Last Updated on 6 de março de 2021 by Wine Fun
Boa parte dos vinhos consumidos no mundo é elaborada em relativamente poucos países. Existe um grupo de grandes produtores, com os líderes Itália, França e Espanha, seguido por um grupo intermediário, composto por Estados Unidos, Austrália, Argentina, Chile, África do Sul, Alemanha, China e Portugal. Por fim, fechando os vinte maiores produtores aparecem diversos países europeus, juntamente com a Nova Zelândia e o Brasil, que fechou 2019 como o 18º maior produtor mundial.
Apesar da grande distância geográfica entre alguns destes países, todos eles dividem um ponto comum. A maior parte de sua produção fica entre as latitudes 30 e 50 graus, seja no Hemisfério Norte como Sul. Esta faixa é onde a Vitis vinifera, que é a base de todas principais variedades (como Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Tempranillo e etc), atinge as condições ideias de maturação, para que suas uvas sejam usadas na elaboração de vinhos de qualidade.

Mais norte do que sul
A distribuição de terras nesta faixa é bastante diferente entre os dois hemisférios, com o volume de terras disponíveis sendo muito maior no Hemisfério Norte. Os números mostram isso. Considerando os 20 maiores produtores, cerca de 80% do vinho produzido no mundo vem do Hemisfério Norte. Por outro lado, dos 20 maiores produtores vinho do mundo, apenas seis são localizados no Hemisfério Sul.
Já no Hemisfério Norte, não são os poucos os países que têm quase todo o seu território dentro desta faixa. Isso ajuda a explicar por que alguns países, como Itália, Espanha, Portugal e mesmo França, mostrem uma produção significativa de vinhos em quase todas as suas regiões. E o mesmo vale para o berço da vinicultura, a Georgia, que é situada em torno da latitude 42 graus, quase no meio da faixa de produção ótima.
Mudanças a vista?
Por muitos séculos, esta foi a faixa onde a Vitis vinifera encontrou melhores conduções para gerar uvas de qualidade, das quais vem sendo elaborados os melhores vinhos do mundo. Mas isso pode estar mudando. Por conta do aquecimento global, algumas áreas fora desta faixa já começam a ser consideradas para a produção de vinhos de qualidade.
Por exemplo, a produção de espumantes no sul da Inglaterra já começa a atrair grandes nomes do setor. Já existe também produção de vinhos em locais anteriormente considerados impossíveis, como Canadá, Dinamarca, Polônia e o norte da Alemanha. Se o ritmo atual de aumento das temperaturas continuar, é possível que o mapa da viticultura possa mudar de forma significativa nos próximos 50 anos.
Latitude versus altitude
Se muitos produtores já começam a olhar para áreas em latitudes maiores, há também um outro elemento que deve ser levado em conta: a altitude. A América do Sul é um ótimo exemplo, com vinhedos em altitudes maiores começando a dar excelentes resultados, sobretudo em áreas selecionadas do Chile e da Argentina.
Mesmo no Brasil, também por conta de técnicas como poda reversa, a produção de vinhos de qualidade começa a ganhar importância em regiões fora desta faixa, como Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. Há exemplos também de vinhos de qualidade elaborados em países como Peru ou Bolívia, novamente por conta da altitude dos vinhedos.
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