Stefano Bellotti, que criou a Cascina degli Ulivi em 1977, foi certamente um dos principais nomes do vinho natural italiano. Além de criar sua vinícola dentro de uma propriedade praticamente auto-suficiente, foi mentor de diversos vinhateiros e membro ativo de diversos grupos de produtores focados no vinho natural, entre eles Reinassance des Appellations e Triple A.
Nos deixou inesperadamente em setembro de 2018, aos 59 anos. A Cascina degli Ulivi, porém, seguiu em frente, agora administrada por Ilaria, filha de Stefano. Felizmente, sua tradição continua, e, para os mais saudosistas, ainda é possível encontrar vinhos elaborados por Stefano, dada sua forma particular de vinificação e envelhecimento.
Agricultura e vinhedos
A propriedade conta com 35 hectares, dos quais 22 ha de vinhedos, todos cultivados de acordo com os princípios da agricultura biodinâmica, desde 1984. Além de vinhos, comercializam também uma variedade de produtos agrícolas, sempre dentro dos conceitos de biodiversidade que caracterizam as práticas biodinâmicas.
Cultivam algumas das principais uvas autóctones da região, como Cortese, Barbera e Dolcetto, mas também variedades originárias de outras regiões, como Moscatel, Gewürztraminer, Sauvignon Blanc, Ancellotta, Merlot e Chasselas. Dois de seus vinhedos chamam a atenção e dão origem a dois de seus vinhos brancos mais conhecidos: Filagnotti (com solos de argila avermelhada, pela grande presença de ferro) e Montemarino (com maior proporção de calcário).
Vinificação
A Cascina degli Ulivi se caracteriza pela vinificação de baixíssima intervenção, sem inclusão de qualquer aditivo, incluindo sulfitos, em seus diversos vinhos. As fermentações são feitas exclusivamente com leveduras indígenas, sem filtragem ou colagem. Boa parte de seus vinhos passa por estágios em tonneaux de madeira (acácia ou carvalho) por longos períodos, contribuindo para um maior potencial de guarda.
Tanto suas práticas agrícolas como de vinificação muitas vezes entraram em conflito com as normas do conselho que regula a Denominação de Origem Gavi, onde atua. Com isso, Bellotti decidiu deixar a DOCG e inclusive lançar um vinho chamado Igav, para evidenciar suas diferenças com a legislação local.
Vinhos
A Cascina degli Ulivi produz cerca de 100.000 garrafas por ano, com grande presença das variedades Cortese (da qual produzem a maioria de seus brancos) e Dolcetto, chamada localmente de Nebiô. Sua linha mais básica é composta por três vinhos, chamados Semplicemente Vino Bianco, Semplicemente Vino Rosso e Semplicemente Vino Rosato, todos de consumo mais rápido e caracterizados pelo seu fechamento com tampinhas, ao invés de rolhas.
Dentre os brancos, destaque para os monovarietais de Cortese (Ivag, Filagnotti, Montemarino) e os cortes A Demûa e La Merla Bianca, além do passito C’era una volta il passato, elaborado com a variedade Chasselas.
Seus tintos se dividem entre os monovarietais de Dolcetto (Nibiô e Nibiô Pinolo – este último elaborado de uma parcela de vinhas velhas), além dos cortes Mounbé e L’Etoile du Raisin, este último produzido somente em 2007.
| Nome da Vinícola | Cascina degli Ulivi |
| Estabelecida | 1977 |
| Website | https://www.cascinadegliulivi.it/ |
| Enólogos | Ilaria Bellotti, Filippo Mammone |
| Uvas | Cortese, Moscatel, Gewürztraminer, Sauvignon Blanc, Ancellotta, Barbera, Dolcetto, Merlot, Chasselas |
| Área de Vinhedos | 22 ha |
| Região | Novi Ligure (Piemonte) |
| País | Itália |
| Agricultura | Biodionâmica |
| Vinificação | Natural |
Fontes: Website da vinícola; Triple A
Imagem: Cascina degli Ulivi