O mundo do vinho vive uma constante transformação, com algumas tendências bastante claras. Nas últimas décadas houve uma verdadeira revolução nas práticas de vinhedos, com um crescimento significativo do cultivo sustentável, orgânico e biodinâmico. Do ponto de vista das preferências dos consumidores, quem ganhou mais espaço foram os vinhos espumantes, seguido por brancos e rosés.
Dentro deste contexto, Fred Loimer aparece como um verdadeiro visionário. São quase 20 anos de cultivo biodinâmico nos vinhedos, com foco em vinhos elegantes e autênticos e crescentes esforços na elaboração de espumantes de alta gama. Não há como negar que sua plataforma de partida já era diferenciada, dado que Kamptal e outras partes da Áustria parecem feitas sob medida para as novas tendências. Porém, poucos produtores desta região conseguiram avançar tanto em escala e qualidade nos últimos anos.
Histórico
Os Loimer têm uma longa presença em Kamptal, mas até a década de 1960 a viticultura dividia espaço com outras culturas. Foi em 1962 que Alfred Loimer (pai de Fred) assumiu a vinícola familiar e começou a transformação. Nos 37 anos que ficou à frente da vinícola, expandiu a área de vinhedos de quatro para quatorze hectares (sete dos quais próprios). Por outro lado, manteve o foco em vinhos mais tradicionais, nos quais a botrytis desempenhou um papel central.
Trabalhando com o pai desde 1988, Fred Loimer assumiu o controle em 1997 e decidiu imprimir novos rumos, tanto no estilo como na escala das atividades. Ainda como resultado do escândalo de 1985 e de safras complicadas na sequência, existia uma clara possibilidade de expansão. Fred não deixou a oportunidade passar. Além de aumentar de forma significativa a área de vinhedos, também mudou o estilo, partindo para vinhos mais frescos, puros e diretos. Nascia uma das grandes histórias de sucesso do vinho austríaco.
Vinhedos e agricultura
Atualmente, são cerca de 85 hectares de vinhedos, dos quais aproximadamente metade é de vinhedos próprios. Destes, 73 hectares se localizam na região de Kamptal, com os demais majoritariamente plantados com Grüner Veltliner, e usados para seu vinho de entrada. Aliás, a uva de maior cultivo na Áustria também domina os vinhedos de Loimer, com cerca de 50% da área plantada. Outros destaques são Riesling e Zweigelt, embora exista espaço também para Chardonnay, Pinot Noir, Sankt Laurent, Muskateller e Traminer, além de pequenas parcelas de outras uvas locais.
Seus vinhedos próprios começaram a ser cultivados de forma biodinâmica em 2006, com a certificação chegando em 2009. Fred Loimer também mudou de forma importante a densidade de plantio, buscando maior qualidade. A partir de 1999 começou a aumentar a densidade, de 2.800 plantas por hectare para 5.000, chegando a 8.000 plantas nas melhores parcelas. Segundo ele, em 15 anos a competição entre as plantas passa a ser tão forte na superfície que as videiras buscam mais profundidade. O resultado? Vinhos melhores.
Vinificação e produção
Baixa intervenção, mas com pragmatismo. Além de cuidados rigorosos nos vinhedos, Fred Loimer busca valorizar o terroir em seus vinhos. Todas as uvas passam por colheita manual em pequenas caixas, com seleção através de mesas vibratórias. Em geral, resfria a uvas 13 a 15 graus antes da prensagem e a proporção de cachos inteiros depende da safra, aumentando a proporção em safras mais quentes. Alguns dos brancos tem curto contato com as cascas, porém sempre com prensagens longas.
As fermentações (boa parte em tanques de inox, mas também em foudres para algumas cuvées mais exclusivas) usam leveduras indígenas. Porém, ele é categórico ao deixar claro que, caso haja problema com a fermentação, pode recorrer à adição de leveduras. Seus melhores brancos fazem conversão maloláctica e ficam em contato com suas lias finas até a safra seguinte, com discreta adição de sulfitos e leve filtração antes do engarrafamento.
