Um futuro mais verde: ícones da Borgonha lideram conversão para agriculturas orgânica e biodinâmica

Last Updated on 27 de junho de 2022 by Wine Fun

A busca por formas de agricultura mais sustentáveis e com menor presença de produtos químicos, sobretudo herbicidas e pesticidas, é uma tendência mundial. E esta tendência também chegou à Borgonha, por muitos considerada como a origem dos melhores vinhos do mundo. Por conta das novas condições climáticas, que impactaram positivamente a saúde dos vinhedos da região, muitos produtores adotaram este caminho.

A conversão de vinhedos da região para as práticas sustentáveis, orgânicas e biodinâmicas segue crescendo. Considerando somente a área de vinhedos certificados orgânicos, o crescimento foi de 150% entre 2008 e 2018. Mesmo que muitos viticultores optem pela não certificação, a porcentagem de vinhedos da Côte D’Or certificados orgânicos atingiu 19% em 2018, acima da média de 12% na França.

Movimento top down

O curioso é que o movimento na Borgonha começou com alguns de seus produtores mais respeitados e cultuados, para posteriormente atingir outros viticultores, sobretudo aqueles de maior escala. Considerados como dois dos principais nomes da Borgonha, Domaine Leroy e Domaine de la Romanée-Conti (DRC) já adotam a agricultura biodinâmica.

Se a vinícola comandada por Lalou Bize-Leroy afirma que sempre adotou estes procedimentos, a DRC finalizou sua conversão para a agricultura biodinâmica em 2007. Mas estes estão longe de ser os únicos nomes de destaque da região que seguiram este caminho.

A Domaine Leflaive foi uma das pioneiras neste movimento, hoje acompanhada por nomes como Domaine Dujac (orgânica desde 2008 e biodinâmica não certificada), Comtes Lafond (certificada desde 1998) e Dugat Py (orgânica desde 2003, mas usando princípios biodinâmicos).

Orgânicos e sustentáveis

Se alguns dos melhores produtores da região já aplicam os princípios biodinâmicos, também são diversos aqueles que partiram para a agricultura orgânica, como Roumier (métodos orgânicos desde a década de 1980) e Clos de Lambrays, que em 2018 completou a conversão para orgânica, com certificação esperada para 2021.

Por outro lado, a Domaine Armand Rousseau optou pela agricultura sustentável, enquanto outros nomes de peso, como Ponsot e Domaine Comte Georges de Vogüé, ainda estão trabalhando para isso. Em resumo, dentre os mais icônicos nomes da Borgonha, a grande maioria vem trabalhando para uma gestão mais natural de seus vinhedos.

Movimento chega aos grandes produtores e négociants

Porém, não são apenas os produtores mais valorizados da Borgonha que estão convertendo seus vinhedos. Um exemplo é a Louis Jadot, que possui ou controla diretamente quase 132 hectares de vinhedos na Côte d’Or. Mesmo como um dos maiores produtores da região, está seguindo o mesmo caminho. Em 2019, por exemplo, 95% de seus vinhedos foram cultivados de forma orgânica.

Também a Albert Bichot está traçando esta trilha. Ela possui seis propriedades, com um total de 105 hectares de vinhedos. Considerando as uvas próprias e compradas de terceiros, elabora vinhos em quase 100 denominações distintas. A partir da safra 2018, todos os vinhos de suas propriedades em Côte d’Or e Mercurey passaram a ser certificados como de agricultura orgânica.

Além disso, estão trabalhando para converter também a Domaine Long-Depaquit (Chablis) e Domaine de Rochegrès (Moulin-à-Vent). E os esforços não se resumem às suas propriedades, pois a Albert Bichot também está desenvolvendo uma gama de vinhos orgânicos feitos com uvas de aproximadamente dez denominações, compradas de produtores parceiros de longa data.

Em resumo, muito se avançou na Borgonha, mas ainda há muito trabalho a fazer. Mas uma certeza existe: o futuro da agricultura na Borgonha será mais verde.

Fontes: Bio em Bourgogne; Bourgogne Goes Green, Nicholas Poletto, Wine Scholar Guild; Domaine Armand Rousseau; Domaine Leflaive; Comtes Lafon; Domaine Ponsot; Dugat-Py; Idealwine; Albert Bichot;

Imagem: del_ingue via Pixabay

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