Em 2008 Raphaël Saint-Cyr passou administrar a vinícola familiar, situada no sul do Beaujolais, mas também com parcelas em algumas das denominações de origem mais prestigiadas da região, como Chénas, Morgon e Moulin-à-Vent. Gradualmente converteu os vinhedos para cultivo orgânico e biodinâmico, elaborando vinhos naturais desde 2016. Neste post, o foco está em três vinhos brancos, lembrando que os tintos representam cerca de 85% da produção.
Beaujolais Blanc Les Gallong 2023
Monovarietal de Chardonnay, com uvas do sul do Beaujolais, provenientes de vinhedos de solos argilo-calcários. Na vinificação, fermentação com leveduras indígenas em tanques de inox, com maloláctica completa. Estágio em foudres e cubas de cimento 18 meses, sem filtração ou adição de sulfitos. Este é o branco de entrada e de maior produção, um vin de soif com foco no frescor e drinkability. Olfativo em estilo redutivo, com notas de frutas brancas, mostrando um palato de alta acidez e muita tensão.
Beaujolais Terroir de Lachassagne 2022
Também engarrafado como Beaujolais Blanc e elaborado com uvas provenientes do sul do Beaujolais, porém com origem em uma parcela específica. São vinhas velhas (70 anos de idade) da parcela Lachassagne, de exposição oeste e com solos de margas. Vinificação com prensagem direta, sem débourbage e fermentação natural em barris. O vinho fez estágio de 24 meses em barricas usadas com suas lias, sem adição de sulfitos ou filtração. Um Chardonnay de alta gama, com nariz rico e intenso, marcado por frutas de caroço (pêssego branco), maçã, notas minerais e brioche, com leve toque de ervas. No palato, lembrou os grandes brancos do Jura, combinando alta acidez e mais densidade, com corpo médio, profundidade e final muito longo e levemente salino. Um vinho especial.
Sauvage 2022, Sauvignon Blanc
Em uma região conhecida pela Gamay, e, em menor escala, pela Chardonnay, um experimento interessante. Engarrafado como Vin de France, este é um monovarietal de Sauvignon Blanc, com vinificação muito próxima ao anterior. Pense no “inverso” de um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia, aqui as frutas tropicais e linearidade perdem espaço para uma combinação de maior concentração, textura e tensão. Mais untuoso e rico no palato, com muita profundidade e matière, uma expressão fascinante desta variedade tão injustiçada por muita gente.
Os vinhos da Domaine Saint-Cyr chegam ao Brasil pela Cellar Vinhos.
Parabéns pelo conteúdo!!
Obrigado!