Oito Champagnes de produtores artesanais

Final de ano e Champagne é uma combinação insubstituível. Foi um prazer organizar e participar de uma degustação às cegas com oito vinhos de produtores artesanais desta região francesa. Boa parte deles chega ao Brasil, embora uma quantidade considerável, infelizmente, esgote rapidamente por conta se sua qualidade e das pequenas alocações. Abaixo minhas impressões sobre os Champagnes, com preço em reais para aqueles ainda disponíveis nas importadoras.

Champagne Marie-Courtin Efflorescence Extra Brut, 12%

Produtor de histórico relativamente recente, tendo iniciado suas atividades em 2005. O Efflorescence Extra Brut é um monovarietal de Pinot Noir (videiras de 40 anos de idade média, localizadas em Polisot, na Côte des Bar) e de cultivo orgânico certificado, com uso de princípios biodinâmicos. Uvas da safra 2017, com vinificação do vinho base sem desengace e envelhecimento de 12 meses em barricas de carvalho. Sur lattes de 36 meses, zero dosage e engarrafamento sem filtração ou colagem. Coloração amarelo palha e perlage fina, com olfativo complexo. Destaque para notas de ervas secas, marmelo, fruta branca, erva doce, maçã madura e um toque fumé. Na boca, um belo Champagne, com acidez cortante e boa densidade, com mousse e textura firmes, notas de frutas frescas e ervas verdes. Chega ao Brasil pela Cave Leman, preço de € 60 na Europa.  

Champagne Larmandier-Bernier Latitude, 12,5%

Blanc de Blancs (100% Chardonnay) provenientes de vinhedos na mesma latitude (daí o nome), a sul de Vertus, na Côte des Blancs, com cultivo orgânico e colheita de uvas mais maduras. Fermentação natural e maloláctica em foudres austríacos, onde o vinho base ficou um ano com suas lias. O blend contém cerca de 40% de vinhos de reserva, com dois anos sur lattes e dosage de cerca de 3 g/l. Um Champagne mais denso, amplo e encorpado, porém, sem perder a elegância. Coloração amarelo brilhante e nariz com frutas brancas, brioche e ervas verdes.  Menos tensão que os demais e algo de residual, porém com alta acidez e mousse abundante. Delacroix, R$ 635.

Champagne Clandestin Austral 2022, 12%

Clandestin é uma joint-venture (não possui vinhedos) entre Bertrand Gautherot da Vouette & Sorbée e Benoit Doussot, enólogo originário de Meursault, na Borgonha. 100% Pinot Noir de vinhedos de orientação sul (daí o nome) de cultivo orgânico certificado e uso de princípios biodinâmicos, todos localizados na Côte des Bar. O vinho base fez estágio em barris de 300 a 500 litros, com sur lattes de 15 meses e dégorgement em setembro de 2024, zero dosage. Um dos destaques do painel com fruta fresca deliciosa e muito equilíbrio de boca. Coloração levemente rosé e perlage fino, com fruta vermelha abundante e toque de cedro no olfativo. No palato, acidez cortante, corpo médio, tensão, equilíbrio e textura fina. Um Champagne elegante e frutado, com mousse media. Não chega ao Brasil, € 65.

Champagne Bérêche et Fills Brut Réserve 12,75%

Produtor com tradição desde 1857. Corte de 35% Chardonnay, 35% Meunier, 30% Pinot Noir de vinhas velhas de mais de 40 anos de idade, localizadas na Montaigne de Reims e Valée de la Marne. Vinho-base (cerca de 65% da safra e o restante de vinhos de reserva) fermenta em inox em permanece em barricas, sem passar por maloláctica. Engarrafado em maio de 2018 (usa rolhas nas garrafas, não tampinhas) com adição de 5,6 g/l. Outro dos destaques, um Champagne clássico, que combinou mais estrutura e frescor. Coloração amarelo intensa e perlage fino, com aromas de frutas amarelas, avelã, brioche e ervas secas, com discreta nota de evolução. Na boca, mostrou alta acidez, verticalidade e boa intensidade, com mais corpo e textura e mousse bem presente. Anima Vinum, € 50.

Champagne Jacques Lassaigne Montgueux Reserve Extra Brut, 12%

O Les Vignes de Montgueux Extra Brut Blanc de Blancs é o vinho de entrada de Jacques Lassaigne. As uvas (100% Chardonnay) provêm de vinhas de cerca de 40 anos, de sete a nove vinhedos, com três safras consecutivas sendo usadas. Na vinificação, fermentação por parcela, com uso exclusivo de leveduras indígenas. Após maloláctica o vinho passa de 12 a 24 meses em barris novos e usados, com mais um a cinco anos em garrafa antes do lançamento. Delicioso e de textura fina, com a leveza da Chardonnay em destaque. Coloração amarelo palha e olfativo marcado por aromas de frutas brancas (marmelo) e cítricos, com notas florais e menta. Palato de alta acidez, corpo médio, muita tensão e boa textura. Uva Vinhos, € 42.

Champagne Jeaunaux-Robin Les Marnes Blanches, 12%

Les Marnes Blanches é um Blanc de Blancs (100% Chardonnay) com uvas de cultivo orgânico provenientes do lieu-dit Les Vignes Douces, com vinhas de 35 anos localizado na vila de Talus Saint Prix (sul da Côtes de Blancs, quase na divisa com a Côte de Sézanne). Colheita base 2019 com vinificação em carvalho, sur lattes de 36 meses e zero dosage. Um Champagne mais “contemplativo”, complexo e estruturado, que precisou de mais tempo em taça para mostrar seu melhor. Visual amarelo palha com perlage fino, com nariz trazendo notas de abacaxi, cítricos, cedro, brioche e maçã verde. Já o gustativo mostrou alta acidez, corpo médio e textura mais intensa. Anima Vinum, € 65.

Olivier Horiot Métisse, 12%

O Métisse é um dos Champagne de entrada de Oliver Horiot, com uvas de cultivo orgânico certificado, provenientes de oito parcelas diferentes em Riceys sur Marnes (Côte des Bar). É um corte de 80% Pinot Noir e 20% Pinot Blanc, com cerca de 80% de vinho da safra 2020 mais o restante de vinho de reserva (mantido em barricas de carvalho). Engarrafado em setembro de 2021, com pouco mais de dois anos sur lattes (dégorgement em novembro de 2023), com zero dosage. Um estilo quase que diametralmente oposto do anterior, com mais tensão, verticalidade e muita pureza. Coloração levemente rosada com perlage fino, trazendo um olfativo mais redutivo, com aromas de frutas vermelhas e pitanga. Na boca, um Champagne que brilhou intensamente pela alta acidez, leveza e elegância; tenso, vertical, fino e muito puro. Não chega ao Brasil, € 45.

Champagne Fleury Fleur de L’Europe NV, 12,5%

Com nome inspirado na queda do muro de Berlim, esta foi o primeiro Champagne certificado biodinâmico na região. 85% Pinot Noir e 15% Chardonnay (75% da safra 2014 e o restante de vinhos de reserva), a partir de vinhas de 25 anos de idade da Côte des Bar. Cerca de 75% da vinificação ocorreu em cubas esmaltadas e 25% em foudres de carvalho, com fermentação natural. Engarrafamento com zero dosage e dégorgement em dezembro de 2021. Mais leve e delicado, onde verticalidade se destacou mais que complexidade. Visual amarelo palha com perlage fino e intenso, com olfativo marcado por notas cítricas, fruta branca (pera) e leve brioche e maresia. Na boca, se mostrou leve e elegante, com acidez cortante, mousse fina e leve salinidade. Delacroix, R$ 635.

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