Método Charmat: uma alternativa distinta para elaboração de espumantes

Elaborar vinhos espumantes é certamente mais complexo do que vinhos tranquilos, uma vez que manter o gás carbônico que surge como subproduto da fermentação alcoólica envolve esforços adicionais. Existem vários métodos para isso, porém, dois deles têm dominado o processo de elaboração de espumantes ao redor do mundo

O primeiro é o método tradicional, também chamado de Champenoise, onde ocorrem duas fermentações, com a segunda acontecendo dentro da garrafa. O segundo, mais simples e com uma presença geográfica maior, é o método Charmat, ou método do tanque (tank method).

Um pouco de história

Assim como o método tradicional, também o Charmat tem diversos nomes distintos. E isso se deve tanto à sua mecânica quanto à sua história. Esta inovação foi inventada e patenteada em 1895 pelo italiano Federico Martinotti, um enólogo em Asti. Por este motivo, na Itália é conhecido como método Martinotti.

Em 1907, porém, o francês Eugène Charmat, fez algumas melhorias no processo e patenteou-o sob seu nome, que acabou sendo o mais adotado atualmente. Apesar das discussões quanto ao nome, novos avanços ocorreram na Itália no final da década de 1930. O processo foi refinado e completamente renovado por Antonio Carpene, com o objetivo de adapta-lo para a elaboração dos espumantes Prosecco, a partir da uva Glera.

Como funciona

As etapas iniciais do processo se assemelham ao método tradicional, com a elaboração de um vinho base. No entanto, enquanto no método tradicional a segunda fermentação acontece dentro da garrafa, no método Charmat isso ocorre dentro de grandes tanques de aço inoxidável vedados, conhecidos como autoclave. Daí muita gente se referir a este processo como método do tanque ou mesmo método autoclave.

Tanques para o método Charmat. Imagem: Technicia Pro Inc.

O vinho base é misturado com uma quantidade de açúcar e leveduras (juntos chamados de licor de tirage), e, em seguida, é colocado nestes grandes tanques de pressão, feitos de aço inoxidável. As leveduras e o açúcar causam uma segunda fermentação dentro destes tanques fechados, que não deixam o gás carbônico escapar, sendo retido no vinho.

Esta segunda fermentação dura um período de uma a seis semanas, após o qual o vinho espumante recebe filtração e vai para o engarrafamento. Assim como no caso do método tradicional, há adição de um licor de expedição no processo de engarrafamento, visando calibrar o nível de doçura do vinho.

Motivos e diferenças

Foram três os principais motivos por trás da invenção do método Charmat. O primeiro é o custo, já que este método é muito mais barato para a elaboração de espumantes em grande escala. Ao invés da segunda fermentação ocorrer em cada garrafa individual (o que exige custos maiores para remuage e dégorgement), ela ocorre dentro de um tanque, simultaneamente para uma grande quantidade de vinho.

O segundo tem a ver com o tempo de elaboração, já que o método Charmat é muito mais rápido e direto. Por fim, existe a questão da variedade de uva usada. Enquanto o método tradicional trabalha sobretudo com as uvas Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier, o Charmat permite obter mais frescor e preservar as características olfativas de uvas mais aromáticas, como Glera, Moscato ou Riesling, por exemplo.

Custo e Qualidade

O método Charmat acaba ganhando no quesito preço, já que é mais simples e rápido. Do ponto de vista da qualidade, porém, o consenso é que os vinhos espumantes produzidos pelo uso do método tradicional são mais complexos e estruturados, muito em função do impacto que o tempo de contato com as lias (que é opcional no caso do método Charmat) permite.

Por outro lado, há quem prefira espumantes mais frescos, frutados ou aromáticos, características que se destacam no método Charmat. A escolha fica com cada um, sobretudo levando em conta o momento de consumo do espumante.

Fontes: Masterclass; Jancis Robinson

Imagem: Lisanne van Elsen via Unsplash

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