A Delacroix inaugurou sua nova sede em São Paulo, que além de loja, funcionará também como winebar e bistrô, uma excelente alternativa para quem gosta de vinhos e do charme da cultura francesa. No evento, foram apresentados alguns dos vinhos da última importação e o foco desta matéria fica nos brancos, com cinco opções de custo bastante acessível.
Cruet 2023, Domaine de L’Idylle 12,5%
A Savoie, que fica na região alpina da França, é uma região que tem colhido alguns benefícios do aquecimento global. Neste caso, um agosto bastante quente favoreceu a safra 2023, considerando que o vinhedo de origem deste vinho, de agricultura sustentável (certificação HVE), fica em encostas rochosas dos Alpes. Na adega, fermentação natural prolongada a frio em inox, com maturação com suas lias. Já havia provado outras safras, com vinhos um pouco magros, não foi o caso aqui. Um vinho fresco e elegante, com textura que lembrou um Muscadet Sur Lie. Nariz com frutas brancas (pera e maçã), brioche, floral, trazendo no palato boa acidez, corpo médio a baixo e notas de autólise, um excelente custo-benefício a R$ 176.
Saint-Bris 2023, Domaine Clotilde Davenne 12,5%
Saint-Bris, que fica próxima e divide os solos kimmeridgianos com Chablis é a única denominação de origem da Borgonha com foco exclusivo na Sauvignon Blanc. Neste caso, as uvas provêm de um vinhedo de cultivo orgânico plantado nos anos 1990. Na vinificação, fermentações alcoólica e malolática espontâneas, com oito a doze meses de estágio em inox. Olfativo delicado (cítrico, maracujá) delicado para Sauvignon Blanc, sem notas herbáceas. Palato de boa acidez, com corpo médio e certa rusticidade. R$ 232.
Frissons 2023, Domaine Gautheron 12%
A quebra da safra 2016 levou esta vinícola sediada em Chablis a usar a criatividade. Por conta da escassez de uvas locais, optou por lançar seu vinho de entrada usando também Chardonnay da região do Mâconnais. Como resultado agradou, este Bourgogne Blanc passou fazer parte da linha regular. As uvas de cultivo sustentável (certificação HVE) passam por fermentação natural com temperatura controlada em inox, onde o vinho ficou nove meses com suas lias. Uma combinação peculiar com boa textura e frescor, mas fruta bem mais madura (por motivos óbvios) do que o “padrão Chablis”. Cítrico e fresco no nariz, com alta acidez, boa textura, corpo médio e discreto amargor no final de boca. R$ 235.
Points Cardinaux Métiss 2021, Domaine Bott-Geyl 12,4%
Corte de 40% Pinot Blanc, 40% Pinot Auxerrois, 10% Pinot Gris e 10% Pinot Noir (vinificada em branco), com uvas de cultivo biodinâmico certificado desde 2002, de diversas parcelas localizadas em Béblenheim e Zellenberg. Na vinificação, prensagem longa (nove horas) e fermentação natural em inox, com 12 meses com suas lias até o engarrafamento. Açúcar residual de 3,2g/L. Um dos destaques do painel, tanto pela personalidade como vivacidade, um vinho fresco que bem refletiu uma safra mais clássica. Olfativo rico e aromático, com notas de frutas de bosque, maçã seca, damasco, lichia, rosas e brioche. O palato surpreendeu pela tensão e vivacidade, deixando um discreto residual em segundo plano. Texturado, redondo e bem agradável, com boa acidez, um excelente custo-benefício a R$ 211.
Riesling Les Eléments 2022, Domaine Bott-Geyl 13,5%
Este monovarietal de Riesling conta com uvas de parcelas em Riquewhir, Zellenberg e Ribeauvillé, com solos limo-argilosos com alta concentração de arenito. Na adega, fermentação com leveduras indígenas a temperatura controlada, com estágio em inox por 12 meses com suas lias. Açúcar residual de 6g/L. Um Riesling com muita tipicidade da Alsácia e da safra 2022, mais quente e seca, com olfativo cítrico e frutas brancas. No palato, a alta acidez, porém, não foi suficiente para “segurar” o residual mais alto, faltou um pouco de tensão, apesar da boa estrutura, textura e fruta mais madura. R$ 269.