Château Haut-Brion: qualidade com 500 anos de história

Château Haut-Brion não é um produtor qualquer. Foi o pioneiro no renascimento do Bordeaux no século XVII, lançando na época o conceito que acabou dando origem, muito tempo depois, aos Premier Cru Classé da região. Já elaborava vinhos avaliados dentre os melhores do mundo ao menos a partir de 1660, tradição que mantém até hoje.

É considerado por muitos como o produtor de vinhos mais elegantes da margem esquerda de Bordeaux. Para o crítico francês Michel Bettane, são vinhos que mostram taninos elegantes e civilizados e que são universalmente admirados, aliados com um perfil de longa evolução. Uma posição invejável e que conta com 500 anos de história.

Uma tradição de cinco séculos

Por muito tempo, as primeiras menções aos vinhos do Château Haut-Brion datavam da década de 1660. Foi nesta data que registros mostraram que seus vinhos constavam na adega do rei inglês Charles II. Outra indicação importante foi o relato do cronista inglês Samuel Pepys. Ele afirmou em 1663 que o vinho teria “um sabor bom e particular, algo como nunca provei antes”. Nesta época, o Château Haut-Brion era propriedade de Arnaud III de Pontac, um dos homens mais influentes de Bordeaux.

Foi nesta época que Pontac criou um novo estilo de vinho, considerado como a origem dos Premiers Cru modernos. No mercado inglês, o principal cliente dos vinhos de Bordeaux, este novo estilo, capaz de evoluir de forma elegante, alcançou sucesso sob o nome de New French Claret. Anos depois, muitos historiadores se referiram a esse período como uma “revolução do vinho”.

Mas a história do Château Haut-Brion é mais longa. Registros datados de janeiro de 1521, descobertos somente em 2014, mostraram que os vinhos já eram valorizados no início do século XVI.  

E a história continua

Outra importante referência da história do Château Haut-Brion foi em maio de 1787, quando Joseph de Fumel, proprietário da vinícola, recebeu Thomas Jefferson pela primeira vez. Entusiasmado com os vinhos (que colocou entre os quatro melhores tintos da região, juntamente com Château Lafite, Château Margaux e Château Latour), o futuro presidente dos Estados Unidos passou a importar os vinhos para sua terra natal.

De uma certa forma, Jefferson parece ter antecipado a classificação de 1855 do Bordeaux, que colocou Château Haut-Brion na companhia dos três demais como os únicos Premiers Crus Classé, o topo da classificação de qualidade regional. Apesar do prestígio, o controle da vinícola mudou diversas vezes nas décadas seguintes, até chegar em 1935 às mãos da família de Clarence Dillon, um banqueiro norte-americano, se mantendo até hoje.

Agricultura e vinhedos

O cultivo dos vinhedos é feito de acordo com os princípios da agricultura sustentável. Desde a década de 1990 deixaram de usar inseticidas e herbicidas, mas ainda não identificaram uma maneira não química de lidar com fungos. Vale lembrar que muitas vinícolas de Bordeaux têm dificuldade em lidar com fungos, devido à umidade do oceano Atlântico.

Os vinhedos próprios do Château Haut-Brion cobrem uma área de 51 hectares, 48 são plantados com uvas tintas, como Merlot (com quase 49% da área das uvas tintas), Cabernet Sauvignon (40%), Cabernet Franc (10%) e Petit Verdot (1%). Já três hectares são dedicados às variedades de brancas Sémillon e Sauvignon Blanc.

Um dos diferenciais do Château Haut-Brion é o conjunto de características do solo de seus vinhedos. A natureza do solo de cascalho, típico do Bordeaux e que consiste em pequenas pedras de vários tipos de quartzo, é um elemento-chave que contribui para o potencial dos vinhos. Estes cascalhos estão em uma base com subsolo de argila, areia e calcário.

Vinificação e vinhos

Na vinificação, adota técnicas tradicionais do Bordeaux. Na fermentação, que, em geral, dura duas semanas para os tintos, trabalha com controle estrito de temperatura. Seus vinhos passam por estágio de 20 a 24 meses em barris novos de carvalho francês, aos quais são adicionados períodos variáveis de envelhecimento em garrafa.

Produz apenas quatro cuvées distintos, com destaque para um tinto e um branco, que compartilham o nome da vinícola e que representam o topo da linha. Os dois seguintes são os seus respectivos segundos vinhos.

Seus quatro cuvées

Seu vinho mais conhecido é o Château Haut-Brion tinto, um corte que varia bastante de acordo com a safra, mas na média contém cerca de 45% Merlot, 44% Cabernet Sauvignon, 10% Cabernet Franc e uma leve participação de Petit Verdot. Já seu principal branco, de mesmo nome, mostra uma variação ainda maior na composição, embora nas últimas safras venha mostrando uma maior participação da Sauvignon Blanc em relação à Sémillon.

O blend de segundo vinho tinto, denominado Le Clarence de Haut-Brion a partir de 2007 (era chamado Château Bahans Haut-Brion anteriormente) também varia bastante, dependendo da safra. Em geral, mostra participação maior de Cabernet Sauvignon (48%), contra 27% de Merlot e 25% de Cabernet Franc.

Por fim, o segundo branco, Le Clarté de Haut-Brion, é um blend entre as uvas brancas do Château Haut-Brion e do La Mission Haut-Brion, vinícola que fica em frente à propriedade original e que foi adquirida pela família Dillon em 1983. Este cuvée, que é elaborado desde 2009, geralmente conta com cerca de 90% Sémillon na composição, contra apenas 10% de Sauvignon Blanc.

ome da VinícolaChâteau Haut-Brion
Estabelecida1521
Website https://www.haut-brion.com/
EnólogosJean-Philippe Delmas, Jean-Philippe Masclef
UvasMerlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot, Sémillon, Sauvignon Blanc
Área de Vinhedos51 ha
RegiãoPessac (Nouvelle-Aquitaine)
DenominaçãoPessac-Léognan
PaísFrança
AgriculturaSustentável
VinificaçãoConvencional

Fontes: Website da vinícola; A História do Vinho, Hugh Johnson, Guide to the Wines of France, Bettane & Desseauve; Decanter; Saveur

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