Quatro Champagnes: Pierre Paillard e Eric Rodez

Last Updated on 20 de março de 2025 by Wine Fun

Foi um prazer participar da abertura da temporada de Champagne do Praça São Lourenço, organizada por Fernanda Fonseca. Foram dez Champagnes de pequenos produtores, todos de importação exclusiva da Tanyno. Foco aqui em dois produtores, com quatro vinhos degustados.

Champagne Pierre Paillard

Sediada no vilarejo Grand Cru de Bouzy, na Montagne de Reims, a Maison Pailllard tem tradição de cerca de 200 anos. Hoje tem no comando os irmãos Antoine e Quentin Paillard, parte da oitava geração de viticultores. São cerca de 14 hectares de vinhedos (dos quais 10,7 hectares em Bouzy), com cultivo sustentável.

O Les Parcelles NV XIX conta de 80% Pinot Noir e 20% Chardonnay. Com 12% de álcool, este vinho é um Non Vintage, mas com grande proporção de uvas de 2019 (somente 20% de vinhos de reserva). Na vinificação, fermentação em barricas de carvalho e 36 meses sur lattes, com dosage de dois gramas por litro. Já havia degustado a versão XVIII na Europa anteriormente e aqui voltou a ser uma experiência agradável. Olfativo delicado, com aromas cítricos (tangerina), ervas verdes e frutas vermelhas, além de notas discretas de brioche. O palato se mostrou mais autolítico e com ótima tipicidade para um Champagne onde a Pinot Noir predomina, mantendo o toque cítrico, com mousse e textura finas. Boa presença de fruta e equilíbrio para o vinho de entrada do produtor. R$ 679.

Já o Les Terres Roses NV, também com 12%, é um assemblage de 70% Chardonnay e 30% de Pinot Noir (dos quais 5% na forma de vinho tranquilo Coteaux Champenois Bouzy Rouge). Mesma vinificação e dosage do anterior. O olfativo mostrou mais “pegada” de vinho tranquilo, com fruta vermelha (morango e framboesa) e menos autolítico. Já o palato foi intenso e frutado, trazendo boa estrutura, muita vivacidade e final salino. Delicioso. R$ 950.

Champagne Rodez

A família Rodez vem elaborando Champagnes próprios há séculos, com tradição desde 1757. Porém, foi Eric Rodez, após uma longa experiência como enólogo na Krug, quem colocou a vinícola no patamar atual. Os vinhedos receberam certificação orgânica em 2012 e biodinâmica em 2015 e, na adega, Eric (atualmente sucedido por seu filho Mickaël) opta por vinificações com uso elevado de vinhos de reserva.

A Cuvée des Crayères, com 12% de teor alcoólico, é um corte de 60% Pinot Noir e 40% Chardonnay, com o vinho base passando por fermentação natural em barricas de carvalho (vasta maioria) e tanques de inox, além de quatro a cinco anos sur lattes. Olfativo cítrico e trazendo aromas intensos de frutas brancas (pera e maçã) e de caroço (nectarina), com notas de brioche. Já a boca mostrou uma explosão de frutas, com mousse fina, mais textura, trazendo também discreto toque de cedro. Equilibrado e vibrante, um Champagne sedutor, com preço de R$ 908.

Já o Blanc de Noirs, um monovarietal de Pinot Noir com 90% de vinificação em barricas, 12% de álcool e quatro anos sur lattes, mostrou um estilo bem diferente. Talvez como resultado da decisão de não passar cerca de 70% do vinho base por conversão maloláctica, se mostrou mais austero e vertical, um Champagne “mais sério”. Olfativo com aromas de frutas vermelhas e brancas, além de discreto toque de ervas verdes e poucas notas autolíticas. Palato bem complexo e profundo, com mousse fina e muita elegância. Um belo vinho, que merece mais tempo de adega. R$ 1.105.

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