Os preços dos imóveis subiram muito nos últimos anos. Porém, em alguns locais já parecem mostrar sinais de terem atingido um patamar visto por muitos como excessivo. E o mesmo parece ter ocorrido com o preço dos vinhedos. Algumas das regiões e denominações de origem de maior prestígio na produção de vinhos finos viram uma verdadeira explosão no preço dos vinhedos nos últimos anos. Em algumas, todavia, já existem sinais de estagnação ou mesmo retração.
Um relatório recente publicado pelo grupo imobiliário britânico Knight Frank traz uma interessante fotografia do preço dos vinhedos em algumas das principais regiões produtoras de vinho do mundo. Além disso, o Wealth Report 2025 mostra também a evolução do custo dos vinhedos em relação a 2023. São 21 regiões, distribuídas por 10 países diferentes.
As áreas mais valorizadas
Os dados da Knight Frank trazem algumas surpresas. Com preço médio por hectare de US$ 2,08 milhões, a região de Barolo aparece como a mais cara dentre as áreas pesquisadas. A seguir e sempre acima de US$ 1 milhão por hectares vêm Margaux (em Bordeaux, US$ 1,25 milhão por hectare), Rutherford (Napa Valley, US$ 1,2 milhão), Côtes de Nuits (Borgonha, US$ 1,09 milhão) e Champagne (US$ 1,04 milhão). Chama atenção os preços “baixos” para as duas últimas regiões, geralmente vistas como as mais caras da França.
É difícil explicar isso. Porém, como este indicador inclui transações efetivas, é possível que não tenha havido transações relevantes nestas duas áreas para vinhedos mais caros, como aqueles Grand Cru ou Premier Cru. Além destas regiões, somente duas outras áreas apresentam preços não tão distantes da marca de US$ 1 milhão por hectare. As italianas Brunello di Montalcino (US$ 910 mil) e Bolgheri (US$ 810 mil) fecham a lista das regiões mais caras.
Existe um enorme diferencial em relação às demais. Na sequência aparecem Los Carneros (California, US$ 290 mil), North Fork (Long Island, próximo a Nova York, US$ 250 mil), Chianti Classico (US$ 180 mil), Essex (US$ 120 mil), Kent & Sussex (US$ 110 mil) – as duas últimas no sul da Inglaterra, Marlborough (Nova Zelândia, US$ 100 mil) e Côte de Provence (US$ 100 mil). Abaixo da marca de US$ 100 mil por hectare, o relatório inclui Loire (US$ 90 mil), Stellenbosch (África do Sul, US$ 80 mil), Rioja (Espanha, US$ 80 mil) Vale de Colchagua (Chile, US$ 70 mil), Barossa Valley (Austrália, US$ 60 mil), Mendoza (Argentina, US$ 40 mil) e Côtes du Rhône (US$ 30 mil).
Variação de preços
Com algumas exceções, a evolução dos preços dos vinhedos parece acompanhar a demanda pelos vinhos que dão origem. A maior queda de valor foi registrada em Marlborough, com uma variação negativa de 33% em relação ao nível recorde de 2023. Mesmo com um mercado firme para vinhos brancos a nível mundial, altos estoques prejudicaram esta região da Nova Zelândia. A consequência foi a queda de quase 60% no preço dos vinhos a granel. Boa parte das demais retrações de preços ocorreu em regiões com foco em vinhos tintos, como Barrosa Valley (-10%), Côtes du Rhône (-10%) e Margaux (-4%).
Por sua vez, o maior interesse dos consumidores por vinhos brancos, rosés e espumantes serviu como estímulo para os preços em áreas como Essex (+20%), Loire (+5%) e Champagne (+2%). Diversas regiões com muita tradição em vinhos tintos, por sua vez, não mostraram variação de preços. Mas isso não significa equilíbrio entre vendedores e compradores, mas sim falta de negócios. Em Colchagua, por exemplo, alguns viticultores optaram por plantas cerejeiras no lugar de vinhedos. Já em Mendoza, a troca foi de vinhedos por plantações de alho e outros vegetais.
Fonte: The Wealth Report 2025. Knight Frank
Imagem: Gerada via IA com Magic Media