do mundo do vinho. Um dos destaques é a cultura de chá, um dos grandes focos recentes de investimentos da empresa.
Vinhedos e produção
A Niepoort possui cerca de 62 hectares de vinhedos próprios no Douro, usados tanto para a elaboração de vinhos tintos como do Porto, mas também compram uvas de terceiros na região para os brancos e, também, para os Vinhos do Porto. Os vinhedos do Douro foram convertidos para a agricultura orgânica (certificação em 2012), com uso de princípios biodinâmicos. Os vinhedos na Bairrada, de cerca de 12 hectares, e Dão (25 hectares) também são orgânicos.
A produção total da Niepoort fica na faixa de 2 milhões de garrafas ao ano, dos quais entre 25% e 30% de Vinhos do Porto e o restante de mesa, sendo 80% tintos e 20% brancos.
Vinificação e vinhos
Nos últimos anos, a Niepoort tem buscado adotar técnicas de menor intervenção na vinificação, com objetivo de elaborar vinhos mais elegantes e frescos. Por conta de sua grande variedade de cuvées e estilos, porém, adotam uma grande quantidade de processos diferentes de vinificação, desde distintos recipientes de fermentação ou envelhecimento, até práticas na adega.
Os vinhos podem ser divididos em dois grandes grupos: os Vinhos do Porto e os vinhos de mesa. Além dos tradicionais Vintage, Colheita, LBV, Tawny, Ruby, Ruby Reserva e White, são elaborados mais de 25 diferentes cuvées de Vinhos do Porto, desde edições especiais até vinhos elaborados a partir de vinhedos ou parcelas específicas.
A linha de vinhos de mesa é bastante extensa. Começa pelos tradicionais tintos do Douro, Dão e Bairrada, elaborados com as uvas representativas das respectivas regiões, até espumantes, pét-nats, passando por cuvées a partir de variedades estrangeiras, como Riesling, Syrah e Merlot. Segundo as informações do site da Niepoort, são mais de 40 cuvées distintos, isso sem incluir a linha Projectos, que inclui experiências e parcerias com outros produtores.
| Nome da Vinícola | Niepoort |
| Estabelecida | 1842 |
| Website | https://www.niepoort-vinhos.com/pt/ |
| Enólogo | Dirk Niepoort |
| Uvas | Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Sousão, Touriga Nacional, Tinto Cão, Rabigato, Códega do Larinho, Viosinho, Donzelinho, Gouveio, Baga, Jaen, Bastardo, Bical, Cercial, Maria Gomes, Borrado das Moscas, Rabo de Ovelha, Códega, Alvarinho, Loureiro, Arinto, Avesso, Trajadura, Moscatel Galego, Riesling, Syrah, Merlot |
| Área de Vinhedos | 105 ha |
| Região | Vila Nova de Gaia (Douro) |
| Denominações | Douro, Vinho do Porto, Bairrada, Dão, Minho, Vinhos Verdes |
| País | Portugal |
| Agricultura | Orgânica |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
Fontes: Website da vinícola; Grandes Escolhas; Wine Anorak