Alta qualidade e consistência: Nittardi e seus Chianti Classico

Na última Anteprima Toscana, realizada em Firenze no mês passado, poucos produtores do Chianti Classico me chamaram tanto a atenção pela consistência quanto Nittardi. Situada no coração da denominação, na área de Castellina in Chianti, a propriedade tem origens medievais e chegou a pertencer a Michelangelo Buonarroti, que, já no século XVI, enviava seus vinhos como presente ao Papa. Recuperada a partir dos anos 1980 pela família Femfert, combina tradição e abordagem moderna, com vinhedos tanto no Chianti Classico quanto na Maremma. Abaixo, minhas impressões sobre três vinhos degustados.

Chianti Classico Annata Belcanto 2023

Corte de Sangiovese (90%), complementado por variedades autóctones (Canaiolo, Colorino, Malvasia Nera, Ciliegiolo, Mammolo, Foglia Tonda e Pugnitello), proveniente de um vinhedo de cultivo orgânico certificado com vinhas velhas (plantadas na década de 1960) em solos de galestro e alberese. Fermentação natural em tanque de inox, seguida de 12 meses em botti (3.500 L), além de um breve estágio em garrafa. Delicioso e fresco, com a tipicidade do Mediterrâneo. Mostrou um perfil aromático, com notas de ervas verdes e de frutas vermelhas frescas. No palato, apresentou alta acidez, corpo médio e taninos finos, com uma estrutura precisa, tensa e muito bem definida.

Chianti Classico Annata Vigna Doghessa 2023

100% Sangiovese, a partir de um vinhedo histórico em solos de galestro e quartzo. Fermentação em inox, seguida de 16 meses em barricas usadas em botti, passagem por concreto e, posteriormente, estágio em garrafa. Mais expressivo em fruta, com notas florais (violeta) e de cereja vermelha, mantendo a mesma espinha dorsal do Belcanto. Taninos um pouco mais presentes, mas igualmente finos, sustentam um conjunto firme e equilibrado.

Chianti Classico Gran Selezione Nittardi 2022

100% Sangiovese proveniente de vinhedo em encosta voltada ao sul, entre Castellina e Panzano, a cerca de 500 metros de altitude, com solos de alberese e galestro. Fermentação em inox, seguida de 30 meses em barris austríacos e franceses (20% novos), estágio em concreto e 12 meses em garrafa. Perfil mais austero e vertical, com notas de fruta vermelha (goji berry), especiarias e um leve toque defumado. Na boca, o vinho mais complexo do painel apresentou alta acidez e taninos mais firmes, com menos fruta e caráter quase salino. Um vinho preciso, mais profundo e longo, mas direto e de textura que chamou a atenção, com certa rusticidade que reforçou seu caráter mais estruturado.

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