Grande parte da produção de vinhos do mundo está concentrada em algumas poucas regiões. E isso se deve, além de fatores culturais e históricos, a questões climáticas. De fato, é entre as latitudes 50 e 30 (tanto no hemisfério sul como norte) que a esmagadora maioria dos vinhos é produzida, o que mostra que clima tem um papel central.
Porém, a distribuição das uvas plantadas muda bastante dentro destas regiões, já que cada variedade se adapta melhor a determinadas condições. Dentro dos esforços para identificar as melhores regiões para cada uva, vale a pena conhecer um indicador conhecido como Escala Winkler, desenvolvido por dois cientistas norte-americanos.
Cinco zonas distintas
Criado na década de 1940 por dois cientistas (A. J. Winkler e Maynard Amerine) da Universidade da California em Davis, este indicador ganhou projeção pela sua simplicidade. Ele classifica o clima das regiões vinícolas com base na soma das temperaturas e número de dias de calor. Pela sua metodologia, as áreas geográficas são divididas em cinco grupos climáticos distintos, com base na temperatura convertida em graus de crescimento, e é comumente conhecida como Regiões I-V. O indicador foi inicialmente desenvolvido para auxiliar na escolha das melhores variáveis na Califórnia, porém vem sendo usado em praticamente todas as regiões do mundo.
O fator determinante é o número de “dias de grau” em que a temperatura média diurna da região ultrapassa o limite de 50 graus Fahrenheit (cerca de 10 graus Celsius). Um “dia” equivale a cada grau acima de 50 Fahrenheit. Desenvolvido inicialmente para o hemisfério norte, considera os dias entre 1º de abril e 31 de outubro, para incluir apenas dias em que as videiras crescem e amadurecem. Caso a análise seja feita para o hemisfério sul, basta trocar as datas.
Quais uvas?
Esse indicador ajuda a diferenciar qual variedade de uva cresceria melhor em cada região e, assim, orienta o viticultor na sua escolha de uva. As regiões estão divididas em cinco grupos, com a Região I representando temperaturas mais frias e a região V descrevendo os climas mais quentes. As regiões e uvas adequadas são:
Região I
A região mais fria, é comparável às regiões de Côte d’Or/Champagne da França ou ao Vale de Willamette (Oregon), onde os dias de grau são inferiores a 2.500. As variedades ideais incluem Pinot Noir, Chardonnay, e Riesling.
Região II
Considera as áreas com dias de grau entre 2.501-3.000 graus e reflete climas como Bordeaux. As variedades mais adequadas são Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Sauvignon Blanc.
Região III
Este índice médio é responsável pelos vinhos Sauvignon Blanc, Zinfandel ou Syrah e é comparável à região francesa de Rhône com 3.001-3.500 graus dias.
Região IV
Representa a faixa de dias de grau entre 3.501-4.000. É comparável aos climas espanhóis, parte de Portugal ou do sul da Califórnia. As variedades usadas nos vinhos do Porto e Barbera seriam as mais adequadas.
Região V
A região mais quente, a região V é comparável a climas marroquinos ou norte-americanos como o Vale de San Joaquin, onde os dias de grau são superiores a 4.000. As uvas mais adequadas são Muscat e Verdelho.
Limitações e críticas
Uma limitação óbvia para a Escala Winkler é seu foco exclusivo na temperatura, ignorando fatores, dentre outros, como chuva, neblina e umidade. O índice também não leva em consideração a orientação dos vinhedos e a altitude, fatores historicamente vitais para a escolha tanto da localização como das variedades usadas.
Deste modo, o seu uso acaba sendo muito mais recomendado para uma escolha a nível regional ou mais amplo, já que não contempla as especificidades de cada microrregião. No entanto, apesar de tantas limitações, segue sendo usado e serviu de base para a elaboração de indicadores mais complexos e detalhados.
Fontes: Wines Vines Analytics; WineFrog
Imagem: winterseitler via Pixabay