Last Updated on 16 de janeiro de 2023 by Wine Fun
Jean-François Ganevat fica entre os três produtores mais cultuados do Jura. Fanfan, como é conhecido na região, criou sua reputação nos últimos 20 anos, após assumir a vinícola da família, de longa tradição no mundo do vinho. Seu estilo detalhista, a qualidade de seus vinhos e a incrível capacidade de criação (elabora em torno de 40 diferentes cuvées todos os anos), fazem dele um nome obrigatório para quem quiser conhecer os vinhos da região.
Além de elaborar vinhos com seus vinhedos próprios, muitos dos quais a partir de vinhas velhas, Ganevat trabalha também como micro–negóciant. Deste modo, vinifica também uvas de terceiros, o que permite uma percepção muito clara de seu estilo de vinificação também com outras variedades não plantadas no Jura.
História
A família Ganevat tem uma longa tradição na viticultura da região, com atividades reportadas desde a metade do século XVII. Foi em 1976, porém, que o pai de Jean François tomou a decisão de dedicar a propriedade, na época com três hectares, inteiramente à viticultura, substituindo outras culturas e a pecuária.
Após trabalhar com o pai na propriedade na década de 1980, Jean-François decidiu buscar um treinamento mais formal e foi trabalhar na Domaine Jean-Marc Morey. Nesta vinícola, em Chassagne-Montrachet na Borgonha, atuou por cerca de dez anos e chegou à posição de chefe da adega.
Em 1998 voltou à propriedade da família, já na época com seis hectares, e assumiu o negócio. A sua primeira safra solo foi em 1999. Desde então, vem pacientemente expandindo a propriedade e lançando novos vinhos no mercado, conquistando a posição invejável de ser um dos principais embaixadores dos vinhos de baixa intervenção do Jura.
Agricultura e vinhedos
Desde o início, Ganevat vem trabalhando seus vinhedos de acordo com a agricultura orgânica e com uso de princípios biodinâmicos. Adota posturas inovadoras, como auto-falantes que reproduzem músicas selecionadas nos vinhedos, com o objetivo de reduzir pragas e garantir uma evolução mais equilibrada das uvas. A vinícola é certificada orgânica (Ecocert) e biodinâmica (Demeter).
Atualmente trabalha com cerca de 13 hectares de vinhedos, plantados com Chardonnay, Savagnin, Pinot Noir, Poulsard e Trousseau, além de pequenas parcelas com outras variedades raras da região, como Melon à Queue Rouge, Argant e Poulsard Blanc, entre outras. As joias da coroa são os vinhedos, principalmente de Chardonnay, deixados por seu pai. Dentre eles, destaque para Sous la Roche, Les Chalasses (que inclui Les Grands Teppes, com vinhas plantadas a partir de 1902) e Grusse en Billat.
Vinificação
Ganevat busca, também na vinificação, a menor intervenção possível. As fermentações são geralmente longas e realizadas sempre com uso exclusivo de leveduras indígenas. Faz mínima adição de sulfitos, somente antes do engarrafamento e quando estritamente necessário. Os vinho não passam por colagem ou filtração. Por conta de sua experiência na Borgonha, trabalha de forma mais alinhada com o estilo ouillé do que com o tradicional sous vouile, tão comum em vinhos brancos no Jura.
Por conta da variedade de cuvées elaborados, adota um amplo repertório de técnicas, mas, em geral, segue algumas linhas básicas. No caso dos brancos, aplica fermentação com cachos inteiros, passa seus vinhos por fermentação maloláctica e por estágios em barris de carvalho por períodos longos. Já a maioria dos tintos também passa por fermentação com cachos inteiros e estágio em carvalho.
Vinhos
De forma geral, os vinhos de Ganevat podem ser divididos em dois grupos: aqueles elaborados a partir de seus vinhedos próprios, comercializados como Côtes du Jura ou Arbois (e com rótulos padronizados da vinícola), e aqueles feitos com uvas de terceiros, que vem a mercado com a classificação Vin de France. Não há um número fixo de cuvées todos os anos. Por conta de sua técnica de trabalhar como micro-vinificação, houve anos nos quais mais de 50 diferentes cuvées foram lançados.
Dentre seus vinhos mais disputados estão os monovarietais de Chardonnay, uva que responde por quase metade da área de seus vinhedos próprios. Destaque para aqueles elaborados a partir de vinhas velhas, como Les Grand Teppes Vieilles Vignes e Les Chalasses Vieilles Vignes. Porém, outros varietais da mesma uva também chamam a atenção, como La Cuvée du Pépé, Grusses en Billat, Cuvée Florine, Cuvée Marguerite, Chamois du Paradis e La Flandre.
Dentre os varietais de Savagnin, Les Vignes de Mon Père desperta curiosidade, por passar por cerca de onze anos de envelhecimento em carvalho. Marnes Bleues e Antide são outros monovarietais, também elaborados a partir de vinhas velhas. Há uma variedade de cuvées tintos, também elaborados a partir de vinhedos próprios, como Cuvée Julien, En Billat, Grands Teppes e Julien en Billat (Pinot Noir), Cuvée de l’Enfant Terrible (Poulsard), Plein Sud (Trousseau) e os cortes L’Enfant Terrible du Sud e Sainte Cécyle.
| Nome da Vinícola | Domaine Ganevat |
| Estabelecida | 1976 |
| Website | Não tem |
| Enólogo | Jean-François Ganevat |
| Uvas | Chardonnay, Savagnin, Pinot Noir, Poulsard, Trousseau e outras variedades locais |
| Área de Vinhedos | 13 ha |
| Região | Rotalier (Franche-Comté) |
| Denominações | Côte du Jura, Arbois, Vin de France |
| País | França |
| Agricultura | Biodinâmica |
| Vinificação | Natural |
Fontes: Jura Wine, Wink Lorch; Kermit Lynch (seu importador nos EUA); Vos Selections