Falando sobre sulfitos: quais são os limites máximos em cada país?

Vinhos e sulfitos formam um “mix” que ainda suscita controvérsias. Em um mundo polarizado, em que opiniões extremas parecem ganhar mais espaço, um aspecto relativamente simples do processo de vinificação ganhou as manchetes. Porém, felizmente, hoje a maior discussão parece concentrar-se mais na quantidade de anidrido sulfuroso (também conhecido como sulfito) utilizada do que na sua ausência. Mesmo no segmento de vinhos naturais e de baixa intervenção, para muita gente, os sulfitos deixaram de ser vistos como vilões.

Mas um fato é claro: os sulfitos em excesso fazem mal à saúde. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda uma ingestão máxima de sulfitos de 0,7 mg por kg de peso corporal por dia. Assim, uma pessoa de 70 kg não deve ingerir mais de 50 mg de sulfitos por dia. E o vinho não é a única fonte, uma vez que frutas secas, coberturas de  doces ou sucos de frutas industriais, entre outros produtos, apresentam grande concentração.

Quais os parâmetros

A boa notícia é que a concentração de sulfitos no vinho segue caindo. A estimativa da concentração média na Europa, para vinhos tintos, é de cerca de 80 mg por litro. Isso significa que consumir, em duas pessoas, uma garrafa de 750 ml corresponde a 30 mg para cada pessoa, ou seja, dentro do limite.

Mas como este valor se compara com a legislação? Vai depender da classificação do vinho. No caso europeu, para vinhos “convencionais”, o limite legal é de até 160 mg/L para tintos e 210 mg/L, mas cai para até 100 mg/L para tintos, 150 mg/L para brancos e rosés secos, no caso de vinhos orgânicos certificados.

Para vinhos biodinâmicos, os limites são de até 70 ou 90 mg/L (dependendo da certificadora) para tintos, e 90 ou 105 mg/L para brancos e rosés secos. Por fim, o conceito de vinhos naturais, definido na França como Vin Méthode Nature, estabelece um limite de 30 mg/L para qualquer vinho.

Legislação varia muito por país

Se há muita discrepância quanto à concentração máxima entre as diversas classificações de vinhos, a situação fica ainda mais evidente quando analisamos os limites máximos por país (ver tabela abaixo). Na grande maioria dos casos, os limites se mostram em um patamar muito mais elevado do que o praticado efetivamente pela média do mercado. Ou seja, é hora de ter uma legislação mais adequada, sobretudo em países como o Brasil, o Japão ou os Estados Unidos, onde o limite máximo legal é de 350 mg/L.

País SO2 Livre
(ppm)
SO2Total  (ppm)Observações
África do Sul150Tintos < 5 g/L açúcar
160Brancos < 5 g/L açúcar
Argentina 130Tintos < 4 g/L açúcar
  180Tintos > 4 g/L açúcar
  180Brancos e rosés < 4 g/L açúcar
  210Brancos e rosés > 4 g/L açúcar
Austrália250Vinhos < 35 g/L açúcar
300Vinhos > 35 g/L açúcar
Brasil 350 Vinhos em geral
Canadá70350Legislação Federal
Chile75250Vinhos secos
 100400Vinhos doces < 30 g/L açúcar
China 250Vinhos < 45 g/L açúcar
  400Vinhos > 45 g/L açúcar
Coréia do Sul350Vinhos em geral
Estados Unidos350Vinhos em geral
Europa (UE) 160mg/LVinho tinto
  210mg/LVinho branco e rosé
  235 mg/LEspumantes
  300 mg/LBotrytis/late harvest
  100 mg/LVinho Tinto Orgânico
  150 mg/LBranco e Rosé Orgânico
  205 mg/LEspumante Orgânico
  120 mg/LVinho licoroso Orgânico
  270 mg/LBotrytis/late harvest Orgânico
India 350Em mg/kg
Japão 350Em mg/kg
Malásia 450 Vinhos em geral
México 350 Vinhos em geral
Nova Zelândia 250Vinhos < 35 g/L açúcar, em mg/kg
  400Vinhos > 35 g/L açúcar, em mg/kg
Noruega  Mesmos limites da UE
Peru 350Em mg/kg
Qatar 350Em mg/kg
Reino UnidoMesmos limites da UE
Russia 200Secos e espumantes
  300Semi secos, semi doces e doces
Suiça 150Tintos < 5 g/L açúcar
  200Brancos e rosés < 5 g/L açúcar
  200Tintos > 5 g/L açúcar
  250Brancos e rosés > 5 g/L açúcar
  235Espumantes
Taiwan 400Vinhos em geral
Tailândia 300Em mg/dm3
Uruguai 250 Vinhos em geral

Fonte: Wines Australia

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