Zorzal: irmãos Michelini trazendo novos ares ao vinho argentino

Os irmãos Michelini certamente ficam dentre os principais responsáveis pela revolução que o vinho argentino passou nos últimos 15 anos. E um dos pontos de partida desta trajetória foi a Zorzal, vinícola na qual os três irmãos (Gerardo, Matias e Juan Pablo) são sócios, juntamente com investidores canadenses.

A Zorzal, juntamente com o projeto Super Uco, é onde o talento dos irmãos se combina, já que, além da empreitada familiar, cada um deles também traçou caminhos próprios, com projetos paralelos. No caso do mais velho, Gerardo, ele e sua esposa Andrea Muffato administram a Gen de Alma. Já Matias é o cérebro por trás da Passionate Wines, enquanto o caçula Juampi exprime sua criatividade no projeto Altar Uco. Mas a Zorzal segue sendo o principal ponto de referência da família.

Um pouco de história

A Zorzal foi fundada em 2007 pelos irmãos Michelini e investidores canadenses, com a primeira safra sendo a de 2008. A vinícola e os vinhedos estão localizados em Gualtallary, uma parte do Valle de Uco, na época ainda fora dos radares da maior parte dos apreciadores de vinho. Nos últimos anos, porém, a qualidade do terroir desta região, próxima da cidade de Tupungato, a aproximadamente 1.350 metros acima do nível do mar, ficou evidente.

Um passo importante veio em 2012, quando a Zorzal se tornou uma das pioneiras da Argentina no uso de ovos de concreto na vinificação e envelhecimento de vinhos. Por conta desta inovação, que foi rapidamente seguida por outras vinícolas argentinas, foi lançada a linha Eggo, com diversos monovarietais sendo elaborados com esta técnica.

Agricultura e vinhedos

São cerca de 70 hectares de vinhedos, boa parte dos quais plantados em terrenos com alta proporção de calcário, chamados de tiza localmente. Esta composição de solo é bastante rara na Argentina, e, combinada com a elevada altitude dos vinhedos, confere características bastante diferenciadas aos vinhos da Zorzal.

Os vinhedos, cujas altitudes variam entre 1.200 e 1.600 metros (dentre os mais elevados da Argentina) são cultivados de acordo com os princípios da agricultura orgânica. Em termos de variedades, a maioria fica nas tintas, como Pinot Noir, Malbec, Cabernet Sauvignon, Bonarda e Merlot, além das brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay.

Vinificação e vinhos

De forma geral, a Zorzal busca adotar técnicas de baixa intervenção da vinificação, como uso exclusivo de leveduras indígenas.  Seus vinhos podem ser divididos em quatro linhas, começando pelos vinhos de entrada Terroir Único, com monovarietais de Sauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Noir (um tinto e um rosé), Malbec e Cabernet Sauvignon.

A linha Grand Terroir é composta por varietais de Pinot Noir, Malbec e Cabernet Sauvignon, enquanto a Eggo inclui os cuvées Blanc de Cal (Sauvignon Blanc), Filoso (Pinot Noir), Tinto de Tiza (Malbec), Franco (Cabernet Franc) e Bonaparte (Bonarda). Por fim, a Zorzal elabora três cuvées distintos, que chamam Conceptuales: os cortes tintos Field Blend e Piantao e o monovarietal de Pinot Noir, com uvas de diversos vinhedos e safras, denominado Porfiado.

Nome da VinícolaZorzal
Estabelecida2007
Website http://www.zorzalwines.com/
EnólogosJuan Pablo Michelini, Noelia Juri
UvasSauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Noir, Malbec, Cabernet Sauvignon, Bonarda, Merlot
Área de Vinhedos70 ha
RegiãoTupungato (Mendoza)
DenominaçãoGualtallary
PaísArgentina
AgriculturaOrgânica
VinificaçãoBaixa Intervenção

Fontes: Website da vinícola; Skurnik (seu importador nos EUA); Nicola Orsini

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