Atualmente a produção supera 500 mil garrafas ao ano, com os brancos respondendo pela grande maioria. Porém, a parcela de espumantes segue crescendo continuamente, atualmente superando 25% da produção total. Os vinhos tintos são minoria, com os Pinot Noir ficando na faixa de seis a sete mil garrafas ao ano.
Vinhos brancos
São mais de uma dúzia de cuvées brancas, tendo a Grüner Veltliner e a Riesling como principais protagonistas. Os dois vinhos de entrada, a nível regional, são Lois Grüner Veltliner e Lenz Riesling, enquanto são três vinhos a nível de vilarejo: Langenloiser Grüner Veltliner, Langenloiser Riesling (ambos com uvas de Langenlois, em Kamptal), além do Weiss Gumpoldskirchner, um corte de Zierfandler e Rotgipfler.
Entre os brancos de vinhedos específicos, a Riesling conta com quatro cuvées: Ried Loiserberg (mais aromático), Ried Seeberg, Ried Steinmassl (aromático e frutado) e Ried Heiligenstein (salino e tenso). São três com a Grüner Veltliner: Ried Loiserberg (mais frutado e redondo), Ried Käferberg (salino e vertical) e Ried Spiegel, além de um corte de Chardonnay, Zierfandler e Rotgipfler (Gumpoldskirchen Gumpold).
Espumantes
Fred Loimer foi um dos pioneiros na elaboração de espumantes na região (desde 1991) somente após Bründlmayer. São cinco cuvées diferentes, todas elaboradas de acordo com o método tradicional, usando diversas variedades, entre elas Chardonnay, Pinot Blanc, Pinot Gris, Zweigelt, Pinot Noir e Skt. Laurent. Os dois espumantes de entrada são o Extra Brut Reserve (maioria de Pinot Noir e Zweigelt, com parte de Pinot Blanc, Chardonnay e Pinot Gris, dosage de 3 gramas por litro e 30 meses sur lattes) e o Brut Rosé Reserve (predominantemente Zweigelt, com Pinot Noir e Sainkt Laurent, 4 g/l e 30 meses).
Na linha intermediária há o Gumpoldskirchen Grosse Blanc de Noirs (zero dosage e 36 meses sur lattes) e o Langenlois Grosse Reserve Blanc de Blancs (mesmo dosage e tempo sur lattes). Por fim, Loimer comercializa edições late release, como o Langenlois Grosse Reserve 2014, com 90 meses sur lattes.
Tintos
Nos vinhos tintos, o foco fica na Pinot Noir, com três cuvées. Há um vinho de entrada, com uvas de Gumpoldskirchen e de Langenlois. Já dentre os vinhos de vinhedos específicos, o Dechant tem origem em vinhedo em terraços com solos de loess, com 100% de cachos inteiros e perfil vertical e com acidez cortante. Já o Anning mostra mais fruta e matiére, nas palavras de Loimer com “uma pegada borgonhesa“.
| Nome da Vinícola | Weingut Fred Loimer |
| Estabelecida | Década de 1960 |
| Website | https://www.loimer.at/en/ |
| Enólogo | Fred Loimer |
| Uvas | Grüner Veltliner, Riesling, Zweigelt, St. Laurent, Pinot Noir, Chardonnay, Muskateller |
| Área de Vinhedos | 85 hectares |
| Sede da Vinícola | Langenlois (Niederösterreich) |
| Denominações de origem | Kamptal, Gumpoldskirchen, Langenlois, Niederösterreich |
| País | Áustria |
| Agricultura | Orgânica e biodinâmica certificadas |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
Fontes: Website da vinícola; entrevista com o produtor
Imagens: Weingut Fred Loimer © Andreas Hofer; arquivo pessoal